1) Panorama atual
A demanda por produtos lácteos permaneceu crescente na China durante o ano 2000 e na primeira metade do ano de 2001. Isso estimulou o aumento contínuo na produção de lácteos. A Associação de Indústrias de Produtos Lácteos da China divulgou dados que mostraram que o crescimento na produção de leite no país na primeira metade do ano de 2001 foi bem maior do que o ocorrido no mesmo período de 2000.
O maior crescimento na demanda foi por produtos lácteos fluidos, incluindo iogurtes e bebidas lácteas acrescidas de sabor. A demanda por sorvetes também cresceu bastante - este produto, que antes era consumido somente nas estações quentes do ano, passou a ser consumido durante o ano todo. A expectativa é de que essa tendência permaneça pelos próximos anos.
Porém, apesar do crescimento na demanda, o consumo per capita anual de leite na China continua em cerca de 7 quilos - entre os mais baixos do mundo. Porém, à medida que a renda da população aumenta e mais consumidores - especialmente os mais jovens - passam a gostar mais dos produtos lácteos, cresce o potencial de crescimento da demanda por estes produtos.
Apesar de o rebanho leiteiro chinês ser maior do que a previsão que tinha sido feita, não é ainda tão grande quanto poderia ser. Isso ocorreu devido principalmente às tempestades de neve que acometeram as regiões nordeste e noroeste do país no final do ano passado. A taxa de crescimento do rebanho leiteiro da China no primeiro semestre de 2001 foi maior do que no mesmo período do ano passado.
A competição no setor leiteiro também aumentou, tanto na produção de leite como no processamento dos produtos lácteos. Isso gerou um melhor gerenciamento das propriedades, além da aplicação de tecnologias mais avançadas na indústria de lácteos chinesa. Em média, os produtores podem ganhar cerca de US$ 363 por ano por vaca. Isso é considerado um bom retorno e funciona como um incentivo para o contínuo crescimento na produção de leite.
Apesar da tendência de crescimento no número de vacas leiteiras e da produção de leite, ainda não está claro até onde o rebanho leiteiro chinês irá crescer quando as taxas de crescimento começarem a se estabilizar. Muitos fatores podem agir contrariamente ao desenvolvimento do setor de lácteos na China. Apesar da eficiência na produção ter aumentado rapidamente nas grandes cidades, como Beijing, Shanghai e Tianjin, a indústria de lácteos, como um todo, ainda levará tempo para atingir um ponto ótimo de eficiência.
A carência de terras cultiváveis e de água, tanto para a produção de animais como para a produção de boas forragens, também é um fator que preocupa. Algumas mudanças na política de governo, como a proibição de pastagem em grandes áreas de forragens (?) em alguns locais, como por exemplo, Inner Mongolia, poderá limitar o crescimento dos rebanhos leiteiros chineses.
Por fim, a responsabilidade de promover a produção, o processamento e a distribuição de produtos lácteos na China, bem como de seu comércio, pode ser prejudicada devido a um grande número de diferentes agências de governo, faltando unificação desta atividade.
Em 2000, a produção de leite na China não conseguiu atingir a demanda em crescimento. Apesar dos preços desses produtos terem aumentado rapidamente no ano 2001, as importações desses produtos, em volume, ficarão pelo menos no mesmo nível das importações feitas no ano 2000. A expectativa é de que as importações de leite em pó e de soro de leite continuem crescendo. Além disso, tarifas significativamente baixas para iogurte, manteiga e queijos serão aplicadas na China devido à sua entrada na OMC, o que pode gerar também um aumento das importações destes produtos.

** Refere-se ao leite e outros produtos lácteos
Fonte: Dados urbanos - China Statistical Yearbook; Dados rurais - China Rural Statistical Yearbook

Fonte: China Customs e Hong Kong Customs

Fonte: China Customs

Fonte: China Customs

Fonte: China Customs

Fonte: China Customs

Fonte: China Customs
2) Produção, demanda e comercialização de produtos lácteos na China
Produção de leite cru
Os dados de produção de leite na China são fornecidos pelo Conselho Nacional de Estatísticas - que fornece somente informações sobre produção de leite - e pelo Ministério da Agricultura do país. Segundo os dados do Conselho, a produção de leite na China em 2000 foi de 8,27 milhões de toneladas, 15% a mais do que no ano anterior. Porém, os dados do Ministério da Agricultura informam uma produção de 7,82 milhões de toneladas. Ainda segundo os dados do ministério, o rebanho bovino chinês no ano 2000 tinha 4,56 milhões de cabeças, sendo que cerca de 55% desse rebanho é de produção de leite. Além disso, o ministério chinês estima que a produção de leite fluido foi de 4,3 milhões de toneladas na primeira metade de 2001.
Apesar dessas diferenças nos dados das duas instituições, ambos mostram que tanto a produção como o rebanho leiteiro da China, estão crescendo rapidamente e deverão continuar com essa tendência de crescimento, enquanto a demanda por produtos lácteos no país continuar aumentando. Para os produtores, a produção leiteira é mais rentável do que a produção de grãos.
O recente aumento na capacidade de produção gerou, na China, um aumento na competição entre os processadores pelo limitado fornecimento de leite. Há cerca de 3 mil companhias processadoras de leite do país, sendo que muitas delas são novas. Mais de 10 grandes companhias de outros países entraram no mercado chinês nos últimos anos. Essas grandes companhias estão se unindo com as pequenas, ou comprando ações de outras companhias, ou ainda, promovendo joint ventures com elas, a fim de aumentar seu acesso ao leite produzido na China.
Apesar dessa grande capacidade instalada para o processamento de lácteos, ainda estão sendo feitos na China novos investimentos em projetos de produção de lácteos. Várias indústrias estão sendo construídas em áreas menos desenvolvidas, como Xinjiang, Guizhou, e Shanxi, a maioria delas visando à produção de leite fluido, especialmente leite UHT.
Porém, existem vários obstáculos ao crescimento da produção na China. O primeiro deles é a eficiência das operações de produção, que é baixa, e as melhorias ocorrem muito lentamente. A maioria das vacas está sendo criada em propriedades com pouca tecnologia e pouco avanço genético. Menos da metade dos animais leiteiros chineses apresenta uma raça pura. O restante dos animais resulta de cruzamentos, principalmente entre animais da raça holandesa com animais de raças desenvolvidas no próprio país. A média de produção por vaca é de menos de 3 mil quilos por ano.
Além disso, os produtores de leite chineses não têm conhecimento suficiente sobre nutrição animal, genética e controle de doenças. Também não têm muitas informações a respeito do mercado, o que acaba gerando um crescimento irregular e economicamente irracional. Cerca de 50% da ordenha é feita manualmente, sendo que muitos dos produtores não conseguem atingir os padrões de qualidade para o leite fresco que são requeridos hoje em dia pelos processadores.
Outro problema que existe na produção de leite na China é a terra. A produção de forragens é limitada e produzida de forma primária no norte e nordeste do país, estando freqüentemente distantes dos grandes centros de produção que, em sua maioria, localizam-se próximos aos principais centros urbanos. Apesar do governo chinês ter lançado o projeto "transformar as terras pobres em florestas e forragens", ele ainda levará um bom tempo para começar a apresentar benefícios, e ainda não é possível estimar quanto desta terra será destinada à produção de forragem para o rebanho leiteiro. Comparada com outros países, como Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália, a terra cultivável na China é muito cara. Sendo assim, as importações de países que possuem terras mais baratas poderão se tornar um problema para a produção local de leite.
A maioria das companhias leiteiras aumentou seu rebanho através de inseminação artificial e de importação de animais vivos. Algumas companhias com melhor infra-estrutura começaram a usar a tecnologia de transferência de embriões. Porém, o governo chinês instaurou um projeto de proteção aos embriões domésticos, o que dificulta um pouco para os países que exportam embriões para a China.
Política de produção
O plano do governo chinês para a produção leiteira do país, que foi determinado pelo 10o Plano de 5 anos (2001-2005), objetiva reduzir de forma geral a produção de leite em pó, centralizando-se na produção de leite fluido. Isso estimula as companhias de lácteos localizadas nas cidades a aumentar a produção de leite pasteurizado, iogurte, leite fresco acrescido de sabor, leite UHT, creme de leite UHT, e queijos. Isso também estimula as companhias, particularmente aquelas localizadas em áreas tradicionais de produção fora das áreas urbanas, a continuar produzindo leite em pó, mas com um foco maior na produção de fórmulas infantis e outros leites em pó funcionais.
O programa de leite escolar do governo foi implementado em várias cidades chinesas. A tendência é que muitas outras cidades unam-se a esse programa. A maioria dos especialistas chineses acredita que a entrada da China da Organização Mundial do Comércio (OMC) afetará principalmente a produção de leite em pó, principalmente porque o leite em pó importado constituirá um componente bastante competitivo no mercado.
3) Produtos lácteos processados
Produção
Leite Fluido
A produção de leite fluido no ano 2000 foi o dobro da produção de 1999. Do total produzido, 55% era leite pasteurizado, 25% era leite UHT, 12% era iogurte e os 8% restantes referem-se a uma grande variedade de bebidas lácteas. As estatísticas oficiais mostram que a produção de leite fluido na primeira metade do ano de 2001 foi 50% maior do que no mesmo período de 2000. A expectativa é de que o crescimento continue nos próximos anos. As grandes cidades são os maiores mercados consumidores deste produto. As cidades chinesas estão apresentando um crescimento relativamente rápido no rendimento, e um sistema melhor de distribuição dos produtos facilitou o acesso pelos consumidores do leite fresco.
O aumento da urbanização na China está ajudando no aumento do consumo de leite fresco. No ano 2000, a produção de leite UHT - considerando sobre o total de leite fluido produzido - aumentou 5%, enquanto houve uma queda na participação do leite pasteurizado, de 4,5%. Isso pode ser explicado primeiramente pelo fato de que os projetos de leite escolar na China usam somente leite UHT. Há cerca de 100 linhas de produção de leite UHT no país, sendo que a maioria delas não está operando com sua total capacidade. Na China, os custos de produção de leite UHT são maiores do que os de produção de leite pasteurizado. Entretanto, o leite UHT dura mais tempo e pode ser mais facilmente transportado, o que acaba compensando os custos.
A produção de iogurte e de bebidas lácteas acidificadas apresenta bom crescimento, com 19% de participação na produção total de leite fluido em 2000. O controle sanitário destes produtos é uma preocupação na China. Um teste padrão realizado recentemente pelo governo do país mostrou que 1 terço dos produtos estava com quantidades de bactérias acima dos padrões pré-determinados.
A produção de sorvete aumentou de 1,2 milhão de toneladas em 1999 para 1,4 milhão de toneladas em 2000. A produção no primeiro quarto deste ano também apresentou um aumento. A produção de sorvete na China deverá crescer nos próximos 5 anos devido ao aumento do consumo deste produto no país - antes era sazonal, apenas nas épocas quentes, e agora está se tornando mais freqüente em todas as épocas do ano.
Apesar da produção de leite em pó ter aumentado no ano 2000, a taxa de aumento foi bem menor do que nos anos anteriores. Isso mostra que mais leite está sendo usado na produção de leite fluido. Porém, leites em pó especiais, particularmente as fórmulas infantis, estão substituindo gradualmente a produção de leite em pó na China. Esses produtos, assim como o iogurte, são motivo de preocupação no país. Isso porque uma análise feita em amostras mostrou que 40% das fórmulas infantis, principalmente aquelas produzidas pelas pequenas companhias, não estão de acordo com os padrões pré-estabelecidos. Por este motivo o governo chinês determinou a necessidade de licença para o processamento deste tipo de leite.
Consumo
O consumo per capita de leite na China está crescendo cerca de 5% por ano. O consumo de leite fluido está crescendo mais rapidamente do que o de leite em pó.
Os habitantes das áreas urbanas do país são os principais consumidores. Somente Beijing e Shanghai são responsáveis por 50% do mercado total de lácteos da China. Se a urbanização continuar a crescer e se houver um aprimoramento das tecnologias de processamento e dos equipamentos, provavelmente haverá um aumento no consumo de lácteos. Futuramente, este crescimento também ocorrerá nas cidades médias e pequenas.
O mercado de sorvetes pode ser dividido em setores de alta, média e baixa qualidade. Somente as companhias financiadas por agentes externos, ou aquelas que fizeram joint ventures com companhias estrangeiras, dominam o mercado de alta qualidade. As companhias chinesas tendem a produzir sorvete de média e baixa qualidade.
Comércio
As importações de produtos lácteos cresceram muito no ano 2000. Entretanto, os altos preços dos produtos lácteos no comércio internacional fizeram com que houvesse uma redução neste crescimento durante o primeiro semestre de 2001. Sendo assim, as importações de lácteos no ano de 2001 ficaram semelhantes aos níveis do ano 2000. Porém, com o recente enfraquecimento dos preços dos produtos, pode ser que haja um aumento significativo nas importações chinesas de produtos lácteos.
As importações de leite em pó e de soro de leite em 2001 foram responsáveis por 90% das importações de produtos lácteos feitas pela China, enquanto que a participação desses produtos nas importações do ano 2000 foi de 95%. As importações de soro de leite estão sendo impulsionadas pelo aumento na demanda por este produto na nutrição animal.
As importações de leite em pó e de soro de leite deverão crescer de forma contínua nos próximos anos. As importações de leite fluido poderão crescer também, mas não tão rapidamente quanto às de leite em pó, devido à competição com o produto nacional.
Após a entrada da China na OMC, a maioria das tarifas de importação de lácteos deverá cair. Para 2004, a tarifa de importação de iogurtes cairá de 50% para 10%; as de gordura, coalho e creme cairão de 50% para 20%; a de manteiga cairá de 50% para 30-35%; a de queijos cairá de 50% para 12-30%.
Tradicionalmente, os chineses não consomem muito queijo e manteiga. Entretanto, com o aumento da renda dos consumidores, e com a influência ocidental, esses produtos estão se tornando mais populares, particularmente nas redes internacionais de alimentação. O consumo chinês de manteiga e queijos conta muito com as importações. Sendo assim, a redução na tarifa de importação desses produtos é particularmente significativa.
Hong Kong é, de longe, o maior mercado de exportação para leite fluido e em pó. Com o fortalecimento da demanda interna, é bem provável que as exportações chinesas de produtos lácteos fiquem restritas às doações, e ao mercado de Hong Kong. No ano 2000, assim como vinha ocorrendo há anos, a China exportou uma quantidade significativa de leite em pó para o Iraque como doação. Porém, durante a primeira metade de 2001, essas exportações caíram bastante.
Marketing
As marcas são importantes na China, particularmente nas grandes cidades, com destaque para as marcas estrangeiras, que são bastante populares. Apesar dos preços dos produtos estrangeiros, como por exemplo, os da Nestlé, serem mais altos do que os preços dos produtos chineses, eles são muito populares na China devido à imagem de produtos de maior qualidade do que os produtos locais.
A participação dos produtos lácteos importados e dos nacionais no mercado chinês não mudou muito nos últimos tempos. A intensa competição entre as companhias de lácteos continuará. As companhias continuarão gastando bastante em pesquisas para identificar os segmentos de mercados mais promissores e para desenvolver novos produtos.
Para ver o relatório do USDA em inglês, clique aqui.
Fonte: USDA, adaptado por Equipe MilkPoint