Saiu hoje na Gazeta Mercantil, reportagem que informa sobre a mudança que ocorrerá na legislação brasileira de leite, com o intuito de implementar o projeto da Rede Brasileira de Laboratórios de Controle da Qualidade do Leite (Redeleite). A legislação atual foi criada em 1954. Esse projeto, que prevê a criação de uma rede laboratorial credenciada pelo Ministério da Agricultura para monitorar a produção, já está pronto, aguardando apenas a aprovação do ministro Pratini de Moraes.
A nova legislação vai definir regulamentos técnicos para a produção, identidade e qualidade nos tipos de leite, condições de refrigeração na propriedade rural e transporte a granel, além do monitoramento do produto via análise laboratorial. Com a nova legislação, a fiscalização do leite passa a ser feita na propriedade, ao contrário do que acontece hoje, quando o produto é analisado depois que chega na indústria.
"Com isso, pretende-se resolver problemas na origem, reduzindo perdas do produto", informou João Walter Dürr, coordenador do Serviço de Análises de Rebanhos Leiteiros da Universidade de Passo Fundo (Sarle). Este laboratório é um dos quatro já existentes no Brasil com o equipamento automatizado necessário para este tipo de análise. Além do Sarle, também existem laboratórios credenciados no Paraná, São Paulo e Minas Gerais, principais regiões produtoras de leite.
Os laboratórios que compõem a Redeleite vão fornecer os resultados das análises das amostras ao Serviço de Inspeção Federal e estruturar um banco de dados sobre a evolução da qualidade do leite para aperfeiçoar os índices para estudos. "A rede será formada por laboratórios que já existem, e o Governo Federal vai investir tanto nestes órgãos como na criação de novos laboratórios, para ampliar a Redeleite", comentou Dürr. Ele observou também que os quatro laboratórios já credenciados não são representantes nem da indústria nem de produtores. "A maior parte está ligada a universidades, como é o caso do Sarle", acrescentou.
Dürr ressaltou que o leite continuará sendo analisado nas indústrias, por ser um trabalho preventivo. Os laboratórios credenciados vão analisar a composição (teor de gordura, de proteínas e de sólidos totais), contágio de células somáticas, contágio microbiano total e pesquisa de resíduos de antibióticos no leite. "Caso seja encontrado, por exemplo, algum resíduo de antibióticos, o leite não será enviado à indústria". De acordo com Dürr, a tendência é que o leite tipo C seja extinto, estabelecendo-se o tipo B como qualidade mínima.
fonte: Gazeta Mercantil
Governo cria nova legislação para o setor leiteiro
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