Nos primeiros dois meses de 2026, o quadro do comércio revela dinâmicas opostas: caem as importações de leite em pó, enquanto crescem os produtos processados. As importações de leite em pó desnatado somaram 31.566 toneladas (-37,5% na comparação anual) e as de leite em pó integral 76.927 toneladas (-26%), também em função da redução das compras da Nova Zelândia. Por outro lado, houve forte crescimento nas importações de queijos (38.651 toneladas, +30,8%) e de iogurte (+17,7%), com aumento dos fluxos provenientes da União Europeia e da Oceania.
A queda nas importações de leite em pó reflete o aumento estrutural da disponibilidade de leite cru para a produção doméstica: a China atingiu elevados níveis de autossuficiência (cerca de 85% em 2025), segundo o USDA, também graças às megafazendas, que representam mais de 68% da produção.
Nesse contexto, os fluxos da Nova Zelândia, principal fornecedora de leite em pó integral também estão mudando: além da desaceleração da demanda chinesa, as tensões no Oriente Médio estão tornando mais complexos e caros os fluxos comerciais para mercados-chave como os Emirados Árabes Unidos.
Surge, assim, um mercado em transformação: a China reduz sua dependência de commodities, enquanto os exportadores precisam se adaptar a uma demanda mais seletiva e a um cenário global mais incerto.
GRÁFICO: Importação de Queijos frescos na China durante o ano em curso - Fonte: CLAL
As informações são do CLAL News, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
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