A projeção, no entanto, ainda está condicionada ao comportamento do clima e, principalmente, aos possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre as fazendas e a disponibilidade de alimentos. Com a aproximação da primavera, período em que normalmente ocorre aumento sazonal da produção de leite no país, a atenção também se volta para a capacidade das indústrias de receber e processar esse volume adicional.
Plantas voltam a operar
Uma das estratégias mencionadas por Alconada é recuperar instalações industriais que estavam paralisadas. O diretor citou o caso da Sudamericana Láctea como exemplo de retomada de uma estrutura que permanecia inativa.
A preocupação é que o aumento da oferta de leite encontre capacidade suficiente de processamento, evitando que a indústria se transforme em uma limitação para o crescimento da produção. Segundo Alconada, algumas dessas plantas que retomaram suas atividades já estão buscando ampliar a captação de matéria-prima. “Agora estamos ajudando-os a conseguir leite para processar, porque são plantas que querem crescer”, afirmou o diretor.
SanCor e Verónica entram na discussão
A situação de duas conhecidas empresas do setor leiteiro argentino também faz parte desse movimento. Segundo Alconada, a Secretaria de Agricultura mantém reuniões com diferentes atores para buscar alternativas relacionadas às plantas da SanCor e Verónica. O objetivo declarado é recuperar parte da capacidade industrial disponível e impedir que limitações no processamento dificultem a expansão da produção. As negociações envolvem empresas privadas e representantes dos trabalhadores, além de articulações para garantir fornecimento de leite às unidades que retomem ou ampliem suas atividades.
Mais produção na primavera aumenta o desafio
A questão ganha importância justamente neste momento do ano. Com a chegada da primavera argentina, a produção de leite tende a aumentar sazonalmente, elevando também a necessidade de processamento industrial. Por isso, produção e capacidade industrial aparecem como dois desafios interligados para os últimos meses de 2026. Enquanto as condições climáticas podem determinar quanto leite chegará aos tanques, a disponibilidade das plantas ajudará a definir a capacidade da cadeia de absorver essa matéria-prima.
Tecnologia também avança dentro das fazendas
Ao mesmo tempo em que tenta recuperar capacidade industrial, a cadeia leiteira argentina registra investimentos em modernização dentro das propriedades. As declarações de Alconada foram feitas durante a inauguração da Jersey+, propriedade da família Dalmasso, localizada em María Juana, na província de Santa Fe.
O estabelecimento tornou-se a primeira fazenda robotizada da raça Jersey na Argentina. A propriedade utiliza sistemas de ordenha robotizada e instalações do tipo freestall. Para Alconada, experiências desse tipo também colocam em evidência outro desafio para o setor: ampliar o acesso ao financiamento para que produtores de diferentes escalas consigam investir em tecnologia. O governo argentino analisa instrumentos voltados a pequenos e médios investimentos capazes de melhorar tanto a eficiência produtiva quanto as condições de trabalho nas propriedades leiteiras.
Produzir mais é apenas parte da equação
A Argentina chega aos últimos meses de 2026 com perspectiva de crescimento da produção, mas o cenário apresentado por Alconada mostra que ampliar a oferta de leite é apenas uma parte da equação. Indústria disponível para processar a matéria-prima, financiamento para modernizar as propriedades e condições climáticas favoráveis serão fatores importantes para determinar como o setor atravessará o período de maior produção da primavera.
Nesse contexto, a recuperação de plantas industriais paralisadas ganha uma função estratégica: criar capacidade para que o crescimento da produção não encontre um gargalo justamente depois que o leite sai da fazenda.
As informações são do El Litoral, adaptadas pela equipe MilkPoint.
Vale a pena ler também:
Argentina e Uruguai ampliam espaço e já concentram 4,3% do comércio mundial de lácteos
Nestlé reforça estratégia em nutrição diante do avanço dos medicamentos GLP-1