Bezerras com brincos que piscam: tecnologia ajuda no bem-estar animal

Tecnologia aliada ao bem-estar animal: essa é a proposta dos brincos que piscam. A tecnologia analisa o comportamento das bezerras e compara com parâmetros previamente estipulados. Entenda como funciona os brincos que piscam, aqui.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - Atualizado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 2

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
Os brincos, originalmente usados para indicar status, agora monitoram o bem-estar de bezerras. A tecnologia da MSD Saúde Animal utiliza um LED que pisca quando há desvios no comportamento, indicando possíveis doenças precoces. Essa abordagem tem reduzido a mortalidade de bezerras significativamente, de 23% para 1,75% em uma fazenda em Minas Gerais. Os brincos, adaptados para a fase de aleitamento, ajudam na detecção de doenças e melhoram a produtividade dos animais.

Os brincos são uma invenção humana antiga que, no começo, transmitiam o status e o poder de quem usava. De lá para cá, os conceitos foram mudando e os brincos também foram adotados nos animais, principalmente em bovinos, como forma de identificação.

Há cerca de um ano, eles também passaram a monitorar o bem-estar em bezerras. E com um detalhe: quando a situação não está boa, eles piscam. 

Figura 1Foto: MSD Saúde Animal/Divulgação

A proposta do SenseHub Dairy Youngstock é alertar os criadores de forma preventiva. A tecnologia da MSD Saúde Animal analisa o comportamento das bezerras e compara com parâmetros previamente estipulados.

Continua depois da publicidade

A ideia é que os brincos, que têm um LED, acendam quando houver uma diferença nesses padrões de comportamento. Quando há um desvio desses indicadores, as chances de ser o início de uma doença são grandes.  “A tecnologia do brinco, pensando nas bezerras, trabalha para auxiliar o olhar da mudança comportamental do animal com antecedência. E, por isso, a gente consegue ser mais assertivo até antes mesmo da apresentação de um sinal clínico, de uma diferença comportamental desse animal, pensando num tratamento precoce”, comenta a médica veterinária e gerente técnica de Soluções Tecnológicas para Ruminantes da MSD Saúde Animal, Brenda Barcelos. 

Ela explica que os brincos podem ser usados desde o primeiro dia de vida do animal. O grande diferencial para isso são os algoritmos que conseguem fazer esse acompanhamento na parte inicial da vida das bezerras, a chamada etapa de aleitamento – em média dura 75 dias. 

“São olhares diferentes, em que a tecnologia capta, num primeiro momento, o comportamento do animal no sentido de movimentação, em relação à sucção, ou seja, a voracidade da mamada para trazer sanidade para o animal”, explica. Ela também conta que o brinco acompanha até os 12 meses iniciais da bezerra, e os parâmetros vão mudando com o passar do tempo, já que depois há a etapa de desmame e a ingestão de alimentos sólidos. 

Diminuição da mortalidade 

Como a veterinária comenta, a forma de medir a felicidade animal é o bem-estar, e animais com um padrão de bem-estar constante tendem a viver mais. Por isso, um dos resultados que a empresa tem observado com os brincos é uma redução na mortalidade dessas bezerras, já que, nessa fase de formação, elas são mais sensíveis a enfermidades. “Basicamente, quando eu antecipo a doença e trabalho com ela mais branda, o animal sente menos e ele recupera mais rápido. Então, a chance de eu perder esse animal é muito menor”, acrescentou Barcelos. 

Continua depois da publicidade

Ela cita o exemplo de uma fazenda em Minas Gerais que implementou os brincos. “Ela passou de uma mortalidade de bezerras de 23%, entre agosto de 2023 e julho de 2024, para 1,75% de agosto de 2024 a março de 2025, quando fizeram a aquisição para as bezerras”.

Inspirado em celulares

O sistema de sensores utilizado nos brincos é o mesmo que alguns celulares têm. “É o sistema que, quando a gente vira a tela do celular, ele acende a tela para nós”, esclarece. Aliado a isso, há algoritmos que ajudam a fazer a leitura do comportamento animal. 

A tecnologia já era usada em vacas adultas, mas nas bezerras a barreira era a particularidade do ciclo biológico, já que, nos primeiros meses, não há uma alimentação sólida, só à base de leite. Além disso, foi preciso adaptar para mapear sintomas de doenças típicas na fase inicial dos bovinos, como a diarreia e doenças respiratórias. 

Apesar de ser uma ferramenta útil de monitoramento, a veterinária pondera que é importante ter um acompanhamento profissional para concretizar o diagnóstico. “A sintomatologia das doenças pode ser a mesma. Então, o brinco analisa a alteração do comportamento e gera o alerta, nos dizendo que esse animal está diferente em relação a ele mesmo e que é preciso examiná-lo”.  

Além disso, ela indica que o custo de prevenção pode trazer uma economia para o negócio, além de criar animais mais produtivos. “Os produtores têm começado a olhar para essa fase, que antigamente não era tão vista, já que ela garante o futuro da fazenda”, destacou Barcelos.

As informações são do Estadão, adaptadas pela equipe MilkPoint.

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 2

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?