Cooperativa de Minas Gerais conclui processo de granelização

Publicado por: MilkPoint

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A Cooperativa Agropecuária Limitada de Uberlândia (Calu) antecipou-se ao prazo da portaria 56 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e granelizou toda a coleta de leite. A partir de julho, o Mapa vai proibir a comercialização e o transporte do leite em latões, como ainda ocorre em diversas regiões do País. O leite a granel fica estocado em tanques de expansão nas propriedades e é coletado por caminhões tanque. Esse sistema reduz o risco de contaminação e as perdas de qualidade provocadas pela estocagem e transporte inadequados.

Desde o início do ano os pecuaristas que fornecem leite para a cooperativa estão entregando o produto a granel e resfriado. O leite armazenado nos tanques de expansão possui qualidade superior, o que garante preços diferenciados aos cooperados e permite à Calu ganhos de qualidade, tanto no leite longa vida, quanto nos derivados produzidos pela indústria.

A diferenciação de preços entre o produto entregue resfriado e o leite transportado em latão pode ser superior a 30%. Hoje a Calu paga entre R$ 0,32 e R$ 0,42 por litro de leite. A diferença de preços varia de acordo com a qualidade e a quantidade entregue pelo pecuarista.

Além das melhorias sanitárias promovidas pela granelização, a adoção do novo sistema garante uma economia mensal de R$ 80 mil à cooperativa. Com o fechamento das filiais de Guarinhatã, Tupaciguara, Monte Alegre e Indianópolis, o laticínio eliminou gastos com estações de resfriamento e recebimento de leite em latões.

A mudança também trouxe redução nos custos de transporte do produto. Pelo sistema anterior o produtor pagava 13% sobre o valor do leite para entregá-lo nas estações de recebimento. Com o transporte a granel ele paga 10% a menos. A redução nos custos operacionais e a melhoria da qualidade do leite industrializado garantem à Calu mais competitividade.

Na região coberta pela cooperativa de Uberlândia estão instalados 750 tanques de expansão, que têm capacidade para armazenar mais de 500 mil litros de leite. Atualmente os produtores estocam cerca de 150 mil litros em período de safra e 120 mil na entressafra da produção, que começa já em abril.

A adoção dos tanques deve resolver outro problema constante do setor que é a instabilidade de oferta e de preços. Com o processo de resfriamento nas propriedades o produtor pode manter a estabilidade de entrega do leite durante o período de estiagem, que começa em abril e se estende até o início das chuvas, no começo de novembro. "A oferta de leite regular e com qualidade deve garantir ganhos ao produtor que poderá contar com preços mais estáveis durante o ano inteiro", acredita o presidente da Calu, Jerônimo Gomes Ferreira.

Novo mercado em 2003

Com a finalização do processo de granelização da captação de leite a Calu deu o primeiro passo para a abertura de novos mercados e o fortalecimento da marca nos pontos onde atua. Entre os projetos da cooperativa está o de exportação de leite. Ferreira diz que a intenção é seguir o exemplo da Cooperativa Central de Minas Ltda (Cemil), que formalizou o primeiro contrato de exportação de 240 mil litros de leite longa vida para a China.

Ele acredita que, já para o próximo ano, será possível formalizar o primeiro contrato com o mercado internacional. Além da granelização do leite, que garante mais qualidade ao produto, a Calu vai desenvolver uma seqüência de trabalhos de conscientização junto ao produtor. "Em todo o processo existe risco de contaminação do leite, por isso vamos desencadear uma série de ações para garantir o melhor aproveitamento do produto", acrescenta.

Exportação é a saída

Na avaliação do reitor da Newton Paiva, Newton de Paiva Ferreira Filho, entidade que assessorou a Cemil, a exportação pode ser o caminho não só para a crise do leite em Minas mas para a crise do setor no País.

Para o produtor, o contrato com a China renderá ganhos superiores a 30%, se comparado à comercialização do leite no Brasil. O coordenador do "Projeto China de Exportação", Cristiano Cordeiro, diz que o mercado chinês é extremamente atrativo. Segundo ele, o país produz, hoje, apenas 30% do leite que consome, importando o produto da Austrália, Nova Zelândia, Suíça e Itália.

Nos últimos cinco anos o consumo de leite na China cresceu acentuadamente e está em 2,7 litros por pessoa ao ano, considerando uma população de 1,3 bilhão de chineses, segundo dados dos governos brasileiro e chinês. "No Brasil, são 87 litros por pessoa ao ano, para uma população de 170 milhões", diz.


Fonte: Jornal Correio/ Uberlândia, MG - www.jornalcorreio.com.br, adaptado por Equipe MilkPoint
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