Acredita-se que transtornos mentais, emocionais e comportamentais afetem uma em cada cinco crianças nos Estados Unidos, gerando um custo estimado de US$ 247 bilhões anuais em tratamentos, segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Isso evidencia a dimensão do desafio e o potencial de mercado para soluções voltadas ao gerenciamento dessas questões.
Outras pesquisas de consumo mostraram que dois terços dos pais se preocupam com o fato de seus filhos não estarem alcançando todo o seu potencial. Muitos relataram aumento do estresse em relação ao desempenho acadêmico e disposição para “fazer o que for necessário” para ajudar os filhos a terem sucesso na escola.
Juntas, essas dinâmicas refletem uma crescente preocupação dos consumidores com o desenvolvimento e desempenho infantil e criam um ambiente no qual empresas de alimentos e bebidas estão explorando cada vez mais como a nutrição pode apoiar o desenvolvimento cognitivo e o bem-estar das crianças.
Para ajudar a acelerar e moldar o desenvolvimento da categoria de “alimentos para o cérebro” infantis, o Bel Group adquiriu na semana passada as marcas Brainiac e Little Brainiac, da Ingenuity Foods, em um acordo que o CEO da Bel North America, Peter McGuinness, chamou de uma “oportunidade em que 1+1=3”.
O acordo reúne as marcas já consolidadas de snacks da Bel, incluindo o queijo Babybel e os sachês de frutas e vegetais GoGo squeeZ, com a linha da Ingenuity Foods de snacks de frutas, sucos e sachês com purês de frutas, vegetais e aveia — todos contendo também “nutrientes para construção cerebral”, como quantidades relevantes de ômega-3 DHA, colina e luteína.
Por que a Bel quis a Brainiac
O acordo amplia o alcance da Bel para novos segmentos de consumidores, novos formatos de produtos e novas alegações de marketing que não existiam em seu portfólio atual. “Os fundadores da Ingenuity Foods descobriram a fórmula para snacks funcionais voltados à saúde cerebral de crianças mais novas — um espaço que admirávamos, mas que ainda não havíamos explorado, com um público infantil que a Bel North America ainda não atendia. Por que reinventar algo quando podemos acelerar o que já está funcionando?”, acrescentou ela, apontando dados de mercado que mostraram crescimento de vendas no varejo em três dígitos para a Brainiac no último ano.
“Para a Bel, isso é uma prova clara de uma oportunidade maior: as famílias estão procurando snacks funcionais que entreguem benefícios reais”, disse ela, acrescentando: “Estamos comprometidos em atender às necessidades em evolução das pessoas com ingredientes reais e benefícios funcionais, e esperamos que o sucesso da Brainiac inspire a Bel a continuar expandindo limites”. Além dos produtos complementares, as duas empresas compartilham valores e compromissos semelhantes com padrões sociais e ambientais, como empresas certificadas B Corporation, afirmou Lopez.
Por que a Ingenuity Foods quis se unir à Bel
Para a Ingenuity Foods, o acordo oferece uma maneira de alcançar “mais famílias, em mais lugares e mais rapidamente do que conseguiríamos sozinhos”, segundo comunicado da empresa. A companhia acrescentou que, dentro do acordo, continuará operando sob sua liderança atual — oferecendo segurança à equipe, parceiros varejistas e consumidores de que as marcas “continuarão trazendo os alimentos que vocês amam, exatamente como sempre”, incluindo “a mesma missão e compromisso de tornar a nutrição cerebral acessível e saborosa para crianças e famílias em todos os lugares.”
Riscos de marketing
Embora o mercado de alimentos voltados à saúde cerebral ofereça potencial significativo, ele não está livre de riscos. Recentemente, por exemplo, a Ingenuity Brands enfrentou questionamentos sobre algumas de suas alegações de saudabilidade. E, embora muitas tenham sido mantidas, algumas não resistiram à análise.
Em um caso movido contra a empresa, a divisão National Advertising Division (NAD), ligada ao órgão autorregulador BBB National Programs, concluiu que a companhia conseguiu sustentar alegações de que o Brain Squeezers Applesauce “apoia a imunidade” e que seus snacks “ajudam a reduzir a lacuna nutricional cerebral”.
O órgão também concluiu que a utilização de recomendações da Organização Mundial da Saúde sustentava a alegação de que apenas 20% das crianças recebem a ingestão diária recomendada de ômega-3, que a marca descreveu como “importantes blocos construtores do cérebro”.
No entanto, a NAD afirmou que a empresa não conseguiu comprovar alegações de que seu purê de maçã “promove a saúde cerebral”, porque o produto não continha a quantidade de DHA utilizada nos estudos apresentados como comprovação.
A crítica sugere que alegações relacionadas à saúde cerebral, assim como promessas ligadas à cognição, humor e energia associadas à nutrição, podem enfrentar maior escrutínio regulatório e exigirão um padrão elevado de comprovação científica.
As informações são do Dairy Reporter, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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