Os números são impressionantes. Mais de 25% dos produtores de leite planejam se aposentar nos próximos cinco anos. No entanto, em um sinal de uma crise iminente para o setor, 60% dos produtores afirmam não ter um plano de sucessão definido. Isso ameaça desencadear uma perda histórica de conhecimento operacional e de terras justamente em um momento em que o setor já enfrenta uma enorme pressão.
Os 5 maiores desafios para o crescimento
- #1 Custo da terra
- #2 Inflação/custo dos materiais para expansão
- #3 Disponibilidade de mão de obra
- #4 Capacidade de obter financiamento
- #5 Confiança no mercado de leite e no relacionamento com os laticínios/processadores de leite (indústria compradora)
A barreira do “sem dinheiro, sem diversão”
O planejamento sucessório costuma ser visto como um obstáculo jurídico ou financeiro, mas o relatório revela que a barreira é profundamente pessoal. Quando questionados sobre por que estão planejando dispersar seus rebanhos ou deixar a atividade, os produtores não apontaram apenas para os preços do leite; apontaram para a mesa da cozinha.
“Sem dinheiro, sem diversão”, afirmou um produtor de forma direta. Outro observou: “fase da vida e nenhum membro da família interessado em continuar”. Para muitos filhos da geração da pecuária leiteira dos anos 2020, o “negócio arriscado” de ordenhar vacas — com margens cada vez mais apertadas e exigências de trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana — simplesmente não consegue competir com a estabilidade das carreiras fora da fazenda.
Além disso, o fator humano dos conflitos familiares aparece repetidamente. Como compartilhou um produtor: “Família, ninguém se dá bem. É família.” Sem um plano neutro estabelecido, esses conflitos pessoais estão se tornando a principal razão pela qual o conhecimento operacional não está sendo transferido para a próxima geração.
“Se você espera que outra geração volte para a fazenda, então terá que determinar como sustentá-la financeiramente”, diz Shannon Ferrell, professor associado de economia agrícola da Oklahoma State University. “Lembre-se: se você escolher não fazer nada, isso também é uma estratégia, mas tem zero por cento de chance de funcionar.”
O risco da perda de conhecimento operacional
O precipício é ainda mais acentuado para os veteranos do setor. Os produtores que administram fazendas há 26 anos ou mais são os mais propensos a planejar sua saída. São esses produtores que carregam décadas de intuição adquirida no dia a dia da fazenda — conhecimentos sobre saúde do rebanho, manejo do solo e navegação pelos mercados que não podem ser facilmente substituídos por um programa de computador.
Quando um quarto do setor sai sem um plano, esse conhecimento desaparece. O relatório sugere que, embora os produtores mais velhos (65 anos ou mais) sejam os mais propensos a ter um plano de sucessão, ainda existe uma enorme lacuna. Se a transição não for conduzida adequadamente, o resultado muitas vezes é a dispersão da operação em vez da transferência para a próxima geração, levando à perda permanente de terras destinadas à atividade leiteira para outros usos — uma tendência que já está se acelerando em estados como o Colorado.
A divisão do otimismo
Curiosamente, está surgindo uma divisão geracional na forma como o futuro é enxergado. Os produtores com menos de 45 anos são significativamente mais otimistas em relação à rentabilidade de 2026 (59%) do que seus colegas mais velhos (34%). Esse grupo mais jovem também é o mais propenso a buscar parceiros e planejar expansões.
No entanto, para que esses gestores jovens e otimistas assumam o comando, os 60% que não possuem um plano precisarão encontrar uma forma de superar esse obstáculo. O relatório sinaliza que a confiança de longo prazo do setor — com 45% dos produtores planejando crescer — está em desacordo com a realidade de curto prazo da onda de aposentadorias.
Um legado em risco
A pecuária leiteira dos EUA está em uma encruzilhada. A resiliência do produtor norte-americano está sendo testada por uma combinação perfeita de custos elevados, baixo otimismo e ausência de estratégias claras de saída. Este relatório deixa claro que o investimento mais importante que uma fazenda pode fazer nos próximos três anos é ter a difícil conversa sobre quem estará ordenhando as vacas quando a geração atual deixar a atividade.
Sem um plano definido, o precipício sucessório não será apenas um desafio para famílias individuais; será uma mudança estrutural para toda a paisagem da pecuária leiteira dos Estados Unidos.
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
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