Lideranças da cadeia produtiva do leite assinaram a Carta de Uberaba, manifesto que defende a criação de uma política de Estado permanente para o setor lácteo brasileiro. O documento foi elaborado durante a 4ª ExpoLeite, realizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em Uberaba (MG), e reúne representantes de produtores, cooperativas, laticínios, pesquisa, assistência técnica e poder público.
Assinada em 16 de outubro, a carta apresenta propostas direcionadas aos poderes Executivo e Legislativo, nas esferas municipal, estadual e federal. Entre as principais reivindicações estão a aplicação de medidas antidumping sobre o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai, a continuidade do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) após a Reforma Tributária e a ampliação do acesso ao crédito rural.
O documento também destaca a necessidade de fortalecer as compras públicas de leite e derivados nacionais, aprimorar os programas de sanidade animal e ampliar o apoio à regularização ambiental e à adoção de práticas sustentáveis nas propriedades leiteiras.
A carta contextualiza as reivindicações com dados da produção e do comércio exterior. Segundo os números citados no manifesto, o Brasil produziu 36,7 bilhões de litros de leite em 2025, conforme a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, enquanto as importações corresponderam a aproximadamente 2,1 bilhões de litros equivalentes. As exportações, por sua vez, somaram cerca de 66 milhões de litros equivalentes.
Para as entidades signatárias, a dependência das importações de lácteos contrasta com a posição brasileira entre os grandes produtores mundiais e reforça a necessidade de políticas que ampliem a competitividade da produção nacional.
O manifesto também propõe mudanças no financiamento da atividade, com linhas de crédito adaptadas ao fluxo de caixa dos produtores, revisão dos critérios de enquadramento no Pronaf e criação de mecanismos garantidores que facilitem o acesso de pequenos e médios produtores aos recursos.
Ao abordar as responsabilidades de cada elo, a carta defende avanços na gestão de custos, na qualidade do leite, na assistência técnica e na transparência da formação de preços. O documento ainda ressalta a importância de estratégias permanentes de comunicação com os consumidores sobre produção, nutrição, qualidade e segurança dos alimentos lácteos.
A Carta de Uberaba é subscrita por entidades como a Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, a FAEMG, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, a CCPR, a CEMIL e cooperativas, sindicatos rurais e empresas do setor.
Confira a carta na íntegra no site da ABCZ.
Matéria produzida pelo MilkPoint com informações da ABCZ.