A China estendeu nesta segunda-feira, por um período de seis meses, a investigação anti-subsídios sobre importações de laticínios da União Europeia (UE), em mais um episódio das tensões comerciais entre Pequim e Bruxelas, desencadeada em 2023 após uma investigação anti-subsídios da UE sobre veículos elétricos de origem chinesa.
No caso dos laticínios, o Ministério do Comércio da China afirmou que prorrogou o período da investigação anti-subsídios até 21 de fevereiro de 2026, citando a complexidade do caso, que envolve alguns queijos, leite e produtos à base de creme da UE.
Em junho, Pequim já havia prorrogado uma investigação antidumping sobre carne suína europeia – da qual também é um grande importador – e, em julho, anunciou tarifas sobre produtores de conhaque da UE, embora grandes fabricantes de conhaque tenham sido poupados, desde que vendam por um preço mínimo estipulado.
A extensão da investigação sobre laticínios, que já tem um ano, era esperada, uma vez que novas visitas técnicas de autoridades chinesas estão agendadas para o início de setembro, disse Alexander Anton, secretário-geral da Associação Europeia de Laticínios.
Segundo Anton, o setor de laticínios da UE não espera um acordo semelhante ao alcançado com o conhaque, já que este último tem uma estrutura diferente, sendo liderado por um pequeno número de grandes empresas.
Na França, produtores esperam uma solução política para a questão dos veículos elétricos, a fim de evitar tarifas que possam afetar as exportações francesas de laticínios para a China, que somam cerca de 650 milhões de euros por ano, afirmou François-Xavier Huard, CEO da associação do setor FNIL.
Em abril, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que a UE e a China concordaram em analisar a possibilidade de estabelecer preços mínimos para os veículos elétricos chineses, em vez das tarifas impostas pela UE em 2024. No entanto, as duas partes ainda não chegaram a um acordo.
As informações são do Valor Econômico.