Argentina: Análise na conjuntura do setor de lácteos

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Figura 1
Fontes: (1) Direção da Indústria Alimentícia - (SAGPyA).
(2) Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC).
(3) Aduana-AFIP.
* Comparação das médias diárias.
* Média ponderada = total US$ FOB / total ton.
*** Média móvel centralizada de 3 meses.
Dados provisórios.


Produção primária e industrial

A entrega de matéria-prima às fábricas, estimativa indireta da produção primária de leite, registrou em julho um aumento interanual de 2,6%, o que constitui seu vigésimo primeiro aumento interanual consecutivo (ver gráfico 1). Desta maneira, estima-se que o volume acumulado nos primeiros sete meses de 2005 foi 4,5% maior que o correspondente ao mesmo período de 2004.

Apesar das variações interanuais durante o ano de 2005 terem sido sempre positivas, nos últimos três meses se detectou uma tendência de desaceleração: após o pico de crescimento interanual de 6,7% em abril, foram registradas taxas sucessivas de 6,4% em maio, 4% em junho e 2,6% em julho.

Segundo o Estimador Mensal Industrial (EMI) elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC), a indústria de lácteos registrou no período de janeiro a julho de 2005 um aumento acumulado no nível de atividade de 7,4% com relação ao mesmo período do ano anterior, valor bem maior que o citado anteriormente e surgido da amostra da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA). A expansão do EMI em lácteos superou o aumento de 4,4% verificado na indústria alimentícia como bloco, apesar de ter sido inferior à observada nas categorias.

Gráfico 1: Estimativa da produção de leite da Argentina

Figura 2

A importante recuperação observada na recepção total de leite se explica, exclusivamente, pela expansão na produção de área por propriedade leiteira, que compensou a diminuição no número de propriedades (ver gráfico 2). De fato, entre janeiro e julho de 2005, a quantidade de fazendas leiteiras mostrou permanentes reduções interanuais, apesar das taxas geralmente decrescentes, que ficaram em média em 2,3% nesse período; enquanto a produção de área por propriedade ficou em média para os sete primeiros meses 6,9% superior ao mesmo período de 2004.

Gráfico 2: Recepção total de leite, No de propriedades leiteiras e produção diária por propriedade. Base Janeiro 2001 = 100

Figura 3

Essa evolução na recepção total de leite está relacionada ao desempenho verificado nos estabelecimentos. De fato, após o máximo aumento interanual registrado em abril, com entregas médias diárias por propriedade apresentando uma alta de 9,4%, os dados de maio, junho e julho evidenciaram uma trajetória decrescente, apesar dos aumentos de 8,5%, 6% e 4,5%, respectivamente, com relação aos mesmos meses do ano anterior.

Essa desaceleração do ritmo de crescimento era previsível uma vez que as taxas de dois dígitos que predominaram durante grande parte do ano passado eram difíceis de serem sustentadas à medida que a base de comparação se deslocava aos meses de melhor desempenho produtivo. De fato, de acordo com os dados do Centro da Indústria Leiteira (CIL) nos primeiros sete meses de 2005 o aumento da produção constante na propriedade leiteira foi de 6% com relação ao mesmo período do ano anterior, uma taxa que contrasta fortemente com o aumento de 20% verificado entre 2004 e 2003.

A isso se deve somar o impacto negativo das condições de seca registradas sobre algumas bacias leiteiras, como o sudoeste de Santa Fé, oeste de Córdoba, La Pampa e sudoeste de Buenos Aires.

Como referência da situação do setor primário, pode-se afirmar que em julho de 2005 as indústrias "indicadoras" (15 empresas sobre cuja base se estima a tendência da produção primária nacional), receberam em média 14,55 milhões de litros diários, provenientes de 6,30 mil produtores, enquanto que no ano anterior, a captação média era de 14,19 litros diários produzidos por 6,423 mil fazendas.

É fundamental esclarecer que esta redução no número de propriedades leiteiras da amostra, pode ser devido à combinação de duas causas: o fechamento definitivo de estabelecimentos e os "passes" para indústrias que não fazem parte da amostra, com preços ou prazos de pagamentos mais convenientes ao produtor, ou com menores exigências à qualidade do leite.

Como informação complementar vale acrescentar alguns dados elaborados pelo CIL com base nos dados enviados por 14 indústrias. A comparação acumulada (janeiro a julho de 2005 vs. janeiro a julho de 2004) mostra um aumento de 6,3% na recepção de matéria-prima (entrada total de leite nas fábricas, que considera também as entradas e saídas de propriedades); e de 6% quando se mede em termos de produção constante por propriedade (que se calcula comparando a produção das propriedades que entregaram em um determinado período e que também entregaram no período base, ou seja, que exclui do cálculo as entradas e saídas de propriedades).

As considerações anteriores são sintomáticas de uma melhoria sustentada das condições gerais em que se desenvolve a atividade leiteira com relação às condições de dois anos atrás. Para apoiar esta afirmação, no gráfico 3 se apresentam duas relações muito utilizadas no setor: a relação leite/soja - que marca a competição pelo uso da terra como principal cultivo do país - e por outro a relação leite/milho - um interessante indicador de preço relativo de uns dos principais insumos da atividade.

Gráfico 3: Relações leite-soja e leite-milho

Figura 4

Do gráfico se conclui que:

A relação leite/soja média para os primeiros sete meses de 2005 ficou 36% acima da média de janeiro a julho de 2004, uma evolução que se explica principalmente pela deterioração na cotação da soja - a média de 2005 foi 23% menor - e, em menor medida, pelo aumento do preço médio do leite, que teve uma alta de 6% com relação a 2004.

O mesmo ocorreu com a relação leite/milho, cuja média para janeiro a julho de 2005 (2,52) superou em 38% à observada no mesmo período de 2004 (1,82). Neste caso também o principal determinante da mudança foi a redução de 23,5% no valor do milho. Em março de 2005, a relação ultrapassou a linha de 2,5 a 1, um fenômeno sem antecedentes até janeiro de 1992.

Além das evoluções estacionais próprias de cada produto, que normalmente implicam que com o avanço da primavera ambos os índices acusem certa deterioração relativa devido à tonificação estacional dos preços dos grãos e, simultaneamente à queda nos valores do leite por causa dos principais determinantes do mercado, espera-se que ambas as relações se tornem levemente menos favoráveis para a atividade leiteira, mas sempre em um cenário muito promissor.

Até setembro de 2005, as informações provenientes das principais usinas indicavam para agosto de 2005 entradas diárias de matéria-prima aproximadamente 8% e 4% superiores às do mês anterior e às do ano anterior, respectivamente.

Esses resultados sugerem a reversão da tendência de desaceleração marcada anteriormente e abrem à possibilidade de que a magnitude dos aumentos interanuais mês contra mês, e em conseqüência a dos acumulados, vá aumentando conforme avance a segunda metade do ano, de forma que o crescimento para todo o ano de 2005 fique entre 5% e 7%.

No que se refere ao preço da matéria-prima, vale destacar que, segundo o "preço do leite cru informado pela indústria", elaborado pelo Programa Nacional de Política Leiteira, o preço médio pago em julho de 2004 - expresso em valores atuais - foi 20,4% superior ao valor do mesmo mês de 2004 e ficou em 53,76 centavos de peso (18,31 centavos de dólar) por litro (ver gráfico 7). Este foi o quinto aumento interanual consecutivo, após 10 variações negativas seguidas que se estenderam entre maio de 2004 e fevereiro de 2005. Em comparação com o mês anterior, o preço de julho apresentou uma recuperação de 2,3% e, após oito altas sucessivas, acumulou um aumento de 26% com relação ao nível mínimo de 2004, registrado em novembro último.

Gráfico 4: Margens relativas da Indústria (M. Interna* e Externa**) e da comercialização varejista ***. Base Janeiro 1998 = 100

Figura 5

Algumas consultas efetuadas em empresas industriais de ponta de referência permitiriam afirmar que o preço pago em agosto de 2005 teria sido, a valores atuais, entre 2% e 3% inferiores ao do mês anterior, o que seria o final de um período positivo registrado anteriormente. No entanto, o valor de agosto se manteria cerca de 20% acima do valor do mesmo período do mês anterior.

Após a etapa de redução relativa de preços ao produtor primário tanto frente aos valores na saída da fábrica como aos de exportação - que no gráfico 4 se evidencia através do aumento das margens da indústria durante boa parte de 2004 - a partir de janeiro último se observou uma recomposição estacional sustentada e muito mais marcada que a ocorrida no começo de 2004. De fato, entre dezembro de 2004 e julho de 2005, a margem relativa da indústria pela colocação dos produtos nos mercados interno e externo - ao contrário da situação do produtor - acumulou queda de 16% e 17%, respectivamente. A margem no mercado doméstico alcançou um valor de 71,2 que se constitui o nível mais baixo da série iniciada em 1998.

Na comparação interanual acumulada das margens relativas da indústria se observou que os níveis médios do período de janeiro a julho de 2005 ficaram 2,3% abaixo e 0,5% acima para o interno e externo, respectivamente.

Por outro lado, na comparação entre julho de 2005 e julho de 2004, observou-se que a magnitude do valor interanual do preço ao produtor foi entre três e quatro vezes superiores à registrada pelos valores atacadistas e varejistas (cerca de 20% versus 5% e 7%, respectivamente. Este fenômeno começou a ocorrer em abril deste ano e, desde então, tem se intensificado (ver gráfico 7).

Com relação a isso, é necessário fazer um esclarecimento de ordem metodológica. Como o INDEC realiza o segmento dos preços de uma cesta de produtos de marcas líderes, que são os que menos flutuam em termos relativos, é provável que os índices atacadistas e varejistas "subestimem" os aumentos dos lácteos em seu conjunto.

Quanto às perspectivas de preços ao produtor para esta primavera, as principais variáveis parecem confluir a um cenário com baixas moderadas com relação aos valores de agosto.

Entre os principais motivos desta provável evolução pode ser citado a persistência de um excesso entre a oferta e a demanda agregadas (ver gráfico 5) com uma lenta recuperação da demanda; além disso vale agregar que, com relação à demanda, a continuidade da reativação do consumo interno leva à previsão de poucas mudanças nos preços dos produtos elaborados e o proeminente papel da exportação como fator de equilíbrio dos preços ao produtor, considerando a firmeza do mercado internacional.

A demanda externa e sua influência na formação de preços merecem uma consideração à parte. Confirmando o impulso exportador iniciado em 2004, nos primeiros sete meses de 2005, o volume exportado - em litros equivalentes - apresentou um aumento de 16,5% com relação ao mesmo período do mês anterior, que em um contexto de moderada expansão da produção interna, determinou que a produção exportada ficasse 2,2% superior à registrada um ano atrás (22% vs. 19,8%).

Situação do Mercado Interno

Comparando-se o balanço entre oferta e demanda agregada (oferta agregada = estoque inicial disponível + produção + importações; demanda agregada = consumo interno + exportações), em litros equivalentes de leite, dos primeiros sete meses de 2005, com o mesmo período do mês anterior, observa-se o seguinte:

Em um contexto marcado pela persistência de um excesso de oferta agregada, a redução média da ordem de 20% da distância entre essa e a demanda, com relação à registrada em 2004 (ver gráfico 5),

Do lado da oferta, apesar das quedas de 14% e 49%, respectivamente, nas existências iniciais e nas exportações, o aumento de 4,5% na produção - seu principal componente - acabou mostrando um aumento de 2,4% na oferta agregada do período;

No entanto, a demanda agregada foi 4,8% superior, impulsionada fundamentalmente pela forte expansão de 16,5% nas exportações, que se combinou com uma recuperação de 1,7% no consumo interno;

Em conseqüência, os estoques finais de julho de 2005 foram 20% menores que os de um ano atrás e 15% inferiores aos níveis iniciais de 2005.

Gráfico 5: Oferta e demanda agregadas de lácteos

Figura 6

A partir desta análise, poderia se afirmar que dos 200 milhões de litros de produção adicional obtidos até agora em 2005 com relação a 2004, 75% se destinou à exportação e o resto foi absorvido pelo mercado doméstico.

Precisamente no mercado interno, estima-se que o consumo total acumulado nos primeiros sete meses de 2005 ficou em cerca de 1,7% e 8,5% acima dos observados no mesmo período de 2004 e 2003, respectivamente. No entanto, esse valor é 11,5% menor ao nível alcançado no período de janeiro a julho de 2001 (ver gráfico 6).

Gráfico 6: Evolução do consumo interno total
Base JAN 99 = 100


Figura 7

A trajetória do consumo interno total (neste caso analisado através das médias móveis trimestrais), evidência que, após o estancamento observado entre novembro de 2004 e fevereiro de 2005, a partir de março as variações interanuais adotaram sinais positivos, exceto em maio. A média móvel de julho deste ano foi 8% superior ao do mesmo mês do ano anterior.

Gráfico 7: Índices de preços do sector lácteo, em pesos

Figura 8

Nota ao gráfico: As curvas de preços atacadistas e varejistas de produtos elaborados apresentadas aqui possivelmente subestimam o processo inflacionário iniciado em 2002, já que o INDEC não incorpora à sua cesta as 2ª e 3ª marcas, que foram as que mais aumentaram.

Preços

Entre dezembro de 2004 e julho de 2005, os preços dos produtos lácteos aumentaram 9,3% e 5,4% a nível varejista e atacadista, respectivamente (ver gráfico 7). Em ambos os casos, mas principalmente a nível do consumidor, as altas estiveram acima da inflação a Nível Geral (que no mesmo período foi de + 7,2% e 5%, respectivamente).

Entre os lácteos, os maiores aumentos varejistas acumulados até julho foram verificados, em ordem decrescente, em: queijos semi - duros, queijos macios e em pasta e queijos duros, com altas de 15-20%; leite em pó, leite fluido, manteiga e creme, com taxas que flutuaram entre 5% e 10%. Os únicos produtos que apresentaram queda foram iogurte e sobremesas lácteas (ver gráfico 8).

Apesar de alguns altos e baixos - logicamente sempre mais tênues que os observados a nível atacadista - a margem relativa da comercialização varejista apresentou durante 2003/2004 uma trajetória levemente declinante, que finalizou com um valor mínimo de 88,4 em dezembro último. Desde então, e possivelmente impulsionado pela consolidação de uma melhor situação econômica ao menos em alguns extratos de consumidores, verificou-se uma recuperação da ordem de 5% até julho (ver gráfico 4). Na comparação interanual da margem relativa se verificou que os níveis médios do período de janeiro a julho de 2005 ficaram 1% acima dos correspondentes aos sete primeiros meses de 2004.

A comparação interanual (julho de 2005 contra julho de 2004) dos índices de preços mostra uma alta dos valores na saída da fábrica da ordem de 5%, mais moderada que a verificada no nível de preços ao consumidos, que foi de cerca de 8,5%. Com relação a este último valor, no gráfico 8 se observa que o aumento a nível varejista registrado entre julho de 2004 e julho de 2005 na categoria de "Produtos Lácteos" foi inferior ao verificado no segmento "Alimentos para consumir no local" (+ 9,4%) e a "Nível Geral" (+ 9,6%).

No detalhe por grupo de produtos, e em um contexto marcado pelos aumentos, destacam-se os aumentos nas três categorias de queijos, com taxas que flutuaram entre 12% e 16% com relação ao ano anterior.

Continuando na frente varejista, a informação provisória de agosto de 2005 parece consolidar a tendência ascendente nos preços. Segundo dados do INDEC, o Índice de Preços ao Consumidor da Grande Buenos Aires (IPC GBA) dos "Produtos Lácteos" mostrou um aumento de 3,3% com relação ao mês anterior, o segundo em magnitude até agora neste ano. Esta variação superior as altas de 1,5% e 0,4% registradas em "Alimentos para consumir no local" e no "Nível Geral", respectivamente. Os aumentos mais significativos ocorreram em iogurte cremoso (9%), queijo pategrás (5,3%) e leite fresco (3,5%).

Gráfico 8: Variações dos preços ao consumidor
Jul '05 vs. Jul '04 e Jul '05 vs. Dez '04 (em %)


Figura 9

Os preços atacadistas apresentaram um panorama similar ao descrito para os preços varejistas, tanto na comparação interanual para o mês de julho, como na efetuada entre julho de 2005 e dezembro do ano anterior. Na análise interanual se verificam 19 aumentos entre os 23 artigos lácteos especificados pelo INDEC (com aumentos entre 10-15% para os queijos mais vendidos); porém no segundo caso se observa 21 variações positivas e taxas mais elevada.

Entre os produtos mais representativos se destacam os aumentos em queijo para sanduíche (+ 15%), queijo mussarela (+14%), queijo port salute, iogurte integral, queijo pategrás e leite em pó integral (+ 11% aproximadamente em todos os casos). Vale destacar que os preços considerados aqui são os publicados pelo INDEC, que apesar de servirem para marcar uma tendência dos preços internos, representam melhor a realidade dos produtos de marcas e empresas líderes, de alcance nacional e não das pequenas e médias empresas lácteas regionais.

Vendas da indústria

Sobre a base da pesquisa efetuada em uma amostra representativa de empresas industriais, estima-se que em julho de 2004 as vendas no mercado interno (em toneladas) foram 6,5% superiores às do ano anterior (ver gráficos 9 e 11). Esse aumento completa uma série de 20 meses de variações interanuais positivas, que teve início em dezembro de 2003.

A recuperação de pouco mais de 6% registrada nas vendas de "leites fluidos" se combinou com o aumento de 9% observado nas correspondentes à categoria "produtos". Na comparação interanual para o mês de julho, sete das 10 categorias analisadas conseguiram superar os níveis de vendas do ano anterior e quatro delas com taxas superiores a 10%. Em termos percentuais, os crescimentos mais significativos ocorreram em leite em pó desnatado (+ 46%), queijos duros (+17%), queijos macios (+ 15%) e leites pasteurizados (+ 12%), ainda que por sua contribuição nas vendas globais, vale destacar principalmente a expansão dos dois últimos produtos, em especial os leites pasteurizados.

A evolução mensal das vendas mostrou desde dezembro de 2003 uma interessante trajetória positiva, que com alguns altos e baixos, acumularam até julho último 20 períodos com aumentos interanuais, de uma magnitude média da ordem de 10%.

Até agora em 2005, os aumentos também ficaram em média em 10%, com valores extremos de 16% em fevereiro e de 4% em abril. Neste contexto, o aumento de julho foi equivalente à metade da média do bimestre maio-junho e a segunda mais moderada do ano.

A menor velocidade de crescimento está parcialmente correlacionada com o aumento dos preços varejistas. Analisando-se o gráfico 10, observa-se que a etapa de maior expansão das vendas foi associada a índices de preços que mostraram altas interanuais marcadamente decrescentes e inclusive negativas (durante grande parte de 2004); enquanto que desde o início de 2005, o retorno a taxas positivas e crescentes conseguiu frear a recuperação das vendas.

Gráfico 9: Vendas da indústria ao mercado interno
Variação com relação ao mesmo mês do ano anterior (em %)


Figura 10

O cenário mais favorável descrito acima não é exclusivo dos produtos lácteos, mas sim, estende-se ao desempenho das vendas totais nos supermercados que, segundo dados do INDEC, expandiram-se 8%, a preços constantes, no acumulado de janeiro a julho de 2005 em comparação com o mesmo período de 2004. Sempre a preços constantes, a medição de julho implica uma melhoria de 1,1% frente ao período anterior, após a queda registrada em junho.

A mesma Pesquisa de Supermercados indica para os lácteos um crescimento interanual das vendas acumuladas a preços atuais de 11% para os primeiros seis meses de 2005 - não se dispõe dos resultados antecipados de julho - que se transforma em uma alta de 5,5% se são considerados os dados ajustados pelo IPC de lácteos, e de 4,5% se ajustarmos esse último dado pelo aumento da superfície coberta total. Essa variação de vendas por metro quadrado e a preços constantes coloca os lácteos como os produtos de maior expansão no período, junto com as categorias Verduras, Frutas e Panificação.

A situação exposta se correlaciona com a marcha positiva de alguns indicadores macroeconômicos. Como exemplos, podemos mencionar:

Segundo o INDEC, o Estimador Mensal de Atividade Econômica acumulou em 2004 um aumento de 9% com relação a 2003. A tendência de alta persistiu durante os primeiros sete meses do ano, quando o crescimento acumulado alcançou 8,9% com relação ao mesmo período do ano anterior. Com relação ao mês anterior em julho de 2005 houve uma variação positiva de 0,7%.

A mesma fonte indica que em 2004 o Consumo Privado - o principal componente da demanda global, com uma participação de 60% - cresceu 9,5% a valores constantes com relação a 2003; enquanto que no primeiro semestre de 2005, verificou-se um aumento interanual de 8,8% com relação ao mesmo período de 2004.

O Índice de Salários elaborado por esse Instituto, que inclui os valores pagos aos trabalhadores em virtude do aumento para o setor privado disposto pelo Governo, mostrou um crescimento nominal de cerca de 9% entre janeiro e dezembro de 2004 e de 12% entre este último e julho de 2005. Em termos reais, as recuperações foram de 3% e 5%, respectivamente (ver gráfico 10).

De acordo com a Pesquisa de Indicadores Laborais do Ministério do Trabalho, no conjunto dos quatro principais aglomerados urbanos do país, o emprego apresentou uma alta de cerca de 7% durante 2004 e de 5% em 2005 (até julho).

Como informação complementar, vale incluir alguns indicadores laborais divulgados pelo INDEC que apesar de serem relacionados à indústria manufatureira permitem analisar as principais tendências nesse mercado. Segundo dados provisórios, na comparação interanual com o mesmo período do ano anterior, no primeiro semestre se 2005 foram observados aumentos de 7,3% no Índice de trabalhadores ocupados, de 7,2% no Índice de horas trabalhadas e de 14,1% no Índice de salário por trabalhador industrial.

Gráfico 10: Evolução de vendas, preços e salários.
Variação com relação ao mesmo mês do ano anterior (em %)


Figura 11

Estima-se que o volume de vendas acumulado nos primeiros sete meses de 2005 foi 10,5% superior ao do mesmo período do mês anterior. Nesta análise também se verifica um melhor desempenho relativo dos "produtos" em comparação com os "leites fluidos" (+ 20,5% e + 8,5%, respectivamente).

Como pode ser observado no gráfico 11, oito dos 10 itens apresentaram no acumulado de 2005 uma melhor performance que a registrada no ciclo anterior, com altas muito significativas no leite em pó desnatado (+ 46%), iogurte (+ 44%), queijos duros (+ 27%), queijos macios (+ 25%) e leites pasteurizados (+ 15%). As únicas duas quedas foram observadas em queijos semi - duros e leites esterilizados.

Se o volume dos produtos selecionados fosse expresso em equivalente em litros de leite ao invés de toneladas, poderia se observar que as vendas acumuladas tiveram uma recuperação global de aproximadamente 12,5% até julho, dois pontos percentuais superior à indicada mais acima em termos de toneladas, para o mesmo período de comparação (vale lembrar que para fabricar um quilo do que denominamos "produtos" são necessários cerca de seis vezes mais leite que para obter um litro de "leites fluidos". Em conseqüência, a relação "produtos/fluidos", que expressa em toneladas chega a 18%/82%, transformada em litros equivalente passa a 55%/45%).

No gráfico 9, observa-se que entre janeiro e março de 2005, os aumentos dimensionados em litros equivalentes foram entre 5% e 10% superiores aos verificados em termos de toneladas, um fato muito positivo considerando-se que é impulsionado pela forte recuperação das vendas do item "produtos", de maior valor agregado. Esse processo se reverteu no segundo trimestre - ainda que com brechas de menor magnitude - para voltar a se registrar em julho último (+ 9% em litros vs. 6,5% em toneladas).

Gráfico 11: Vendas da indústria ao mercado interno
Acumuladas jan-jul. 05 vs. 04 e julho 05 vs. 04

(variação em % s/ toneladas ou litros,segundo o produto)

Figura 12

Nota ao gráfico: Junto a cada produto está sua participação percentual sobre as vendas acumuladas do período de janeiro a julho de 2005.

Com relação ao mês anterior, as vendas totais das indústrias líderes sofreram em julho uma queda de 3,5% em toneladas, valor se decompõe em baixas de cerca de 3% e 4% para "leites fluidos" e "produtos", respectivamente. As únicas duas exceções foram os aumentos nas vendas de queijos duros (+ 9%) e semi - duros (+ 1,5%).

A retração intermensal de julho é a quarta de 2005, após as verificadas em março, abril e maio, e a de maior magnitude desde outubro de 2004.

Setor externo

Em julho de 2005 foram exportadas 17,428 mil toneladas de produtos lácteos, por um valor de US$ 38 milhões. Esses valores representaram baixas de 5% tanto em volume como em valor com relação ao mês anterior (ver gráfico 12). Em ambas as formas de medição, os registros de julho foram os mínimos dos últimos 13 meses.

Com relação ao mesmo mês de 2004, as exportações de julho de 2005 mostraram uma queda significativa de 20% em volume - a primeira em 19 meses - que por efeito do fortalecimento do preço médio obtido resultou em um decréscimo de 16% em valor. Na comparação interanual mês contra mês, vale destacar que em julho de 2005 se verificou um aumento de 18% em volume das vendas ao Brasil - o nono consecutivo que, no entanto, não conseguiu compensar a queda de 28% registrada nos envios aos demais destinos, que foi a segunda consecutiva e a terceira até agora neste ano.

Gráfico 12: Exportações de lácteos

Figura 13

As vendas externas acumuladas até julho de 2005 alcançaram o volume de 146,404 mil toneladas e o valor de US$ 317,3 milhões, dados 12,5% e 23,5% maiores que os correspondentes a janeiro-julho de 2004. A diferença entre ambas as taxas se explicou pelo aumento do preço implícito médio, que alcançou 9% frente aos valores médios do ano anterior.

Apesar de o leite em pó manter a liderança indiscutível no ranking de produtos exportados, o maior destaque provém da categoria de queijos: até agora em 2005 registrou uma espetacular expansão de 74% nas vendas em dólares (os leites em pó aumentaram "somente" 11,5% interanual). Como indicador vale a pena informar que enquanto a participação - medida em valor - dos leites em pó declinou de 74% nos primeiros sete meses de 2004 para 67% em 2005, a de queijos passou de 16% a 23% no mesmo período.

Enquanto os leites em pó tiveram vendas de US$ 212,5 milhões no período de janeiro a julho de 2005, os queijos geraram divisas de US$ 71,4 milhões.

Vale informar que nos primeiros sete meses deste ano as Pequenas e Médias Empresas Exportadoras (PyMEX) representaram 55% do total de empresas que venderam queijos (17 sobre um total de 31), uma presença superior à sua participação em leites em pó, que foi de 41% (com 13 firmas sobre um total de 32). Em termos monetários as PyMEs concentraram 27% do valor exportado em queijos, uma contribuição três vezes superior à correspondente à categoria de leites em pó, que foi da ordem de 9% do valor total.

Com relação aos clientes, durante os primeiros sete meses do ano foram exportados produtos lácteos para 106 destinos, dois a mais que no mesmo período de 2004. Um dos fatos mais destacáveis do período foi que entre janeiro e julho de 2005 o volume vendido ao Brasil cresceu 38% com relação ao mesmo acumulado do ano anterior, enquanto que o correspondente ao conjunto dos demais destinos foi somente 8,5% superior. Como resultado desta evolução díspar, que durante 2004 foi deslocado pela Argélia ao segundo posto do ranking de destinos, recuperou a liderança e aumentou sua participação de 12,5% para 15,5% do volume total entre 2004 e 2005.

Entre os demais compradores, destacam-se as reduções de 32% interanual nas compras da Argélia (que a postergaram a segundo posto) e de 29% nas do México (deslocado do quarto ao sexto lugar); que contrastaram com os aumentos de 14% nos embarques à Venezuela e de 54% nos embarques aos Estados Unidos. Os aumentos mais relevantes nesse ranking em volume foram, no entanto, os do Vietnã (de 62º a 8º), Cuba (de 43º a 7º), Jordânia (de 28º a 11º) e Canadá (de 22º a 12º).

Produtos exportados aos cinco principais destinos da Argentina
Em % de volume total vendido a cada país

Acumulado janeiro-julho 2005

Figura 14

A demanda internacional em geral e a dos principais clientes da Argentina em particular, continuou muito firme durante os últimos dois ou três anos, sustentada pelas expansões de suas economias domésticas, que em muitos casos alcançaram taxas sem precedentes na última década. A alta generalizada nas cotações internacionais dos principais produtos básicos e em particular do preço do petróleo tem estimulado o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em nações como Argélia, Venezuela, México, Cuba e Rússia, por exemplo.

Após a desaceleração verificada durante 2003, o forte impulso recobrado pelas exportações argentinas a partir de 2004 é resultado das excelentes condições no setor externo. A título de exemplo, no gráfico 13 se apresenta uma idéia meramente orientadora do preço teórico obtido pela colocação alternativa de um quilo de leite em pó integral no mercado interno e no de exportação. A escolha desse produto se fundamenta na importância de seu papel no comércio exterior de lácteos, onde representa quase 60% dos volumes (janeiro a julho de 2005).

A evolução mais recente revela uma persistente tendência à redução da diferença entre ambas as opções. Em julho de 2005 este indicador chegou a um valor de 11%, um diferencial 9 pontos percentuais inferior registrado no mesmo mês de 2004 e o mais baixo dos últimos 36 meses.

Este fenômeno teria contribuído parcialmente com o aumento das exportações informado anteriormente. A principal causa do "estreitamento" observado nos últimos períodos foi a melhora progressiva que mostrou a alternativa exportadora, que se acelerou a partir de janeiro último, com a recuperação das cotações médias em dólares obtidas por ambas as apresentações de commodity, mas em especial as fracionadas. Esta trajetória ocorreu em um contexto marcado por um tipo de câmbio nominal estável ou levemente declinante e um preço interno atacadista que tem se mantido sem grandes mudanças desde agosto de 2003.

Gráfico 13: Comparação do preço teórico obtido no mercado interno vs. Mercado de exportação.
Leite em pó integral

Figura 15

Notas ao gráfico: Os preços dos produtos não são estritamente comparáveis já que, enquanto o preço atacadista corresponde a uma apresentação fracionada (mais cara), o de exportação se refere a uma média ponderada por volume das apresentações fracionadas e a granel. Adicionalmente, a magnitude de umas e outras operações costuma ser muito distinta. Dado que o objetivo do gráfico é meramente indicativo da mudança da tendência, essas diferenças podem ser desconsideradas. No cálculo do preço de exportação em pesos foram incluídos tanto os direitos de exportação como os reembolsos correspondentes.

Em outra ordem, a análise das estatísticas brasileiras de 2005 mostra a consolidação de um interessante aumento das importações de lácteos, iniciado no começo de 2004. De fato, após um segmento ininterrupto de fortes altas interanuais, nos primeiros sete meses do ano, as compras totais do Brasil aumentaram 51% em volume e 70% em valor com relação às registradas no mesmo período do ano anterior. Entre as possíveis causas da expansão das importações lácteas brasileiras em 2004 e até agora em 2005 podem ser citadas:

A redução da disponibilidade interna devido à forte seca registrada no verão, principalmente na região sul do país, o que pressionou o forte aumento dos preços ao produtor doméstico (máximos de 22-23 centavos de dólar por litro). Segundo os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre de 2005 se observou uma queda de 3% na recepção de leite dos estabelecimentos fiscalizados com relação ao trimestre anterior.

A melhora da atividade econômica (em 2004 o PIB registrou um crescimento de 5,2% com relação ao ano anterior, a maior taxa da última década), que foi acompanhada por menores níveis de desemprego, recuperação do poder de compra do trabalhador e altas do consumo privado das famílias da ordem de 4% para todo 2004 e de 3% para o primeiro semestre de 2005.

A queda de 15% na paridade real-dólar (média dos sete meses = 2,54 em 2005 vs. 2,98 em 2004).

Além deste contexto positivo outros dados devem ser levados em consideração: o primeiro é que, em virtude de as quedas das compras efetuadas de produtos argentinos terem sido atenuadas, a participação da Argentina como fornecedor do Brasil se reduziu em 4% e 2%, em volume ou valor acumulado, respectivamente, no mesmo período de comparação; e o segundo é que após o pico máximo alcançado em maio, em junho e julho o volume das exportações totais apresentaram quedas frente aos meses anteriores, para depois se estabilizar em agosto.

Preços de exportação

O preço médio (média ponderada: total US$/total toneladas) obtido pelas exportações de julho - US$ 2034/tonelada - foi 4% superior ao registrado no ano anterior, mas 4% menor que o do mês anterior (ver gráfico 10). Assim, após dois meses de baixas consecutivas, o preço implícito acumula uma queda de 5% com relação ao preço de maio. Em nível de detalhe por produto, as cotações dos dois produtos mais significativos, o leite em pó integral e o desnatado, exibiram em julho de 2005 aumentos de 9% e 12%, respectivamente, em comparação com os valores do mesmo período do mês anterior.

A queda com relação ao mês anterior registrada na média obtida em julho, explica-se tanto pelas quedas dos preços unitários de alguns produtos significativos como o leite em pó desnatado, derivados de soro de leite, queijos duros e leites fluidos, como por certa deterioração da cesta de produtos exportados. De fato, dentro dos leites em pó, em julho se verificou uma queda da porção correspondente aos leites integrais a favor dos desnatados (de menor preço unitário). Entre os queijos, os de pasta dura cederam espaço aos de pasta macia e semi - dura, cujos valores são cerca de 30-35% inferiores.

A título de exemplo, podem ser citados os valores obtidos em julho pela venda de leite em pó integral (US$ 2315/tonelada) e de leite em pó desnatado (US$ 2142/tonelada), que significaram uma variação nula e uma baixa de 0,5%, respectivamente, em relação às médias do mês anterior.

No caso do leite em pó integral, vale agregar que a estabilização produzida em julho se explica exclusivamente pela marcada redução da participação dos produtos embalados com peso líquido inferior ou igual a dois quilos (entre junho e julho passaram de 50% a 38% do total), já que os preços deste formato aumentaram 0,6% e os dos produtos apresentados a granel tiveram uma melhora de preço de 2%. Vale lembrar que os produtos em embalagens menores têm cotações que, em média, superam em 10% as vendas a granel.

Quanto ao mercado internacional, segundo os relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) das primeiras semanas de agosto de 2005, enquanto na Europa os níveis de produção se aproximam dos mínimos estacionais e demonstram o efeito das condições secas e de elevadas temperaturas, na Oceania se iniciou o novo ciclo produtivo.

Na Europa, os relatórios informam um aumento de 1% na produção de leite com relação ao ano anterior e de uma atividade focalizada principalmente no abastecimento do mercado intra - comunitário, com poucas operações fora do bloco.

Por outro lado, na Oceania, reina o otimismo para a nova temporada, apesar de ainda ser muito cedo para falar de tendências. Na Nova Zelândia, as primeiras estimativas sugerem uma alta de 4-5% para o ciclo 2005/06 o que permitiria recuperar os níveis perdidos no ano anterior; enquanto que na Austrália, após dois anos muito ruins por causa da seca, projeta-se uma recuperação de 1-1,5% para toda a temporada.

Os mercados das principais commodities se mantêm firmes e com estoques muito próximos às necessidades presentes e futuras dos clientes habituais e com escassas possibilidades de atender às de eventuais novos compradores. Durante agosto, os valores se mantiveram e inclusive se fortificaram um pouco. O leite em pó integral estava, em média em agosto, na Europa Ocidental, em cerca de US$ 2200-2350 por tonelada, enquanto que o leite em pó desnatado estava em US$ 2300-2400 por tonelada. No entanto, na Oceania, os valores flutuavam entre US$ 2250-2350 por tonelada e US$ 2200-2350 por tonelada, respectivamente.

Fontes consultadas:

Convênio Leiteiro SAGPyA-CIL-FIEL.
Direção da Indústria Alimentícia, SAGPyA.
Programa Nacional de Política Leiteira, SAGPyA.
Comunicações pessoais com referentes à produção e à indústria.
Min. de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil.
Banco Central de Brasil.
Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC).
Direção. Nac. de Fiscaliz. Agroalimentar, SENASA.
Centro da Indústria Leiteira (CIL).
Banco Central da Rep. Argentina (BCRA).
Pesquisa de Indicadores Laborais do Ministério de Trabalho.
Diários de alcance nacional e regional.
Câmara Arbitral de Cereais de Rosário.
Revistas e portais da internet especializados.
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Fonte:Direção Nacional de Alimentação (www.alimentosargentinos.gov.ar), adaptado por Equipe MilkPoint
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