O ministro do Desenvolvimento do Brasil, Alcides Tápias, e o ministro da Economia Argentina, José Luis Machinea chegaram a um acordo contra a ameaça do antidumping à venda de leite em pó da Argentina. Os novos preços de exportação deverão ser baseados nos cálculos das cotações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O preço de exportação será mantido em US$ 1,9 mil por tonelada sempre que as cotações ficarem entre esse valor e US$ 1,74 mil. Quando a cotação for inferior a US$ 1,74 mil, será aplicada uma tarifa de 11%.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), concordou com a proposta dos argentinos desde que os mesmos incluam os produtos lácteos em sua lista de exceção. As tarifas dos produtos subirão de 27% para 34%, máximo aceito pela OMC. Além disso, os governos brasileiros e argentinos se comprometem a tirar os produtos da lista de exceção e incluí-los na Tarifa Externa Comum (TEC).
O acordo "permitirá que o produtor brasileiro receba R$0.40 pelo litro de leite" diz Vicente Nogueira chefe do CNA. Luis Fernando Laranja, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ/USP) acha que as tarifas anteriores "davam margem para triangulação entre as empresas". As tarifas para os laticínios argentinos variavam de 6% a 46%.
Entre as grandes exportadoras, resta fazer um acordo com a Conaprole, do Uruguai, e com a New Zealand Dairy Board (NZDB), na Nova Zelândia. A dinamarquesa Arla Foods, também afetada pela ação, já havia fechado um acordo com o Brasil.
(Por Cláudia Trevisan e Raquel Landim, para Valor Online, 16/02/01)
Firmado acordo entre Brasil e Argentina na disputa do leite
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