Importações em abril têm expressivo crescimento e déficit em 2011 preocupa

As importações tiveram expressivo crescimento no mês de abril aumentando ainda mais o déficit na balança comercial de lácteos em 2011, que ruma para ser um ano "bastante complicado". Em volume equivalente de leite, a balança encontra-se deficitária em 331,81 milhões de litros, o que representa 66,9% de todo o déficit de 2010, um ano já complicada para o setor. Em valor, a participação é ainda maior, de 82,8%, resultado da razão do déficit de US$ 144,75 milhões nos primeiros quatro meses do ano sobre um déficit total em 2010 de US$ 174,82 milhões.

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As importações tiveram expressivo crescimento no mês de abril aumentando ainda mais o déficit na balança comercial de lácteos em 2011, que ruma para ser um ano "bastante complicado".

Duas das possíveis razões para esse aumento foram apontadas por Laércio Barbosa, diretor da Laticínios Jussara, em nosso último artigo sobre a balança comercial: o recuo dos preços internacionais de leite em pó para a faixa dos US$ 3.800/ton e a contínua desvalorização do dólar. Esses dois fatores, aliado ao aumento do custo da matéria-prima no mercado interno, faz com que algumas indústrias optem pela importação.

Nesse sentido, houve um crescimento de 28,8% nas importações, passando de 8,9 mil toneladas em março para 11,6 mil toneladas em abril. Contudo, se considerarmos o equivalente em leite (a quantidade de leite utilizada para produzir um quilo de determinado produto), o crescimento foi de 40,6%, passando de 62,7 milhões de litros para 88,2 milhões de litros. Em valor, o salto foi de 35,2%, para US$ 44,4 milhões.

A maior parte dessa variação esteve atrelada ao leite em pó. Frente a março, houve um crescimento de 57,3%, passando de 5 mil toneladas para 7,8 mil toneladas. Argentina e Uruguai responderam por 94,9% desse valor. E no total das importações, por 91%.

As importações de queijo e soro de leite apresentaram recuo de 1,3% e 17%, respectivamente. Contudo, permaneceram sob patamares elevados. Foram importadas 1,77 mil toneladas de queijo e 1,61 mil toneladas soro. Argentina e Uruguai responderam por 86% e 83%, respectivamente, desses valores.

Tabela 1. Balança comercial de lácteos de abril/2011.

Figura 1
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Déficit

Pelo quarto mês consecutivo de grandes volumes de lácteos entrando no país e com a dificuldade de retirá-los (as exportações em abril foram de 3,6 mil toneladas e US$ 10,7 milhões), o déficit no acumulado do chegou a valores preocupantes.

Em volume equivalente de leite, a balança encontra-se deficitária em 331,81 milhões de litros, o que representa 66,9% de todo o déficit de 2010, um ano já complicada para o setor. Em valor, a participação é ainda maior, de 82,8%, resultado da razão do déficit de US$ 144,75 milhões nos primeiros quatro meses do ano sobre um déficit total em 2010 de US$ 174,82 milhões.

Tabela 2. Volume e valor comercializado no 1º quadrimestre de 2011 e comparação com 2010.

Figura 2
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Material escrito por:

Rodolfo Tramontina de Oliveira e Castro

Rodolfo Tramontina de Oliveira e Castro

Engenheiro Agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"-USP, e Analista de Mercado do MilkPoint.

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Darlani de Souza Porcaro
DARLANI DE SOUZA PORCARO

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/05/2011

Vimos  agora uma  fazenda na  França que  produz  beterraba,  no  globo  rural,  com o fim de  se  produzir  o  açucar. Todos  lá  sabem que  o  custo de  produção é  bem mais  alto do que  o  nosso  açucar  de  cana , e nem por  isso  diminuem suas  produções, pelo contrário,  seus  produtores  estão satisfeitos,  o governo faz  uma defesa do seu produto taxando bem alto as  importações e no final do ano tem ainda  o subsídio de 20% de toda  sua  receita. Enquanto aquí  nosso  governo  faz  questão  de  ajudar  outros  paises, deixando  nossos  produtores  de  leite mais  falidos e devedores  de  banco , fazendo  o papel de amigo da onça.
Dione Fraga dos Santos
DIONE FRAGA DOS SANTOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS

EM 17/05/2011

Rodolfo gostei mto do seu artigo. Trabalhei na minha tese de doutorado na esalq-usp com leite_ comercio exterior_ já havia uma tendência para essa "volatilidade"_ inclusive quando um amigo mercado financeiro viu meu gráfico: Balança comercial brasileira em litros de produtos lácteos selecionados_ ele pensou que se tratava de algum índice medidor das oscilações de ações da BM
Dione Fraga dos Santos
DIONE FRAGA DOS SANTOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS

EM 17/05/2011

Rodolfo gostei muito do seu artigo. Me doutorei na esalq-usp em janeiro de 2005. Trabalhei com o mercado externo do leite_ com dados da secex etc_ meu orientador foi o Geraldo Barros. Essa possibilidade de maiores importações desde minha tese estava um pouco clara_ indicava tendência. Meu trabalho agora é inserir os produtores de leite_por extrato utilizando Nihans_ média por quantidade produzida_ e a economia de baixo carbono. Vc me deu mtas ideias com seu excelente artigo.
Rodolfo Tramontina de Oliveira e Castro
RODOLFO TRAMONTINA DE OLIVEIRA E CASTRO

PIRACICABA - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 16/05/2011

Marcos, obrigado pela participação. Seu argumento não torna o meu contraditório.



Seria péssimo para o setor negativar ainda mais a balança comercial para apreciar o dólar. A participação dos lácteos no total da balança comercial nacional é pequena, não resultaria nesse efeito. Optarmos por aumentar as importações, contudo, exerceria grande influência negativa para o setor (leia o comentário do Eliseu).

Marcus Vinícius Campos Pirâmedes Soares
MARCUS VINÍCIUS CAMPOS PIRÂMEDES SOARES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 11/05/2011

Seu argumento está contraditório.



O real está apreciado (1 dólar compra menos reais) frente ao dólar por que existem muitos dólares no país. Para o real depreciar (1 dólar compra mais reais) você tem de retirar dólares de nossas reservas, as quais ou surgem por compra por parte do Banco Central (Bacen) ou por parte da Balança Comercial (BC) logo negativar um bocado nossa balança comercial.



Assim, para que o real se deprecie precisamos mesmo importar, gastar nossos dólares de reserva, e assim, um dólar comprará mais reais e logo os exportadores lucrarão mais.



A contradição é você querer taxar como ruim tanto o real estar apreciado (reservas cambiais positivas, Exportações > Importações) quanto as importações estarem aumentando (redução das reservas). Faça eleição daquilo que você considera mais importante.



Se você quer um real depreciado, é importante que importemos cada vez mais. Por outro lado, se você quer que as importações cessem, nossas reservas cambiais aumentarão e logo o real se apreciará ainda mais, reduzindo os ganhos dos exportadores (1 dólar compra menos real).

Eliseu Nardino
ELISEU NARDINO

MARIPÁ - PARANÁ

EM 10/05/2011

QUANDO IRAO PARAR COM ISSO?  ACHO QUE QUANDO NAO SOBRAR MAIS PRODUTORES, AI QUEM SABE ACORDEM E VOLTEM A INCENTIVAR A PRODUÇÃO LOCAL.
Qual a sua dúvida hoje?