Após nove anos no vermelho, Selita fecha o ano com lucro

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José Onofre Lopes, presidente da Cooperativa de Laticínios Selita, informou que a empresa fechou o ano passado com lucro líquido de R$ 1 milhão, após nove anos no vermelho. O faturamento bruto em 2000 atingiu R$ 41,2 milhões, 1,45% superior aos R$ 40.607.784,82 apurados no ano anterior. Mas no balanço de 1999, além da receita ter sido 0,21% inferior a de 1998, a cooperativa teve prejuízo de R$ 1,350 milhão, segundo Lopes.

Ele acredita que o lucro poderia ser maior se o Brasil não tivesse importado leite em setembro do ano passado, quando o preço do leite é maior em função da entressafra. "Começaram a importar leite em pó da Austrália, Europa e EUA sem nenhum controle", lamenta.

De agosto a início de dezembro, o litro do leite longa vida passou a ser vendido por R$ 0,58 - antes da redução, o litro custava R$ 0,96. A Selita então passou a trabalhar com R$ 0,10 de prejuízo por litro, segundo Lopes, lançando por terra a previsão de lucro líquido superior a R$ 3 milhões. "Atrapalhou muito".

Mesmo assim, na média, o produtor recebeu mais do que em anos anteriores, segundo dados da Selita. Em 2000, a cooperativa pagou por cada litro coletado in natura R$ 0,35 contra R$ 0,29 pagos em 1999 e os R$ 0,24 pagos em 1998 - ganho de 45,83% em três anos. Com base no valor de venda, o produtor recebeu 52,61% dos R$ 0,67 valor de venda médio do litro registrado em 2000. Em 1998, essa participação era de 43,94% sobre R$ 0,56.

A diretoria da empresa aguarda verba do Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop), no valor requerido de R$ 8.018.268,00. O recurso será aplicado, segundo o presidente, no pagamento de débitos, para incrementar o capital de giro e na ampliação da capacidade instalada da indústria. A proposta da Selita foi entregue ao Banco do Brasil no final do ano passado e não há prazo definido para liberação do capital. A cooperativa tem planos de investir cerca de R$ 5 milhões numa linha de produção para achocolatados (200 ml), leite condensado, creme de leite e numa máquina que transforma o leite e o soro em pó, permitindo a estocagem na entressafra.
Se este ano não ocorrer problemas de queda no preço a exemplo de 2000, Lopes espera atingir receita bruta de R$ 45 milhões, 9,22% maior que a do exercício anterior. Ele acredita que o bom resultado é conseqüência do esforço de dois anos para a redução dos custos operacionais, terceirização de serviços e renegociação de dívidas com fornecedores, instituições financeiras, governos federal, estadual, municipal.

(Por Bruno Garschagen, para Gazeta Mercantil, 22/02/01)
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