Captação de leite no primeiro quadrimestre não anima produtores
Publicado por: MilkPoint
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Em Minas Gerais os preços pagos ao produtor variam de R$ 0,43 a R$ 0,60. "Apesar da reação que houve, ainda não é um preço que estimule a produção de leite", diz Dessimoni. Conseqüentemente, muitos produtores têm procurado por alternativas que remunerem melhor, como o plantio de soja e milho. "No Rio Grande do Sul, o principal competidor do leite têm sido justamente os grãos. Por causa dos bons preços da soja e do milho, os produtores reduziram a produção leiteira e alguns até sairam da atividade", alerta Krug. É o que vem acontecendo também na Argentina, no Uruguai e na América do Sul, como um todo.
Em Goiás, a situação é diferente. A FAEG registrou um aumento de 10% na captação de leite, mas o economista Edson Novaes explica que esse número deve-se mais ao aumento de produtores nas cooperativas pesquisadas do que a um aumento real na produção, que, segundo ele, deve ficar em torno de 2% nos primeiros 4 meses do ano em comparação ao mesmo período de 2002. De qualquer forma, ele acredita que a tendência é de que haja um aumento na produção, devido à expectativa de melhoria de preços com a entrada da entressafra. "O produtor só vai responder com aumento de oferta se houver aumento de preços. No entanto, se os custos de produção continuarem muito elevados, a tendência será racionalizar, diminuindo os custos para ter uma melhor rentabilidade na atividade".
Custos
Para Alexandre Maia, presidente da Cooperativa Central Leite Nilza, a queda da captação é causada principalmente pelos custos de produção. "Há oito anos atrás, no início do Plano Real, o produtor recebia R$ 0,40 pelo litro de leite. Hoje ele recebe R$ 0,53. Houve uma alta de aproximadamente 30% para o produtor, em valor nominal. Mas, em contrapartida, se ele pagava R$ 200,00 reais uma tonelada de adubo, hoje ele paga R$ 800,00. Da mesma forma, o botijão de gás, o cimento, o óleo diesel subiram 400%. O setor de equipamentos subiu, pelo menos, 50%. A própria ração, que antes custava R$ 8,00 hoje está R$ 18,00. Ou seja, os insumos subiram entre 50% e 400%, enquanto o preço ao produtor subiu apenas 30%".
O câmbio também é um fator importante para o setor. Krug observa que, se o dólar, de um lado, viabiliza as importações de leite em pó, de outro, reduz os custos dos insumos para a agropecuária. Quando houve aumento do dólar, os custos ao produtor subiram em função do aumento de preço dos insumos. "Porém, até agora - com o dólar em queda - nós não tivemos reflexo no preço dos insumos como esperávamos ter, da mesma forma que tivemos quando o dólar estava alto. Os preços estão praticamente nos mesmos níveis", afirma Edson Novaes.
Para Krug, uma das medidas que o setor precisa tomar é elevar os preços ao consumidor. Ao mesmo tempo, ele admite que o baixo poder de compra é um fator limitante nesse processo; nessa situação, os programas sociais adquirem uma relevância ainda maior. "Não podemos agora, em função do consumidor, prejudicar o produtor e vice-versa. É preciso que haja harmonia entre os setores".
Já Rodrigo Alvim, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da CNA, diz que a expectativa da entidade é que a produção de leite cresça este ano. "De acordo com as informações que nós recebemos dos representantes dos Estados, nossa avaliação é de que a produção deve crescer em torno de 4%". De qualquer forma, ele ressalta que, como produção de leite é muito elástica, o cenário econômico e o clima podem interferir, tanto para mais, quanto para menos.
Fonte: Thais de Alckmin Lisbôa, para o MilkPoint
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