As exportações de produtos lácteos dos Estados Unidos atingiram o valor de US$ 1 bilhão pelo terceiro ano consecutivo em 2002, de acordo com o Conselho de Exportações de Lácteos do país (U.S. Dairy Export Council - USDEC). As exportações de queijos atingiram um volume recorde e as vendas de soro do leite apresentaram um sólido aumento com relação ao ano anterior. Outros produtos lácteos apresentaram alguns graus de declínio devido ao enfraquecimento do mercado internacional de lácteos que levou à redução de preços em grande parte de 2002, à continuação de substanciais subsídios de exportação da Europa e às barreiras - tarifárias e não-tarifárias - de acesso a mercados.
A recessão econômica na Ásia e na América Latina que começou no ano passado enfraqueceu o poder de compra dos consumidores em todo o mundo, enquanto a competitividade dos exportadores dos EUA também foi prejudicada pelo fortalecimento do dólar que enfraqueceu somente no meio do ano. Os preços mundiais dos ingredientes lácteos aumentaram no último trimestre do ano, mas o problema ocorrido na Costa Oeste do país levou à redução dos carregamentos.
Nos últimos anos, os exportadores de lácteos dos EUA aprenderam a persistir diante de mudanças e de difíceis condições de comercialização, disse o presidente do USDEC, Tom Suber.
"O mercado global está sempre em mudança, com forte competição, flutuação de moedas, problemas econômicos em mercados chave ou outros fatores. O ano passado não foi diferente. Entretanto, grandes e pequenos participantes da indústria de lácteos dos EUA se comprometeram a incluir canais de vendas externas como parte de sua estratégia de crescimento, e podem administrar estes altos e baixos como ciclos normais de negócios".
Exportações: 5% da produção dos EUA
Vendas comerciais e não subsidiadas atingiram 84% das exportações de lácteos dos EUA em 2002, um dado que reflete a dramática mudança nas exportações dos EUA desde o meio dos anos noventa. Os exportadores enviaram 483,983 milhões de quilos de sólidos totais do leite, 5% a menos do que no ano anterior. Continuando uma tendência de quatro anos, as exportações dos EUA representaram mais de 5% do total de leite produzido pela nação, em uma base de produção, que tem se expandido em 8% nos últimos quatro anos. Os ganhos de exportação em produtos estratégicos foram contrabalançados pelos declínios em outros.
As exportações de queijos atingiram o volume recorde de 53,932 milhões de quilos em 2002, 3% a mais do que no ano anterior. Os ganhos de duplo dígito nos mercados do Japão, Coréia do Sul, Sudeste da Ásia e Caribe conduziram o aumento total no volume. O USDEC trabalhou com os fornecedores de queijos dos EUA para melhorar a imagem dos queijos de todo o país e construir uma participação no mercado de varejo, foodservice e setores industriais.
As exportações de proteínas do soro do leite aumentaram 6%, para 180,122 milhões de quilos. As vendas de soro de leite adoçado desidratado aumentaram 5%, enquanto as exportações de concentrados de proteínas de soro de leite de alto valor aumentaram 9%. Os programas do USDEC para expandir o consumo de proteínas do soro do leite no geral, e do soro do leite dos EUA em particular, permitiram que os fornecedores norte-americanos entrassem em novos setores, como no de produtos esportivos, de fórmulas infantis e de suplementos nutricionais.
As exportações de soro de leite para a China aumentaram muito, crescendo 51%, tornando este o maior mercado de proteína de soro de leite dos EUA. De forma geral, as vendas para o Extremo Oriente cresceram 14% e os carregamentos para o México aumentaram 22%. Estes ganhos foram particularmente impressionantes em um deprimido mercado mundial de proteínas do leite onde, no meio do verão, os preços caíram para a metade do que eram no final de 2001.
As exportações totais de lactose declinaram 7%, para 118,342 milhões de quilos. Um ganho de 30% nas vendas para o Sudeste Asiático e o aumento de 10% para o México não foram suficientes para contrabalançar a queda de 18% dos carregamentos ao Japão, o maior mercado dos EUA, e o declínio de dois terços nas vendas para a Nova Zelândia. Os programas do USDEC estão promovendo a utilização da lactose em novas aplicações para crescimento da demanda mundial total.
As exportações de sorvetes declinaram 8% em 2002, apesar do aumento de 74% nos carregamentos ao México e do ganho de 7% nas vendas para a Europa. O enfraquecimento econômico e a substituição para fornecedores alternativos regionais em alguns mercados levaram ao declínio de 43% nas exportações para o Extremo Oriente.
As vendas de leite fluido e de creme caíram 11%. Quase 80% destas vendas foram para o México, onde as exportações caíram 15%. O decréscimo no volume exportado foi notado principalmente para o creme.
As exportações de leite em pó desnatado caíram 9%, para 99,745 milhões de quilos. A decisão do USDA de reter os subsídios fiscais do Programa de Incentivo às Exportações de Lácteos (DEIP) levou à queda nas exportações, enquanto os preços mundiais caíram severamente no começo do ano, contribuindo com o decréscimo nas vendas. As vendas aos dois maiores mercados dos produtos dos EUA - México e Sudeste da Ásia - declinaram 20% cada um.
Entretanto, as importações totais de lácteos dos EUA, com base nos sólidos totais, aumentaram 1%, para 386,461 milhões de quilos em 2002, o equivalente a cerca de 4% da produção dos EUA. As importações de queijos aumentaram 7% e as importações de proteína concentrada do leite aumentaram 17%, enquanto as importações de caseína declinaram 8%, com relação ao ano anterior.
Com base nos sólidos totais, as exportações de lácteos ultrapassaram as importações em 97,522 milhões de quilos, 483,983 milhões de quilos para 386,461 milhões de quilos, uma diferença de 25%. Em valor, as importações de lácteos foram maior, US$ 1,89 bilhão para US$ 1,02 bilhão.
Fonte: U.S. Dairy Export Council (USDEC), adaptado por Equipe MilkPoint
EUA: Exportações de lácteos atingiram US$ 1 bilhão pelo terceiro ano consecutivo
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