Muitas estratégias diferentes de formulação podem ser empregadas na fabricação de substitutos do leite. No entanto, criar uma receita que otimize o desempenho dos bezerros vai além de simplesmente equilibrar os teores totais de proteína e gordura.
Um estudo recente publicado no Journal of Dairy Science resumiu um experimento de alimentação conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores, que examinou e comparou os resultados do uso de três formulações diferentes de substitutos do leite com diferentes fontes de gordura.
O estudo foi liderado pela doutoranda Juliette Wilms, da Trouw Nutrition, sediada na Holanda, com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Guelph, da Wageningen University (Holanda) e da Universidade de Bonn (Alemanha).
Método do estudo
Três grupos de alimentação, cada um com 21 bezerros Holandeses recém-nascidos, foram alimentados com três diferentes formulações de substituto do leite. Todas as fontes de substituto do leite continham 30% de gordura, 24% de proteína bruta e 36% de lactose na matéria seca. Porém, três combinações diferentes de dois ingredientes cada foram usadas para atender à porção de gordura:
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Vegetal – 80% de óleo de colza e 20% de óleo de coco;
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Animal – 65% de banha e 35% de creme lácteo líquido;
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Misto – 80% de banha e 20% de gordura de coco.
Todos os ingredientes de gordura foram pulverizados e secos durante o processo de produção do substituto do leite.
Durante o período pré-desmame, os bezerros foram alojados em baias de nove animais cada – três de cada grupo de alimentação – e receberam sua respectiva ração líquida à vontade por meio de um único alimentador automático. Eles tiveram acesso comum a ração inicial à vontade, palha picada e água durante o estudo. O desmame foi induzido gradualmente entre 7 e 10 semanas de idade.
Os bezerros foram pesados e amostras de sangue foram coletadas semanalmente até 85 dias após a chegada. A velocidade de ingestão e as visitas ao alimentador automático foram registradas pelo software do equipamento. Eventos de saúde foram registrados por cuidadores, que desconheciam os grupos de alimentação atribuídos a cada bezerro.
Resultados
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Não houve diferença entre os grupos no número de bezerros que receberam intervenção terapêutica para diarreia ou doenças respiratórias.
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Os bezerros alimentados com a ração de gordura animal consumiram um maior volume de substituto do leite em comparação com os outros dois grupos.
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A ingestão de ração inicial não variou significativamente entre os grupos.
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A ingestão de energia metabolizável no período pré-desmame foi maior nos bezerros alimentados com a ração de gordura animal em relação aos outros dois grupos.
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Os perfis de ácidos graxos no plasma corresponderam de perto à fonte de gordura na ração líquida nas semanas 4 e 8, mas essa diferenciação desapareceu na semana 12, quando os bezerros estavam completamente desmamados.
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O grupo alimentado com gordura animal apresentou um ganho médio diário (ADG) pré-desmame significativamente maior (915 g/dia) em comparação com os outros dois grupos, que tiveram média de 783 g/dia.
Análise dos resultados
Os pesquisadores observaram que o tratamento com gordura animal foi desenvolvido para se alinhar de perto ao perfil de ácidos graxos do leite. A inclusão de ácidos graxos de cadeia média foi um objetivo importante, já que esses ácidos graxos específicos são uma fonte de energia rapidamente disponível e podem influenciar os sinais de saciedade em bezerros. O leite integral contém cerca de 11% de ácidos graxos de cadeia média. A taxa de inclusão no estudo foi:
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Ração vegetal – 22%;
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Ração animal – 7%;
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Ração mista – 12%.
Os pesquisadores concluíram que o crescimento mais lento dos bezerros no grupo de gordura vegetal, em comparação com o grupo de gordura animal, estava associado a uma maior taxa de conversão de energia no período pré-desmame para o grupo vegetal (calculada dividindo a ingestão diária total de energia metabolizável pelo ADG), indicando uma eficiência alimentar inferior.
No geral, o perfil de ácidos graxos do grupo misto foi muito semelhante ao do grupo animal, exceto pelo fato de que a ração de gordura animal continha ácidos butírico e caproico. Estudos anteriores mostraram que a suplementação de bezerros com ácido butírico melhora o desenvolvimento do trato gastrointestinal.
Por fim, os pesquisadores observaram que a ração de gordura animal não incluía 100% de gordura do leite porque isso contrariaria um dos principais objetivos do substituto do leite: aumentar a produção líquida de produtos lácteos nas fazendas. O estudo também não considerou a diferença de custo entre as rações, especialmente o custo potencialmente mais alto de competir no mercado de alimentos humanos por creme de leite/gordura do leite.
Referências bibliográficas
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.