Argentinos temem novas tarifas

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O aumento das exportações de lácteos argentinas iniciou-se em meados dos anos 90 e, a partir daí, o crescimento desse setor foi muito grande. Entre 1994 e 1995, as vendas de leite argentino ao exterior dobraram, passando de US$126 milhões para US$250 milhões. É o que informa reportagem de Sérgio Manaut, publicada hoje na Gazeta Mercantil Latino Americana.

"O Brasil representou um papel muito importante nesse crescimento já que, historicamente, o país sempre teve uma produção leiteira deficiente, incapaz de cobrir a demanda interna", informa o Centro de Estudios Bonaerense (CEB). Segundo dados fornecidos pela entidade, o Brasil é responsável pela compra de mais de 70% do leite comercializado pela Argentina em todo o mundo.

Contudo, a provável intenção do governo brasileiro de taxar o ingresso de produtos lácteos da Argentina, "decisão que colocaria em situação de desvantagem grande número de empresas produtoras argentinas que têm o Brasil como principal destino externo de suas produções", segundo o CEB, vem preocupando bastante os argentinos. Entretanto, essa medida, que ainda depende da aprovação do Ministério da Fazenda do Brasil, não afeta a todas as companhias lácteas, apenas as mais importantes, com exceção da Parmalat.

Caso a Fazenda brasileira aprove a nova política tarifária, empresas como a Mastellone/La Sereníssima, SanCor, Nestlé, Milkaut, Molfino, Williner e Verónica veriam enfraquecer o seu faturamento anual.

As barreiras que o Brasil poderia levantar complementariam um quadro que já está complicado. Segundo a CEB, no primeiro semestre de 2000 a província de Buenos Aires, que ao lado de Córdoba e Santa Fe forma a maior bacia leiteira da América do Sul, exportou US$37,3 milhões em lácteos, isto é, um valor 30% menor em relação ao comercializado no mesmo período de 1999.

Essa queda é explicada pela menor produção de leite, devido à baixa dos preços internacionais, "que levou muitos produtores do setor a abandonarem a atividade", revela a CEB. Entre 1995 e 2000, as empresas lácteas investiram US$286 milhões na província de Buenos Aires, US$189 milhões dos quais correram por conta da francesa Danone.

Em segundo lugar está a SanCor, com US$35 milhões. A italiana Parmalat vem a seguir, já que desembolsou US$30 milhões. Já a chilena Santa Catalina comprou, em 1995, 60% da La Suipachense, por US$3 milhões.

Tabela


Por Sérgio Manaut, para Gazeta Mercantil Latino Americana, 29/01/01
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