Segundo Fernando Rechsteiner, produtor rural e diretor da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o diesel representa uma parcela significativa dos custos das lavouras, com impacto nas operações diárias e no frete. A pressão também chega à comercialização de alimentos. O feirante Júlio César Oliveira, que transporta hortaliças do interior até a capital paulista, estima um gasto adicional de quase R$ 400 por semana com combustível, custo que acaba sendo parcialmente repassado aos consumidores.
O aumento ocorre mesmo com a subvenção federal de R$ 2,12 por litro destinada a produtores e importadores de diesel. A medida, por sua vez, tem impacto nas contas públicas. De acordo com o economista e consultor Alexandre Schwartsman, os subsídios contribuem para ampliar o déficit fiscal e acelerar o crescimento da dívida pública.
O cenário também está relacionado à redução da oferta internacional de combustíveis. Em outubro, a Agência Internacional de Energia alertou para a queda dos estoques e as restrições de oferta em meio aos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio. A dependência brasileira da importação de diesel amplia a exposição do país às oscilações do mercado externo.
Além do impacto direto no campo, a alta do combustível pressiona outros setores da economia, especialmente em razão da dependência brasileira do transporte rodoviário. O aumento dos custos logísticos tende a se refletir nos preços de produtos e serviços. No setor de transporte de mudanças, por exemplo, empresas relatam dificuldades para absorver os reajustes, sobretudo em trajetos mais longos.
As informações são do Jornal Nacional, resumidas e adaptadas pela Equipe MilkPoint.