Estiagem e calor reduzem produção de leite no Sudoeste do Paraná

A estiagem e as altas temperaturas registradas no primeiro trimestre de 2026 já são sentidas na produção leiteira em comunidades do interior de Francisco Beltrão e São João.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

A estiagem e as altas temperaturas registradas no primeiro trimestre de 2026 já são sentidas na produção leiteira em comunidades do interior de Francisco Beltrão e São João, municípios do Paraná. Produtores enfrentam dificuldades para manter a produtividade do rebanho diante da falta de água, do estresse térmico dos animais e do aumento no custo da alimentação.

O produtor de leite no município de Beltrão e presidente da diretoria provisória da Rural Leite Sudoeste, Maciel Comunello avalia que a escassez hídrica se tornou um dos principais entraves da atividade: “a produção de leite depende diretamente da disponibilidade de água, tanto para o consumo dos animais quanto para a produção de pastagens e silagens. Quando falta água, o impacto é imediato: as vacas reduzem o consumo de alimento, sofrem estresse térmico e diminuem a produção”, afirma.

Continua depois da publicidade

Segundo ele, o calor excessivo agrava ainda mais a situação. “O estresse térmico interfere no metabolismo dos animais, reduz a eficiência alimentar e afeta até a reprodução do rebanho. Em dias muito quentes, a queda na produção pode ser significativa, trazendo prejuízos diretos ao produtor”, destaca.

Outro fator que pressiona a atividade é o aumento no custo da alimentação. A quebra da safrinha de milho, provocada pela combinação de calor intenso e chuvas irregulares no Sudoeste, reduziu a oferta de silagem, base da dieta do gado leiteiro. “Com menor oferta, o preço sobe e o produtor precisa gastar mais para manter o mesmo nível de nutrição do rebanho”, explica Comunello.

Diante desse cenário, a rentabilidade da atividade fica comprometida. “O produtor acaba tendo que produzir menos, gastando mais, o que torna a situação bastante preocupante”, resume. Ele reforça a necessidade de políticas públicas e apoio técnico para enfrentar períodos críticos, com incentivo à preservação de água e alternativas de manejo alimentar.

Na avaliação de Marcos de Carli, médico veterinário do município de São João, o verão já é historicamente um período crítico para a atividade, mas tem se tornado mais severo. “O estresse calórico em animais de alta produção, que hoje predominam na região, predispõe a problemas metabólicos e de saúde. Mesmo propriedades com melhor estrutura conseguem apenas amenizar a situação, não resolver”, observa.

Ele também alerta para os impactos da estiagem na qualidade e disponibilidade de água. “Há locais onde falta água até para o consumo dos animais, ou a água disponível não tem qualidade. Isso compromete diretamente a saúde do rebanho, aumenta os custos e, em casos mais graves, pode levar à perda de animais”, afirma.

As informações são do Jornal de Beltrão, adaptadas pela equipe MilkPoint.

Vale a pena ler também: 

Reuso da água e adubação líquida impulsionam fazenda leiteira Brasilanda, em GO

Apesar da falta de chuva, pastagens mantêm a alimentação dos rebanhos no Rio Grande do Sul

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?