O Governo argentino decidiu no dia 1 de fevereiro aumentar as tarifas para produtos lácteos importados de países de fora do Mercosul, de 19 para 27%, chegando ao mesmo nível do Brasil. Também, segundo Antonio Berhongaray, secretário da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação da Argentina, também houve um aumento nas tarifas de importação de carne de suínos, para 34,5%.
A intenção do governo argentino com essa medida é apaziguar as relações com o Brasil, que se tornaram tensas depois das denúncias de dumping feitas pelo governo brasileiro, contra nove empresas líderes argentinas. "Ajuda a resolver o problema do dumping, mas não é a solução final, que poderia vir na semana que vem, com a aplicação do sistema de bandas de preços mínimos", explicou Berhongaray.
A tarifa extra-Mercosul incluia 300 posições e reduziram-se a 100 logo após a última reunião feita com os presidentes em Florianópolis. "Há muito boas relações com os membos brasileiros, o que vai colaborar para que se chegue a um acordo", disse o secretário da agricultura argentino. O conflito gerou-se em dezembro do ano passado, quando o Brasil denunciou algumas empresas argentinas por terem praticado dumping. Caso não se chegue a um acordo, a tarifa pode alcançar o valor de 46%, para algumas firmas argentinas.
Produtores de leite correm contra o tempo
Os produtores de leite do Brasil e da Argentina tentaram fechar um acordo de preço mínimo para o produto em pó argentino, vendido ao mercado brasileiro para evitar a aplicação de medidas anti-dumping pelo Brasil. Porém, o acerto não saiu. É o que informa reportagem de Claúdia Mancini, Hamilton Almeida e Uncas Fernández, publicada hoje na Gazeta Mercantil Latino Americana.
Os brasileiros querem um valor que garanta ao produtor de leite líquido uma receita superior a cerca de US$0,24 por litro. Detalhes da negociação não foram revelados. Uma proposta dos argentinos foi recusada, de forma que eles deveriam responder à contraproposta do Brasil até sexta-feira. Os argentinos, então, pediram mais tempo, uma vez que a expectativa era de a resposta ser dada no início desta semana. O Brasil deverá anunciar o anti-dumping, sobre o processo em andamento, até o próximo dia 23.
Caso não haja acordo, o setor argentino pedirá o envio do caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), e a tribunais. O Uruguai também afirmou que, caso, sejam aplicadas medidas anti-dumping contra o país, esse também recorrerá à OMC.
Por Claúdia Mancini, Hamilton Almeida e Uncas Fernández, para Gazeta Mercantil Latino Americana, 05/02/01, e redação Infortambo
Argentina eleva tarifas para importação de leite para aliviar conflito com Brasil; impasse continua em relação aos preços mínimos
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