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O efeito do estresse térmico em vacas leiteiras e suas implicações nutricionais

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 23/07/2012

5 MIN DE LEITURA

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O estresse térmico é um dos fatores de maior impacto econômico na eficiência do rebanho, tendo efeitos negativos tanto na produção quanto na reprodução de vacas leiteiras. Segundo Pierre et al. (2003), os efeitos negativos do estresse térmico chegam a representar $900 milhões de dólares por ano no Estados Unidos.

Na tentativa de diminuir a intensidade do impacto do estresse térmico na produtividade dos rebanhos, sistemas de resfriamento (Armstrong, 1994 e VanBaale et al., 2005), estratégias nutricionais especificas (West, 2003) e desenvolvimento de práticas de manejo para identificar com maior precisão as vacas sob estresse têm sido implementadas.




Collier et al. (2005) demonstraram que o mecanismo pelo qual o estresse térmico impacta a produção e reprodução de vacas leiteiras pode ser explicado parcialmente pela redução na ingestão de matéria seca (IMS).

Porém, alterações endócrinas, redução na absorção de nutrientes e ruminação, além do aumento no requerimento nutricional de mantença, contribuem significativamente para a baixa eficiência dos rebanhos em meses mais quentes.

Identificar com maior precisão vacas sob estresse térmico e entender melhor o mecanismo biológico pelo qual o estresse térmico reduz a síntese de leite e índices reprodutivos, é determinante para minimizar a redução da produtividade durante o verão.
 

Respostas fisiológicas ao estresse térmico

O estresse térmico é conhecido por afetar de maneira adversa a saúde ruminal de vacas e induzir uma série de respostas fisiológicas específicas, na tentativa de regular a temperatura corporal e mantê-la nos limites normais.

Uma das estratégias para dissipação de calor é através da aceleração da taxa respiratória (estado ofegante), que resulta no aumento da produção de dióxido de carbono (CO2). A excreção de CO2, resultará em decréscimo nas concentrações de H2Co3, e consequentemente um aumento no pH sanguíneo, ocasionando o que chamamos de alcalose respiratória (Beanjamin, 1981).

Com o objetivo de compensar a alcalose respiratória, o organismo aumenta a excreção de bicarbonato, pois os rins, na tentativa de controlar o equilíbrio ácido-base do sangue, aumentam a reabsorção de H+, HCO3- e cátions, primariamente o sódio (Na+), para serem excretados na urina ocasionando uma acidose metabólica moderada. Kadzere et al. (2002) demonstra que para manter de forma efetiva o tamponamento sanguíneo, o corpo necessita manter uma relação de 20:1 de HCO3- (Bicarbonato):CO2 (Dióxido de Carbono).

Vacas sob estresse térmico, além de perder dois terços da água evaporativa através do suor e um terço através da respiração acelerada, perdem também mais potássio (K) via suor do que vacas em zona de termo neutralidade.

Estudos conduzidos na Universidade da Florida demonstraram um aumento de cinco vezes na perda de K pelo suor durante picos de estresse térmico, portanto, vacas sob estresse térmico podem se tornar deficientes em K. Sanchez et al. (2004) mostram uma correlação positiva entre o DCAD(Na + K ) - ( Cl +S) / 100g MS e as quantidade de Bicarbonato (HCO3-) no sangue.

 

Outros fatores como motilidade retículo-ruminal e taxa de passagem total, também são reduzidas durante o estresse térmico. Além disso, ocorrem mudanças no padrão de fermentação ruminal, ocasionando menor produção total de ácidos graxos voláteis e um aumento na porcentagem molar de ácido acético. O fluxo sanguíneo direcionado ao trato digestivo e outros tecidos internos é deprimido enquanto que o fluxo na superfície da pele é aumentado.



Estratégias nutricionais para reduzir o estresse térmico

  • Suplementação de Gordura: A suplementação de gordura inerte no rúmen, provavelmente permanece sendo uma das estratégias para fornecer energia extra e segura no que diz respeito à saúde ruminal. Se comparado com fibra e amido, a gordura é a fonte de energia que gera o menor incremento calórico (Van Soest, 1982), podendo ser a forma de suplementação energética mais eficiente para vacas sob estresse térmico.
  • Monensina: Baseado em alguns dados publicados recentemente, maximizar a produção ruminal de precursores de glicose (ex. propionato) pode ser uma estratégia eficiente para manter a produtividade. Entretanto, devido às questões relacionadas à saúde de rúmen, aumentar a quantidade de grãos na dieta deve ser cautelosa. Um método seguro e efetivo de maximizar a produção de propionato ruminal é através da suplementação de monensina, que também ajuda a aumentar o pH ruminal durante condições de estresse térmico através da diminuição das concentrações de lactato, e prover propionato para a produção de glicose pelo fígado (Baumgard,2011).
  • DCAD: Segundo Block (1994), o DCAD negativo durante o período seco e o DCAD positivo durante a lactação é uma boa estratégia para manter saúde e maximizar a produção. Sugere-se que manter o DCAD em níveis ideais durante a lactação, permanece sendo uma boa estratégia durante os meses mais quentes do ano (Wildman et al., 2007).
  • Minerais e Vitaminas: Ao contrário de seres humanos, os bovinos utilizam K como o principal regulador osmótico de secreção de água das glândulas de suor. Como consequência, o requerimento de K é aumentado durante o verão, e é preciso ser ajustado na dieta (West, 2002). Alem disso, níveis de Na e Mg devem ser aumentados por competir com o K pela absorção intestinal (West, 2002).
  • bST: Vacas tratadas com somatotropina bovina produziram mais leite e consequentemente consumiram maior quantidade de alimento para sustentar o aumento da produção. Ambos os parâmetros geram maior quantidade de calor metabólico em vacas em lactação, porém este calor extra é contrabalanceado pelo aumento da dissipação de calor, e, portanto os índices de temperatura corporal não se elevam (Collier et al., 2005). Wheelock et al. (2006) demonstrou que a suplementação de bST aumentou a produção de leite em aproximadamente 15%, mesmo em vacas submetidas a condições de estresse severo (temperatura retal > 400C).


Conclusão

O desenvolvimento de estratégias nutricionais que suportam a produção de leite e que também combatem distúrbios fisiológicos e metabólicos induzidos por condições de estresse térmico, ajudará as vacas a manter um metabolismo normal no qual melhorará a performance produtiva e reprodutiva do rebanho.

Por Juliana Pescara, Ms. Universidade de Wisconsin e Assessora Técnica Comercial - Elanco Saúde Animal

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VAGNER

CARIACICA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/10/2018

Boa tarde , gostaria de ter acesso as referencia .
CIRO BITTENCOURT

IRATI - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 25/01/2018

BOA NOITE, GOSTARIA DE TER ACESSO AS REFERÊNCIAS, SERIA POSSÍVEL?
CIRO BITTENCOURT

IRATI - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 25/01/2018

Olá, gostaria de ter acesso a bibliografia utilizada, seria possível?
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