'A Argentina poderia produzir três vezes mais leite', afirma cofundador da Adecoagro

Segundo Mariano Bosch, a Argentina teria capacidade para produzir três vezes o volume de leite que produz atualmente, mas não consegue transformar esse potencial em crescimento.

Publicado por: MilkPoint

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A Argentina possui potencial para triplicar sua produção de leite, mas enfrenta estagnação e baixa competitividade no setor. Mariano Bosch, da Adecoagro, destaca a importância de agregar valor na agroindústria e explorar oportunidades, como a demanda por proteína do soro. Ele defende uma indústria láctea eficiente e a necessidade de relações comerciais estáveis para exportação. Além disso, a energia competitiva é crucial para o desenvolvimento do setor, visando maior produção e empregos.
A Argentina teria capacidade para produzir três vezes o volume de leite que produz atualmente, mas não consegue transformar esse potencial em crescimento da atividade. A avaliação é de Mariano Bosch, cofundador da Adecoagro, que apontou a estagnação da produção e a necessidade de aumentar a competitividade da cadeia para que o país consiga avançar no mercado internacional.

Durante uma conversa sobre os motores de crescimento da economia argentina realizada na prévia do Colóquio IDEA 2026, em Mar del Plata, Bosch defendeu que o agronegócio seja visto para além da produção de matérias-primas. Para ele, é necessário pensar em agroindústria e na capacidade de transformar a produção agrícola em produtos de maior valor agregado. O debate reuniu Bosch, Fabián Kon, CEO do Grupo Financiero Galicia e presidente do Colóquio IDEA 2026; Esteban Domecq, economista e diretor da consultoria Invecq; e Ignacio Costa, gerente-geral da Rio Tinto na Argentina.

Ao discutir o papel da agroindústria no desenvolvimento econômico do país, Bosch escolheu justamente a cadeia leiteira como um dos principais exemplos de um potencial que, em sua avaliação, permanece pouco explorado. “A Argentina tem capacidade para produzir três vezes a quantidade de leite que produz atualmente”, afirmou Bosch.

Segundo o empresário, apesar desse potencial, a produção argentina permanece praticamente no mesmo patamar há cerca de três décadas. “Há 30 anos produzimos a mesma quantidade de leite”, disse Bosch, que apresentou a situação como uma de suas grandes frustrações em relação ao desenvolvimento da agroindústria argentina.

Proteína do soro como oportunidade

Na avaliação de Bosch, uma das oportunidades para a expansão da cadeia está no crescimento da demanda mundial por proteínas. O empresário chamou atenção especialmente para a proteína do soro, obtida a partir do processamento industrial do leite. Segundo ele, mudanças relacionadas à alimentação, à saúde e ao consumo de produtos proteicos criam oportunidades para esse mercado.

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Para Bosch, essa demanda ajuda a mudar a própria lógica de agregação de valor dentro da cadeia. Ele argumentou que a produção de queijos também pode estar associada à obtenção de proteínas do soro destinadas ao mercado internacional. A partir dessa visão, o cofundador da Adecoagro afirmou que a Argentina poderia ampliar significativamente sua presença no mercado externo. “Nós podemos ser o principal exportador e, com isso, a Argentina produziria três vezes mais leite”, afirmou Bosch durante a conversa. Na avaliação dele, uma expansão dessa magnitude teria efeitos que iriam além do volume produzido: significaria também mais tambos, mais vacas e maior geração de empregos no interior do país.

Para crescer, indústria precisa competir com o mundo

Bosch também relacionou o potencial da produção de leite à necessidade de desenvolvimento da indústria láctea argentina. Segundo ele, o crescimento não deveria estar baseado apenas no atendimento ao mercado doméstico. A cadeia precisaria estar preparada para vender seus produtos internacionalmente. “Se nós não conseguimos vender queijos para todo o mundo, temos um problema”, afirmou.

Para isso, Bosch defendeu uma indústria mais eficiente, tecnificada e robotizada. Em sua avaliação, o aumento da produtividade industrial permitiria gerar empregos de maior qualidade, mas esse processo precisaria ser acompanhado pelo crescimento da própria cadeia. Na visão do empresário, portanto, a estratégia não seria apenas melhorar a eficiência mantendo o tamanho atual do setor, mas ampliar a escala da produção e da industrialização.

Previsibilidade nas exportações

Outro ponto levantado por Bosch foi a necessidade de manter relações comerciais de longo prazo com compradores internacionais. O empresário citou especificamente o leite em pó para argumentar que interrupções ou restrições às exportações dificultam a construção desses mercados.

Segundo Bosch, quando uma empresa conquista um cliente internacional, precisa ter condições de manter o fornecimento. Para ele, políticas que impedem ou restringem a exportação de leite em pó comprometem essa continuidade comercial. Ele relacionou esse cenário ao desempenho da produção leiteira argentina nas últimas décadas, defendendo uma estratégia voltada à competição internacional e ao longo prazo.

Energia competitiva também entra na conta

Bosch também apontou a energia como uma peça importante para que a Argentina consiga ampliar a industrialização do leite. Segundo ele, processos como a fabricação de leite em pó e o processamento de ingredientes proteicos demandam energia e, por isso, a disponibilidade energética a preços competitivos pode favorecer o desenvolvimento da cadeia no interior do país. Para o empresário, a oportunidade está justamente em integrar produção agropecuária, indústria e exportação.

Bosch resumiu essa lógica ao comparar a venda de commodities agrícolas com a possibilidade de transformar milho e soja em produtos lácteos de maior valor agregado. Na avaliação do cofundador da Adecoagro, destravar esse potencial permitiria à Argentina não apenas produzir mais leite, mas ampliar a industrialização, acessar mercados internacionais e gerar mais atividade econômica e empregos nas regiões produtoras.

As informações são do La Nación, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.

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