Captação de leite no primeiro quadrimestre não anima produtores

Publicado por: MilkPoint

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A produção de leite nos primeiros quatro meses do ano parece ter sofrido queda em relação ao ano anterior, embora ainda não estejam disponíveis os dados oficiais do IBGE, relativos ao primeiro trimestre. Ernesto Krug, da Elegê, no Rio Grande do Sul, diz que a captação de leite da empresa está em torno de 12% menor do que no ano passado. Na Central Leite Nilza, cuja captação provém principalmente do sul de Minas e nordeste de São Paulo, na região de Ribeirão Preto, essa queda foi de 15%. Eduardo Dessimoni, presidente da Comissão de Leite da FAEMG confirma essa tendência de queda na produção. Para ele, o principal responsável por essa diminuição de oferta é o nível de preços. Por outro lado, Jacques Gontijo Alvares, vice-presidente da Itambé, diz que a captação de leite da empresa está estável, tendo havido apenas um aumento de 0,3% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior.

Em Minas Gerais os preços pagos ao produtor variam de R$ 0,43 a R$ 0,60. "Apesar da reação que houve, ainda não é um preço que estimule a produção de leite", diz Dessimoni. Conseqüentemente, muitos produtores têm procurado por alternativas que remunerem melhor, como o plantio de soja e milho. "No Rio Grande do Sul, o principal competidor do leite têm sido justamente os grãos. Por causa dos bons preços da soja e do milho, os produtores reduziram a produção leiteira e alguns até sairam da atividade", alerta Krug. É o que vem acontecendo também na Argentina, no Uruguai e na América do Sul, como um todo.

Em Goiás, a situação é diferente. A FAEG registrou um aumento de 10% na captação de leite, mas o economista Edson Novaes explica que esse número deve-se mais ao aumento de produtores nas cooperativas pesquisadas do que a um aumento real na produção, que, segundo ele, deve ficar em torno de 2% nos primeiros 4 meses do ano em comparação ao mesmo período de 2002. De qualquer forma, ele acredita que a tendência é de que haja um aumento na produção, devido à expectativa de melhoria de preços com a entrada da entressafra. "O produtor só vai responder com aumento de oferta se houver aumento de preços. No entanto, se os custos de produção continuarem muito elevados, a tendência será racionalizar, diminuindo os custos para ter uma melhor rentabilidade na atividade".

Custos

Para Alexandre Maia, presidente da Cooperativa Central Leite Nilza, a queda da captação é causada principalmente pelos custos de produção. "Há oito anos atrás, no início do Plano Real, o produtor recebia R$ 0,40 pelo litro de leite. Hoje ele recebe R$ 0,53. Houve uma alta de aproximadamente 30% para o produtor, em valor nominal. Mas, em contrapartida, se ele pagava R$ 200,00 reais uma tonelada de adubo, hoje ele paga R$ 800,00. Da mesma forma, o botijão de gás, o cimento, o óleo diesel subiram 400%. O setor de equipamentos subiu, pelo menos, 50%. A própria ração, que antes custava R$ 8,00 hoje está R$ 18,00. Ou seja, os insumos subiram entre 50% e 400%, enquanto o preço ao produtor subiu apenas 30%".

O câmbio também é um fator importante para o setor. Krug observa que, se o dólar, de um lado, viabiliza as importações de leite em pó, de outro, reduz os custos dos insumos para a agropecuária. Quando houve aumento do dólar, os custos ao produtor subiram em função do aumento de preço dos insumos. "Porém, até agora - com o dólar em queda - nós não tivemos reflexo no preço dos insumos como esperávamos ter, da mesma forma que tivemos quando o dólar estava alto. Os preços estão praticamente nos mesmos níveis", afirma Edson Novaes.

Para Krug, uma das medidas que o setor precisa tomar é elevar os preços ao consumidor. Ao mesmo tempo, ele admite que o baixo poder de compra é um fator limitante nesse processo; nessa situação, os programas sociais adquirem uma relevância ainda maior. "Não podemos agora, em função do consumidor, prejudicar o produtor e vice-versa. É preciso que haja harmonia entre os setores".

Já Rodrigo Alvim, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA, diz que a expectativa da entidade é que a produção de leite cresça este ano. "De acordo com as informações que nós recebemos dos representantes dos Estados, nossa avaliação é de que a produção deve crescer em torno de 4%". De qualquer forma, ele ressalta que, como produção de leite é muito elástica, o cenário econômico e o clima podem interferir, tanto para mais, quanto para menos.

Fonte: Thais de Alckmin Lisbôa, para o MilkPoint
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