Os empresários do setor de lácteos de Santa Fe, na Argentina, a bacia leiteira mais importante da América Latina, classificaram como "razoável" o acordo feito entre o Brasil e a Argentina de fixação de um preço mínimo de leite em pó, para evitar a fixação de tarifas anti-dumping nos leites argentinos vendidos para o Brasil.
Porém, os empresários advertiram que deverá ocorrer um período de adaptação conjunta entre ambos os países a fim de que seja assegurado que o conflito tenha realmente chegado ao fim. "Aceitamos isso porque chegou-se a uma conclusão à partir de uma oferta que fizemos às indústrias, mas advertimos o risco que isso significa em determinados meses do ano, quando o valor mínimo não pode ser cumprido", disse Luis Jullier, presidente da Milkaut.
Para Alfredo Williner, da companhia Williner, que comercializa a marca Llolay, o acordo "não é de todo satisfatório", apesar de ter reconhecido que o entendimento "pelo menos põe um ponto final em uma situação de bastante risco", enfrentada pelas empresas acusadas pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom) do Brasil, por praticar o dumping nas vendas de leite em pó. "Os valores mínimos dependem sempre do mercado mundial. Se nós, em algum momento, não pudermos cumprir esse valor, então teremos que sair desse mercado", disse Jullier.
Alejandro Galetto, da SanCor, disse que o acordo gerará uma situação de incerteza muito forte, porque nem a indústria argentina nem a brasileira estão preparadas para resolver a comercialização do leite com preços mínimos.
Williner disse que "por hora" esse preço mínimo fixado entre os governos de ambos os países não traz nenhum prejuízo palpável, devido ao fato de os preços internacionais estarem em torno desses valores, e presume-se que permanecerão estáveis. "Mas caso esses preços se modifiquem, como ocorreu no ano passado, quando esses oscilavam entre US$1,6 mil por tonelada, ficaríamos impossibilitados de cumprir o valor mínimo", disse.
Finalmente, Jullier admitiu: "o que sabemos é que durante os próximos três anos teremos que fazer bem os nossos deveres".
Vale lembrar que o Brasil ameaçou penalizar as firmas argentinas com tarifas anti-dumping, que poderia chegar até a 46%. Para avaliar o quanto estava em jogo, basta dizer que entre janeiro e novembro de 2000, o setor lácteo argentino exportou 70% do total de suas exportações ao mercado brasileiro.
fonte: La Nación, por Equipe MilkPoint
Argentinos pedem cautela no pacto com o Brasil
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