Seguro rural encolhe e deixa produtores mais vulneráveis às perdas

Fenômenos climáticos extremos e cortes no seguro rural ameaçam o agronegócio. Produtores enfrentam riscos crescentes e buscam soluções para proteger suas safras e receitas. Saiba mais!

Publicado por: MilkPoint

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O aquecimento global tem afetado o agronegócio, com secas impactando safras de café e altas de preços de ovos. A safra de soja de 2026 pode ser prejudicada por chuvas intensas. As seguradoras enfrentam desafios para precificar seguros devido a fenômenos climáticos. A cobertura do seguro rural caiu pela metade em cinco anos, com orçamento de R$ 1,06 bilhão, muito abaixo do necessário. A expectativa é que a área segurada diminua ainda mais, enfrentando dificuldades em meio a desafios climáticos.

Sobram exemplos recentes de como o aquecimento global têm impactado o agronegócio: secas recordes quebraram safras de café em diversos países, elevando o preço da commodity no mundo inteiro, enquanto temperaturas elevadas ao redor do planeta tiveram um efeito disruptivo na cadeia de ovos e levaram com que o alimento registrasse alta de cerca de 40% no começo do ano. E a próxima “vítima” pode ser a safra de soja de 2026: modelos indicam que o fenômeno La Niña deve atingir o Centro-Norte do Brasil em fevereiro do próximo ano, aumentando a intensidade das chuvas, justamente quando deve acontecer a colheita dos grãos.

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“Fenômenos naturais extremos provocam alterações relevantes nos padrões de pluviosidade e afetam a carteira (de seguros) de forma distinta”, afirma Mauricio Masferrer, diretor executivo de negócios corporativos da Allianz Seguros. Segundo Masferrer, do lado das seguradoras, o maior desafio é entender como fazer uma precificação correta para manter os resultados saudáveis, o que faz com que as empresas do setor recorram a soluções de tecnologia.

Figura 1

“Aqui na Allianz usamos modelos geoespaciais que se baseiam em dados históricos para analisar a performance do solo, a cobertura vegetal e os índices de pluviosidade. Além disso, empregamos análises preditivas e séries temporais, incorporando variáveis climáticas externas. Também mantemos um sistema contínuo de monitoramento climático com base em dados fornecidos por consultorias externas”, explica o executivo.

As inovações não se restringem à tecnologia. “Tem muita coisa interessante sendo feita. Fizemos um seguro para a febre aftosa, desenvolvido especialmente para o Estado do Rio Grande do Sul. No caso de bacia leiteira, que é um segmento que é superconcentrado, a gente tem desenvolvido programas para garantir receita para o para o pecuarista. Se ele perder uma vaca, em vez de perder só o animal, ele também tem uma receita de seis meses equivalente aos litros de leite que ele entregaria no laticínio ou na cooperativa”, comenta Gláucio Nogueira Toyama, presidente da comissão de seguro rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e head de agronegócio da Swiss Re.

As soluções desenvolvidas pelas empresas do setor, no entanto, não são eficazes se os produtores rurais não conseguirem acesso ao seguro. Nos últimos cinco anos, a cobertura do seguro rural caiu quase pela metade por causa dos cortes no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Neste ano, o programa contava com R$ 1,06 bilhão, valor bem abaixo dos R$ 4 bilhões esperados pelos produtores. Como o governo precisa apertar o cinto para cumprir a meta fiscal, houve o bloqueio e contingenciamento de R$ 445,1 milhões desses recursos.

“A expectativa é de uma redução expressiva na área segurada, intensificando a queda observada no programa nos últimos anos. Tudo isso acontece em meio ao aumento dos desafios climáticos, que têm exposto os produtores a maiores dificuldades ao longo das safras e ampliado a demanda por ferramentas de gestão de riscos, nem sempre disponíveis”, afirma Guilherme Rios, assessor técnico da Comissão Nacional de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Toyama afirma que, no pico da operação do PSR, que foi em 2022, a área segurada chegou ao redor de 14 milhões de hectares. “Em 2024, a cobertura foi de 7 milhões de hectares, e a expectativa para esse ano é uma redução bastante forte, a gente está estimando entre 4 e 5 milhões de hectares”, diz. Toyama ressalta que, mesmo quando atingiu níveis recordes de cobertura, o seguro agrícola atendeu apenas 10% da produção brasileira.

Procurado, o Ministério da Agricultura e Pecuária não respondeu aos questionamentos sobre o desbloqueio do PSR e outras medidas de incentivo ao seguro rural.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint

 

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