Embora o crescimento de maio tenha atingido diversas categorias, os principais propulsores do setor continuaram sendo os queijos e a gordura do leite. Os embarques de queijo superaram a marca de 60 mil toneladas pelo terceiro mês consecutivo, totalizando 61.409 toneladas. Esse volume representa uma alta de 18% em relação a maio do ano anterior. A Coreia do Sul e o México lideraram o aumento em volume, repetindo a tendência do ano. As vendas para os sul-coreanos saltaram 52% no mês e acumulam alta de 41% no ano, enquanto o mercado mexicano registrou avanço de 16% em maio e 29% no acumulado de cinco meses.
Paralelamente, as exportações de gordura do leite, categoria que engloba manteiga e gordura anidra, mais do que dobraram no período, alcançando 15.158 toneladas. O crescimento foi liderado pelo Oriente Médio e Norte da África, com uma impressionante alta de 767%, acompanhada por incrementos superiores a mil toneladas nos mercados da Austrália, México e Canadá.
Adaptação Logística nas Rotas do Oriente Médio
O desempenho expressivo da gordura do leite comprova a capacidade dos exportadores americanos de contornar os gargalos logísticos gerados pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Dados analisados pelo Conselho de Exportação de Lácteos dos Estados Unidos (USDEC) mostram que a maior parte dos carregamentos de manteiga e queijo destinados ao Oriente Médio está sendo redirecionada por rotas terrestres através da Arábia Saudita. Essa mudança estratégica reconfigurou o fluxo comercial da região em maio.
As vendas de gordura do leite para os sauditas saltaram 473%, enquanto os embarques para o Bahrein zeraram pelo segundo mês consecutivo. No segmento de queijos, a Arábia Saudita registrou uma alta de 176%, compensando a queda de 68% no volume somado enviado para Bahrein, Kuwait, Omã, Catar e Emirados Árabes Unidos. Mesmo diante de conflitos e barreiras logísticas, o comércio com a região seguiu em expansão, o que levanta questionamentos sobre quão maior teria sido o crescimento sem esses entraves na cadeia de suprimentos.
Oscilações no Soro de Leite e a Realidade do Leite em Pó
No segmento de soro de leite com baixo teor de proteína, as exportações americanas mantiveram a tendência de aceleração, atingindo o recorde anual de 57.164 toneladas em maio. O ritmo de crescimento anual evoluiu de 7% em janeiro para 56% em maio, impulsionado por um salto de 282% nas vendas para a China. Vale destacar que o USDEC ajusta os volumes destinados ao mercado chinês para corrigir distorções de classificação fiscal. Contudo, essa forte alta reflete uma base de comparação deprimida, já que os embarques para a China haviam desabado na primavera de 2025 devido a tensões tarifárias. Como o comércio se normalizou logo em seguida, a expectativa é de que o ritmo de crescimento desacelere nos próximos relatórios oficiais.
Por outro lado, o mercado de leite em pó desnatado passou por um ajuste de expectativas. Após surpreender com uma alta de 6% em abril devido a contratos antigos fechados com as Filipinas, o produto enfrentou o impacto dos preços elevados em maio, resultando em uma queda global de 20% nas exportações americanas. Os embarques para o México recuaram 13% e as vendas para o Sudeste Asiático caíram 11%. As Filipinas mantiveram um crescimento mais modesto de 20%. Para os próximos meses, o cenário se mostra moderadamente otimista, uma vez que os preços internos do leite em pó desnatado recuaram em junho, aproximando-se dos patamares da União Europeia e da Nova Zelândia, em um contexto de maior produção acumulada em 2026.
As informações são do US Dairy Export Council (USDEC), adaptadas pela equipe MilkPoint.
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