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Gado de corte e de leite sofrem com estiagem

Não é apenas nas lavouras de milho, soja e arroz que a estiagem tem causado prejuízos no Rio Grande do Sul. Pecuaristas de corte e de leite também sofrem.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: 19/01/2022 - 4 minutos de leitura

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Não é apenas nas lavouras de milho, soja e arroz que a estiagem tem causado prejuízos no Rio Grande do Sul. Com o pasto seco, os pecuaristas gaúchos estão buscando alternativas que sustentem os seus rebanhos neste verão de temperaturas chegando a 40º no Estado. Janeiro começou abrasador e a tendência é que as temperaturas continuem elevadas e a chuva escassa.

A preocupação com a falta de água está presente na lida diária nas propriedades pelo interior gaúcho, seja com a perda de peso dos animais, a má qualidade da prenhez das fêmeas e do desmame precoce dos terneiros, mas também causam alertas a condição nutricional dos animais, além da possibilidade iminente de faltar água para o consumo dos bichos.

A época de primavera e verão é onde há melhor crescimento dos pastos, maior qualidade da forragem e um bom desenvolvimento dos animais. As vacas entram em período de parto no início da primavera e depois são colocadas em reprodução, tanto na inseminação artificial quanto na monta natural, relata o diretor da Associação Brasileira de Angus e produtor rural, Márcio Sudati.

Se, neste período, acontece uma temporada prolongada de estiagem como a que o Rio Grande do Sul passa atualmente, o resultado do campo seco é uma alimentação escassa. "Estamos lidando com a perda de peso dos animais, a diarreia em terneiro por conta da água suja, a falta de forragem de qualidade, e tudo isso atrapalha a produção e o desenvolvimento dos terneiros", afirma.

O Instituto Desenvolve Pecuária fez um levantamento entre os seus 240 associados que relataram situação parecida à descrita pelo Sudati. "A falta de proteína, as pastagens de verão já em processo de queima, a falta de água e mais a perda expressiva do milho e da soja completam o cenário ruim", retrata o presidente da Comissão de Relacionamentos Institucionais e Comerciais da entidade, João Gaspar de Almeida.

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Unir as invernadas e não distinguir as categorias têm sido ação básica de manejo para um melhor cuidado. Contudo, sem condições nutricionais das vacas, os pecuaristas estão sendo obrigados a fazer o desmame precoce dos bezerros. Deste modo, um terneiro que mamaria até um peso aproximado de 180 quilos a 200 quilos tem sido desmamado com um peso aproximado de 120 quilos a 140 quilos. O processo de engorda, que normalmente leva em torno de 24 meses para o gado de corte, pode sofrer atraso e prejuízo no ganho de peso, corrobora Almeida.

Os impactos no gado de corte são preocupantes, mas não tão graves quanto está sendo para o gado leiteiro.

"A estiagem eleva consideravelmente o preço da produção do litro porque você não tem uma pastagem adequada", explica o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês (Gadolando), Marcos Tang. A produção de silagem representa 70% do que é consumido pela vaca, o restante é suplementação. E está escassa nas propriedades dos produtores. Nem nas dos vizinhos e está cada vez mais longe para mandar buscar, relata Tang.

A alimentação impactando no resultado da produção e no processo reprodutivo do rebanho leiteiro são fatores que devem gerar impactos a longo prazo para o setor leiteiro. "O ideal é repor 20% do rebanho anualmente para manter a produção", explica o dirigente, que relata a janela de 24 meses para que um terneiro comece a produzir leite, relata Tang.
 

Estiagens recorrentes pedem soluções a longo prazo

A média de chuvas no Rio Grande do Sul para o período atual está em torno de 1800 milímetros anuais, contudo, nos últimos anos, existem regiões registrando um volume de 1000 mm a 1100 mm por ano, abaixo do esperado, explica o diretor e coordenador da Comissão do Meio Ambiente da Farsul, Domingos Antônio Lopes. "O cenário é muito preocupante. Cada dia que passa aumenta o prejuízo do produtor, problemas graves nas lavouras de milho e de soja e gravíssimo na pecuária leiteira", lamenta.

Lopes relata que a situação é complicada porque as entidades não veem uma solução a curto prazo, e que por isso, vêm alinhando, com o governo estadual e com os parlamentares gaúchos, através de audiências públicas, medidas que possam ajudar nos momentos de crise. 

Ações de longo prazo, como a de preservação de água nas propriedades, esbarram na legislação federal que prevê a interferência em área de preservação permanente somente nos casos de interesse social, utilidade pública ou impacto ambiental. "A ideia é que a irrigação se torne algo de interesse social ou de utilidade pública. Reservar água a nível de propriedade levará a uma perda ambiental no curto prazo, mas a médio prazo, trará ganho de fauna e de flora."

As informações são do Jornal do Comércio, adaptadas pela equipe MilkPoint.

Leia também: 

  • Seca na região Sul: orientações emergenciais aos produtores de leite
  • Prejuízos do agro com estiagem já chegam a R$ 47 bilhões
  • RS: estiagem faz produtividade do gado leiteiro diminuir 20%
     
 
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