Rio Grande do Sul: fórum aborda brucelose e tuberculose bovina durante a Fenasoja

Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública.

Publicado por: MilkPoint

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O 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina, realizado durante a Fenasoja 2026 em Santa Rosa, reuniu representantes do setor público, indústria láctea e produtores para discutir a prevenção dessas doenças que afetam a saúde pública e a sanidade animal. Dados mostraram uma queda nos casos positivos após 392 mil testes de tuberculose e 251 mil de brucelose em 2025. O Fundesa investiu R$ 52 milhões em ações preventivas e infraestrutura. A importância da certificação e do apoio técnico foi destacada por produtores afetados por surtos.

A brucelose e a tuberculose bovina, doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos, foram tema de um fórum realizado durante a Fenasoja 2026, em Santa Rosa, Rio Grande do Sul. Com o tema "Saúde do campo à mesa", o 1º Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose Bovina reuniu setor público, representantes da indústria láctea e produtores rurais para sensibilizar a cadeia produtiva sobre a prevenção destas enfermidades, que impactam tanto a sanidade animal quanto a saúde pública. O fórum foi promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e pelo Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária e Animal (Fundesa).

Fórum aborda brucelose e tuberculose bovina durante a Fenasoja

Ações do Serviço Veterinário Oficial

O fiscal estadual agropecuário Felipe Lopes Campos, coordenador de Educação Sanitária na Seapi, apresentou dados sobre o programa sanitário de Brucelose e Tuberculose bovina, apontando que, embora a testagem tenha aumentado significativamente ao longo dos últimos 15 anos, os números de animais positivos vêm caindo. Em 2025, foram realizados mais de 392 mil testes para tuberculose bovina e mais de 251 mil para brucelose, com índices de animais positivos em 0,36% e 0,08% dos casos, respectivamente. “Os dados mostram um trabalho coordenado do Serviço Veterinário Oficial com os produtores”, avaliou.

Levantamento realizado sobre ações de educação sanitária da Secretaria em 2025 mostrou que a tuberculose bovina e a brucelose estiveram entre os principais assuntos abordados. “O programa sanitário da brucelose e tuberculose está entre os cinco principais programas que abordamos no ano passado. Se elencarmos por enfermidade, a brucelose é a segunda com mais ações educativas, com a tuberculose em quarto lugar”, informou Campos.

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Para Felipe, a defesa agropecuária deve ser vista como um escudo que protege o campo e garante a segurança do consumidor final. O objetivo da fiscalização não é a punição, mas atuar como um garantidor de qualidade para os produtos de origem animal. “Fiscalização é um pilar, não uma cobrança. É um processo de co-participação para a preservação da saúde da sociedade”, pontuou.

Visão da indústria

O gerente de suprimento de leite da CCGL, Jair de Mello, ressaltou que a sanidade é um dos quatro pilares fundamentais da indústria, ao lado da padronização de processos, a qualidade do leite e a rastreabilidade. “É preciso garantir transparência em todos os processos, com digitalização, acompanhamento, gestão. Isso vai permitir a qualificação e a competitividade do leite nacional no mercado externo, uma fronteira que temos ainda a conquistar”, pontuou.

Com relação à brucelose e à tuberculose bovina, a CCGL mantém um programa de certificação desde 2015 entre seus cooperados, abrangendo hoje mais de mil propriedades e 90 mil animais. “Somos o primeiro laticínio do Brasil a entrar no programa de certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose da Organização Mundial de Saúde Animal”, destacou. 

Relato de um recomeço

A produtora rural Ana Cláudia Kamm dos Santos, de Três de Maio, compartilhou a jornada de sua propriedade, a Granja Progresso, que em 2017 enfrentou um surto de tuberculose. O impacto foi severo, com o abate imediato de 121 animais e a imposição de um vazio sanitário de um ano.

"Ficamos sem chão", relatou Ana Cláudia, que detalhou como a família superou a crise por meio do apoio técnico e das indenizações do Fundesa e do Ministério da Agricultura. A produtora explicou que aproveitou a oportunidade de recomeço para planejar a retomada da produção com a aquisição de rebanho de propriedades certificadas.

Hoje, a Granja Progresso está certificada como livre de brucelose e tuberculose desde 2021, com um rebanho 100% da raça Jersey. Ana Cláudia pontuou que um dos novos desafios que se apresentam é a sucessão, sendo ela mesma filha de produtores rurais. "Tenho três filhos. A nossa ideia é aumentar a produção, agroindustrializar e, quem sabe, que todos eles permaneçam na atividade conosco", contou.

Fórum aborda brucelose e tuberculose bovina durante a Fenasoja

O papel estratégico do Fundesa

O presidente do Fundesa, Rogério Kerber, detalhou a importância do fundo privado e destacou que a atuação do Fundesa vai além do pagamento das indenizações aos produtores. “O Fundesa foi inicialmente pensado para o pagamento de indenizações. Mas, ainda antes de sua fundação, a orientação veio no sentido de agir preventivamente, evitando que ocorressem esses eventos sanitários que resultariam nas indenizações. É uma medida para proteger o produtor, a indústria e a sociedade em geral”, explicou.

Neste sentido, o fundo investiu mais de R$ 52 milhões em infraestrutura para a defesa sanitária animal do estado, com a informatização das inspetorias de defesa agropecuária, criação do SDA, reforma e revitalização de inspetorias, convênios com universidades para desenvolvimento de sistemas de informação específicos, compra de materiais de emergência para contenção de focos e apoio ao setor diagnóstico, entre outras ações. Kerber enfatizou que o produtor é o elo mais importante da defesa sanitária. "O alerta primeiro tem que vir da propriedade. Sem esse alerta, não tem reação", ressaltou.

As informações são da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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