Como a Lácteos La Fortuna transformou sua cadeia de produtores com fomento e assistência

Com origem familiar e expansão recente no mercado, a Lácteos La Fortuna aposta no fomento direto à cadeia para melhorar índices de sólidos do leite e garantir a sucessão rural.

Publicado por: MilkPoint

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A Lácteos La Fortuna, fundada há 18 anos no Paraguai, concentra-se em micro e pequenos pecuaristas, com 48% dos fornecedores entregando menos de 500 litros de leite diários. A empresa evoluiu de produção de queijos para leite UHT e bebidas lácteas, apresentando crescimento de 21% no último ano. O programa Soy Tambero promove capacitação e financiamento aos produtores, resultando em melhorias nos índices zootécnicos. A companhia busca reter famílias na pecuária, investindo na modernização e sustentabilidade das propriedades.
Fundada há mais de 18 anos no Paraguai pelo produtor de leite Decky Hildebrand, a Lácteos La Fortuna consolidou sua trajetória com foco estratégico nos micro e pequenos pecuaristas da região de Campo 9. Historicamente caracterizada pela proximidade com sua base de fornecedores, a companhia mantém essa identidade até o presente, registrando cerca de 48% dos parceiros com entregas diárias inferiores a 500 litros de leite. 

Tendo iniciado as operações com uma engenharia produtiva voltada à fabricação de queijos, a planta industrial evoluiu para a produção de leite UHT e bebidas lácteas. Recentemente, a estrutura administrativa deixou de ser exclusivamente familiar ao incorporar novos acionistas, movimento que impulsionou um crescimento de 21% no último ano financeiro e permitiu que os produtos alcançassem diferentes regiões do país.

Como a Lácteos La Fortuna transformou sua cadeia de produtores com fomento e assistência

Atualmente, a captação da empresa abrange três departamentos paraguaios, atendendo também a programas governamentais estratégicos, como o Fome Zero. Parte central dessa evolução operacional repousa sobre o projeto Soy Tambero (expressão em espanhol que significa "sou produtor de leite"), concebido há aproximadamente seis anos. Naquele período, a indústria precisou alterar seus parâmetros de pagamento por qualidade, migrando do tradicional teste de redutase para contagens de aeróbios mesófilos e células somáticas. 

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Diante do desafio de adaptar os fornecedores a essa exigência, a organização percebeu que apenas comunicar a mudança dos indicadores não geraria os resultados operacionais esperados. "Precisávamos estar mais próximos do produtor, entender o que realmente acontecia dentro da propriedade e levar conhecimento que pudesse se transformar em resultado", relata o porta-voz da companhia.

Inicialmente focado em capacitação técnica e intercâmbio de informações, o programa logo revelou barreiras financeiras e estruturais nas propriedades rurais. Muitos pecuaristas compreendiam as técnicas necessárias, mas careciam do capital exigido para modernizar a rotina produtiva. Para contornar essa limitação, a indústria independente, que atua fora do modelo cooperativista predominante no país, estruturou um sistema próprio de financiamento utilizando parte do seu capital interno. 

Mediante avaliação documental prévia, os fundos são liberados para investimentos produtivos, como implantação e compra de silagem, com o pagamento descontado no próprio ciclo de entrega do leite. De acordo com a empresa, a inadimplência do modelo é considerada muito baixa frente ao montante emprestado, reflexo do alinhamento rigoroso entre a liberação do crédito e a real capacidade produtiva de cada fornecedor.

Paralelamente ao aporte financeiro direto, a construção desse ecossistema logístico e sanitário envolve parcerias com o setor público. Um marco dessa articulação ocorreu na colaboração com o programa de controle e erradicação da brucelose bovina do SENACSA, órgão sanitário oficial do país. Na ocasião, a iniciativa privada custeou os serviços veterinários e a mão de obra, enquanto o estado forneceu as vacinas e a agilidade nas oficializações. 

Essa capilaridade permitiu à companhia atingir pequenos criadores que frequentemente ficam à margem das políticas públicas. Sobre as dificuldades inerentes à transformação cultural nas fazendas, a direção da fábrica destaca o uso de visitas recorrentes e abordagens iterativas, guiadas pelo ditado popular de que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura".

Quando o desempenho zootécnico é mensurado, o impacto do financiamento atrelado à assistência técnica torna-se evidente na balança da fábrica. Hoje, 81% do volume de leite processado na planta apresenta índice abaixo de Log¹0 CBT 5,6 (equivalente a 400 mil UFC/mL de CBT/RAM). No aspecto nutricional, as médias de gordura saltaram de 3,78% para 4,08%, enquanto o teor de proteína passou de 3,22% para 3,44%. Com esses avanços consolidados na captação diária, 79% do volume supera a marca de 3,7% de gordura e 65% ultrapassa 3,4% de proteína. Sob a ótica fabril, esse aumento substancial na concentração de sólidos garante uma melhora direta do rendimento e da eficiência industrial utilizando a mesma infraestrutura de coleta e o mesmo número de vacas no pasto.

Como a Lácteos La Fortuna transformou sua cadeia de produtores com fomento e assistência

Em um cenário global marcado pelo abandono da pecuária leiteira por pequenos fornecedores devido à falta de margem de lucro, a empresa optou por atuar na direção contrária para reter as famílias no campo. "Existe uma diferença enorme entre disputar litros e construir litros", ressaltam, pontuando que a simples disputa por preço apenas remaneja a matéria-prima existente, enquanto o investimento direto no produtor gera uma nova capacidade produtiva. Com os próximos passos focados na padronização dos processos e no fortalecimento das empresas parceiras de ração e insumos agrícolas, a companhia objetiva garantir que a nova geração encontre fazendas financeiramente viáveis quando chegar o momento da sucessão familiar.

As inovações da Lácteos La Fortuna farão parte do encontro que reunirá quem decide o futuro dos lácteos brasileiros. De 27 a 28 de outubro no Bourbon Resort em Atibaia/SP, o Dairy Vision contará com a presença de mais de 500 executivos do setor e palestras sobre inovação, tendências e o Fórum MilkPoint Mercado.

Figura 3

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