Duas das possíveis razões para esse aumento foram apontadas por Laércio Barbosa, diretor da Laticínios Jussara, em nosso último artigo sobre a balança comercial: o recuo dos preços internacionais de leite em pó para a faixa dos US$ 3.800/ton e a contínua desvalorização do dólar. Esses dois fatores, aliado ao aumento do custo da matéria-prima no mercado interno, faz com que algumas indústrias optem pela importação.
Nesse sentido, houve um crescimento de 28,8% nas importações, passando de 8,9 mil toneladas em março para 11,6 mil toneladas em abril. Contudo, se considerarmos o equivalente em leite (a quantidade de leite utilizada para produzir um quilo de determinado produto), o crescimento foi de 40,6%, passando de 62,7 milhões de litros para 88,2 milhões de litros. Em valor, o salto foi de 35,2%, para US$ 44,4 milhões.
A maior parte dessa variação esteve atrelada ao leite em pó. Frente a março, houve um crescimento de 57,3%, passando de 5 mil toneladas para 7,8 mil toneladas. Argentina e Uruguai responderam por 94,9% desse valor. E no total das importações, por 91%.
As importações de queijo e soro de leite apresentaram recuo de 1,3% e 17%, respectivamente. Contudo, permaneceram sob patamares elevados. Foram importadas 1,77 mil toneladas de queijo e 1,61 mil toneladas soro. Argentina e Uruguai responderam por 86% e 83%, respectivamente, desses valores.
Tabela 1. Balança comercial de lácteos de abril/2011.

Déficit
Pelo quarto mês consecutivo de grandes volumes de lácteos entrando no país e com a dificuldade de retirá-los (as exportações em abril foram de 3,6 mil toneladas e US$ 10,7 milhões), o déficit no acumulado do chegou a valores preocupantes.
Em volume equivalente de leite, a balança encontra-se deficitária em 331,81 milhões de litros, o que representa 66,9% de todo o déficit de 2010, um ano já complicada para o setor. Em valor, a participação é ainda maior, de 82,8%, resultado da razão do déficit de US$ 144,75 milhões nos primeiros quatro meses do ano sobre um déficit total em 2010 de US$ 174,82 milhões.
Tabela 2. Volume e valor comercializado no 1º quadrimestre de 2011 e comparação com 2010.
