Franquias especializadas em sorvete, milk shakes ou outras sobremesas geladas, como açaí, chamam atenção por causa da forte expansão. Tomando como base o ranking de 2025 versus o de 2024, The Best Açaí cresceu 36,8%, Milky Moo, 25,5%, e Chiquinho Sorvetes, 11,7%.
Foto: Fraga Alves/Folhapress
Para Isaías de Oliveira, controlador da Chiquinho Sorvetes, uma importante razão do crescimento da marca, hoje presente em todos os estados da federação e no Distrito Federal, é o sorvete não necessitar, no ponto de venda, de câmara fria ou armazenamento em geladeira, reduzindo bastante os custos para o franqueado.
A base drenada do produto, que hoje é apresentado em 20 sabores diferentes, é colocada numa máquina "soft", com capacidade de 20 litros. Cabe ao franqueado controlar o fluxo ao longo do dia, para evitar desperdício, já que o equipamento deve ser lavado ao fim do expediente e o conteúdo porventura ali presente, descartado.
Outro ponto apontado por Oliveira é o mix de serviços oferecidos ao franqueado, da estrutura unificada de marketing, com uma agência de publicidade exclusiva, à logística de distribuição própria. Toda compra de matéria-prima pelo franqueado passa por um sistema controlado e desenvolvido pelo franqueador.
Para driblar a tradicional queda de vendas dos meses mais frios do ano, a Chiquinho lança produtos quentes, como um bolo com sorvete servido numa caneca. Ele é oferecido em todas as lojas da rede, do Rio Grande do Sul ao Pará, dois estados que Oliveira destaca por sua boa performance.
A Chiquinho, cujo nome tributa o pai de Oliveira, que, trabalhador do campo, decidiu "dar um negócio" para o filho em 1980, na época entregador de bicicleta em Frutal (MG), a 115 km de São José do Rio Preto, começou sua expansão por franquias em 2010 de maneira inusitada, uma vez que já contava com 80 pontos de venda, todos pertencentes à família. "As pessoas ligavam para a gente e perguntavam como poderiam ter uma franquia nossa. Decidimos então montar o sistema", recorda.
Foto: Ferdinando Ramos/Folhapress
Já a The Best Açaí, self-service de açaí e sorvete fundada por três colegas do curso de engenharia civil da UEL (Universidade Estadual de Londrina), hoje com pouco mais de 800 operações no Brasil e no Paraguai, chegou neste mês aos Estados Unidos, com o primeiro ponto na famosa Lincoln Road, em Miami Beach. Sérgio Kendy, CEO da empresa, deseja que sua marca se torne um "McDonald's do açaí" nos Estados Unidos – ele fala em 200 lojas apenas na Flórida.
No ponto de venda são 12 combinações de açaí, 24 sabores de sorvete e 40 acompanhamentos que podem ser intercambiados. A rede também cria alternativas para os meses mais frios, como o petit-gateau, também servido em sistema self-service.
Um dos grandes desafios do negócio, destaca Kendy, é o da entrega de matéria-prima para o franqueado de praças menos populosas, como as de Tocantins, para onde os caminhões do franqueador fazem menos viagens. "Sempre é melhor para o franqueado ter menos produtos em estoque, e essa é uma questão em locais em que nossas entregas não são tão frequentes", comenta.
A Oakberry, já mais estabelecida, tem mais de mil lojas no total, sendo mais de 650 no exterior (52 nos Estados Unidos). O desencanto com sua própria loja de sapatos e a experiência como garçom em uma unidade da rede de restaurantes Outback, além de considerável comichão empresarial, fizeram outro grande franqueador, Lohran Soares, 35, lançar-se num negócio que jamais havia considerado até entrar numa loja para tomar um milk shake.
Sem saber –ou talvez já sabendo– que consumia num ponto de venda de um futuro concorrente, ele matutava ali a Milky Moo, que seria lançada num momento tenebroso, talvez o pior possível, a poucos dias do lockdown, em 2020. Hoje a marca tem 700 operações, já chegou aos Estados Unidos e em julho desembarca no Paraguai.
Foto: divulgação
De volta ao princípio, Lohran se encantou com a simplicidade da operação –"uma máquina de sorvete, uma pista fria para a calda de frutas"– e, principalmente, com o fato de o atendimento não parecer ser crítico para o negócio, diferentemente de sua loja de sapatos, em que "um cliente pode deixar R$ 1.000 para um bom vendedor e R$ 0 para um mau". Lohran e seu sócio Paulo Amin, que morreria em 2023, decidiram então dar um passo à frente, tornando o milk shake protagonista. "Todos temos memória afetiva do milk shake, ele sempre foi bastante consumido, mas como coadjuvante." Os sócios ainda investiram numa linguagem visual pop, chave conceitual do negócio. "A ideia era fazer com que o cliente se encantasse com o ambiente, com o visual, que ele ficasse, e nós também, o mínimo possível refém do atendimento".
Caminho diferente vem seguindo a Cuor di Crema, marca adquirida durante a pandemia por Antonio Ribeiro de Souza, CEO da Antaris Foods Brands, que já detinha no Brasil a licença da rede americana Johnny Rockets. Surgida em 2014, a Cuor di Crema vinha em trajetória descendente, fechando operações. Ao adquirir a marca, Souza também arrematou a Boulangerie Carioca.
O projeto de expansão é bastante distinto do usual do setor. Mais do que franqueados, Souza quer parceiros, especialmente em cidades médias, em que uma unidade principal, com produção própria, deve servir como ponto de abastecimento para lojas satélites desse mesmo parceiro em praças vizinhas. A sistemática pode valer também para bairros de grandes capitais. Nenhuma nova unidade é concebida, e implantada, sem o consentimento da Antaris.
Souza invoca seu conhecimento de décadas de franqueado do McDonald’s para dizer que donos de franquias criam autonomia própria e, se são diligentes, tendem a melhorar o negócio. "O franqueador conhece a marca, mas todo franqueado conhece seu ponto de venda, seu negócio, é ele que paga as contas no fim do dia. Quero dar liberdade para ele voar."
As informações são da Folha de São Paulo, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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