As principais companhias processadoras de lácteos do Chile tiveram uma queda de 1,5% na recepção de leite fresco, em comparação com o ano de 1999, segundo o último informe setorial preparado pela Oficina de Estudos e Políticas Agrárias do Ministério da Agricultura chileno. Apesar de no início da temporada de 2000 as estimativas oficiais serem de uma menor recepção, essa estava em torno de 3,5%, valor levemente abaixo dos 3,9% registrados em 1999. Isso significou uma quebra de uma tendência sustentada de incrementos produtivos durante toda a década passada.
A explicação para essa baixa inferior ao projetado encontra-se fundamentalmente na recuperação que os preços pagos pela indústria aos produtores começaram a experimentar a partir do segundo semestre de 2000, e que acentuou-se no último trimestre com variações superiores a 20% nos meses de outubro e novembro. Porém, o preço médio real acumulado a nível nacional para o período de janeiro-novembro (até onde se dispõe de informação), chegou a US$19,84/100 litros (líquido), valor que representa um aumento de 3,9% comparado com os US$19,10/100 litros registrados em 1999.
Outro fator que teve grande influência foi o clima, especialmente favorável para a produção de forragem nas regiões IX e X, onde se concentra cerca de 78% da recepção nacional e onde a base da alimentação do gado leiteiro provém justamente da pastagem.
Com relação ao comércio exterior de lácteos registrado até outubro de 2000, a balança do país apresentou um saldo negativo de US$24,3 milhões, produto de importações de US$45,3 milhões e exportações de US$21 milhões. Vale destacar a situação do Mercosul, responsável por US$18,1 milhões em importações e apenas US$287 mil em exportações.
Com relação às origens das importações, a Nova Zelândia (36%), a Argentina (31,3%) e o Uruguai (10,1%), foram responsáveis por 80% das compras de lácteos chilenos, que até o mês de novembro totalizavam US$49,6 milhões, valor 62,9% superior ao mesmo período do ano de 1999. Os produtos importados mais relevantes em termos de valores durante esse período foram: leite em pó (integral e desnatado), com US$27,8 milhões; queijo, com US$13,6 milhões e manteiga, com US$2,6 milhões.
Ao comparar o comportamento dos principais produtos adquiridos do exterior, leite em pó e queijo, observa-se o impacto que os preços internacionais vem tendo a nível local, bem como as salvaguardas, no caso do leite em pó. As importações de queijos registraram em novembro um aumento em volume de 72,4%, enquanto que o valor dessas importações subiu 58,9%, baseado no menor preço unitário por tonelada observado no período (US$2230/ton), e que foi 7,8% inferior ao valor de 1999. Essa situação, na opinião do Ministério da Agricultura e dos produtores de queijo e leite chilenos, estaria gerando sérias complicações para a indústria chilena de queijos. Porém, esses argumentos não estão sendo suficientes para que a Comissão de Distorções do Banco Central resolva acatar a solicitação para determinar salvaguardas nas importações de queijos.
O outro lado da questão está nas importações de leite em pó, que estão sujeitas às salvaguardas e apresentam altos preços internacionais. Nesse caso, os volumes importados durante o período de janeiro a novembro de 2000 cresceram 27,6% com relação ao ano anterior, enquanto que os valores totais dos produtos importados aumentaram, chegando a um aumento médio de 26% com relação à temporada anterior.
Apesar de os valores completos do exercício de 2000 ainda não terem sido compilados pelo Odepa, o órgão estatal tem projetado o consumo per capita de leite para o ano que acaba de terminar, verificando que esses ficaram em níveis muito semelhantes aos de 1999, ou seja, em torno de 127 litros/per capita/ano. Isso representa o ponto de partida para a campanha de promoção do consumo de lácteos chilenos, que terá início a partir de março, com participação dos produtores de leite, as indústrias processadores e do Governo, e que espera elevar esse consumo para 140/per capita/ano, em dois anos.
fonte: El Mercurio, por Equipe MilkPoint
Chile: caiu a recepção de leite nas indústrias em 2000
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