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Índices de eficiência reprodutiva na produção de leite

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 05/12/2007

7 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 29/03/2021

Eficiência reprodutiva é a habilidade de fazer a vaca ficar gestante o mais rápido possível, após o período voluntário de espera. Uma reprodução ineficiente reduz a lucratividade tanto por reduzir a eficiência na produção de leite, como por reduzir o número de novilhas para reposição, além de aumentar os gastos com sêmen, medicamentos e serviços veterinários.

A partir da anotação dos dados de detecção de cio, coberturas, diagnósticos de gestação e avaliações ovarianas conseguimos levantar os índices da eficiência reprodutivas do rebanho, as possíveis causas dos problemas e, o mais importante, detectar os problemas na fase inicial, permitindo que as atitudes corretivas sejam tomadas antes que o problema fique muito sério e irreversível.

Os dados reprodutivos devem ser comparados aos estabelecidos nos livros, aos índices regionais, locais (entre fazendas vizinhas), mas principalmente em relação ao histórico do rebanho.

Dados necessários para o cálculo dos índices reprodutivos:

  1. Data do último parto de cada vaca;
  2. Data dos partos anteriores das vacas com duas ou mais lactações;
  3. Condição reprodutiva de cada vaca (gestante, vazia, coberta);
  4. Número de coberturas por vaca;
  5. Data da primeira cobertura pós-parto e das coberturas mais recentes.


Quais são os principais índices de eficiência reprodutiva?

Os principais indicadores de eficiência reprodutiva que devem ser observados nas fazendas leiteiras são:

  • Dias em aberto (dias vazios);
  • Intervalo entre partos atual;
  • Dias pós-parto no primeiro serviço (primeira cobertura);
  • Número de serviços por concepção;
  • Comparação entre o intervalo entre partos atual e o intervalo entre parto projetado;
  • Taxa de detecção de cio (estro).



O que são dias em aberto (dias vazios)?

Para o cálculo do dias em aberto devemos considerar o número de dias do último parto até:

  • A data da concepção das vacas gestantes;
  • A data da última cobertura das vacas ainda não confirmadas gestantes;
  • Ou a data em que o cálculo foi realizado.

O ideal é que se tenham as anotações de pelo menos 12 meses anteriores. Problemas de fertilidade e/ou de detecção de cio aumentam os dias em aberto.

Geralmente uma porção pequena de vacas com dias em aberto muito alto são responsáveis por um pequeno grau de aumento da média de dias em aberto do rebanho.

Mas, se este índice esta sendo fortemente afetado por poucas vacas, podemos considerar que os problemas são particulares desses animais e não do rebanho, e colocá-los na lista de descarte. As vacas já definidas como descarte, mas que ainda estão em lactação, não precisam ser incluídas nos cálculos. 

O cálculo da média dos dias em aberto é feito pela soma dos dias em aberto de cada vaca divido pelo número de vacas do rebanho.

Tabela 1. Intervalos de dias em aberto e resumo da interpretação.

Em rebanhos de alta produção, se a média de dias em aberto esta abaixo de 85 dias, pode indicar que as vacas estão sendo cobertas muito cedo e parte do potencial de produção leiteira esta sendo perdido. Quando se trata de rebanhos mestiços com baixa persistência de lactação esse número pode ser interessante.

 

Como calcular o intervalo entre partos?

O intervalo entre partos atual é o cálculo do número de meses entre o parto mais recente e o parto anterior das vacas com mais de um parto. Neste dado não entram as vacas de primeira lactação.

Este dado reflete o insucesso do manejo reprodutivo anteriormente aos partos, mas não aponta as causas das falhas.

Tabela 2. Intervalos entre partos atual e resumo da interpretação.


Em rebanhos com alta persistência de lactação, os dados mostram que rebanhos com intervalo entre partos atual menor que 11,7 meses produzem menos leite do que rebanhos com intervalos entre partos entre 11,8 e 13 meses.



Dias pós-parto no primeiro serviço (primeira cobertura)

O número de dias pós-parto no primeiro serviço é influenciado pelo período voluntário de espera (PVE), como o próprio nome diz, por uma decisão de manejo, por isso esse índice varia muito entre os rebanhos. Cada fazenda deve, a partir do final do PVE, definir o objetivo a ser alcançado para a média de dias pós-parto no primeiro serviço.

Algumas vacas podem ser cobertas com 40 dias pós-parto, porém na maioria dos rebanhos de alta produção, o máximo de fertilidade é alcançado por volta dos 60 dias pós-parto.

O ideal é que a liberação das vacas para o início das coberturas seja feita depois de um exame pelo veterinário, para que as vacas com problemas sejam diagnosticadas e tratadas. O início das inseminações artificiais nos animais com infecção uterina é atrasado até que a infecção seja eliminada e o útero esteja saudável.

A média de dias pós-parto no primeiro serviço também é influenciado pelo retorno a ciclicidade pós-parto e pela eficiência da observação de cio.

O cálculo dos dias pós-parto no primeiro serviço é feito da seguinte forma:

  • Cálculo do número de dias do parto até o primeiro serviço para as vacas inseminadas;
  • A média de dias pós-parto no primeiro serviço do rebanho é feito pela soma dos dias pós-parto no primeiro serviço de cada vaca, dividido pelo número de vacas do rebanho.


Após determinada a média, deve ser feita a diferença desta para o objetivo.

Tabela 3. Relação entre o objetivo e a média alcançada para o número de dias pós-parto no primeiro serviço e resumo da interpretação.


*as causas podem ser relacionadas ao anestro e/ou às falhas de detecção de cio.

 

Número de serviços por concepção

A média de número de serviços por concepção do rebanho indica a fertilidade das vacas que foram cobertas e ficaram gestantes. As vacas descarte e as vacas que repeat breeder (vacas com mais de 4 coberturas) não diagnosticadas gestantes não entram nesse índice.

O cálculo do número de serviços por concepção é feito da seguinte forma:

  • Calcular o número de coberturas da vacas gestantes
  • A média é obtida pela soma das coberturas dividida pelo número de vacas gestantes.


Tabela 4. Relação entre o número de serviços por concepção e a fertilidade do rebanho.


A baixa fertilidade pode ser decorrente de detecção de cio inadequada, falhas nas técnicas de inseminação artificial, sêmen com problemas (armazenamento ou infertilidade do touro) ou problemas nas vacas (infecção uterina, doenças infecciosas, etc...).

Esse índice isoladamente não reflete a eficiência reprodutiva do rebanho, pois podemos ter baixo número de serviço por concepção, mas poucas vacas do rebanho estão gestantes ou as vacas estão com dias em aberto muito longo por falhas na detecção de cio.



Comparação entre o intervalo entre partos atual e o intervalo entre parto projetado

O objetivo dessa comparação é saber se a eficiência reprodutiva da fazenda nos últimos 9 meses esta melhorando, se mantendo ou piorando.

O cálculo exato do intervalo entre parto projetado é feito da seguinte forma:

  • Dias em aberto mais o período de gestação médio da raça do rebanho (Holandesa 279 dias, Jersey 279, Gir 290 dias), dividido por 30,25 dias/mês (para se corrigir a diferença entre meses com 28, 30 e 31 dias).


Exemplo:

  • Dias em aberto = 123 dias
  • Período de gestação = 279 dias
  • Intervalo entre parto projetado (IEPP) = (123 + 279)/30,25 = 13,3 meses


Tabela 5. Comparação entre o intervalo entre partos atual e o intervalo entre parto projetado e a relação com a fertilidade do rebanho.


Taxa de detecção de cio

A taxa de detecção de cio é um cálculo um pouco mais difícil pois deve considerar o período entre estros.

Pode-se fazer uma estimativa usando a seguinte fórmula para calcular o intervalo entre inseminação e a partir desse intervalo se faz uma interpretação da porcentagem de detecção de cio de acordo com a tabela 6.

  • Intervalo entre coberturas = (Média de dias em aberto - Média de dias pós-parto no primeiro serviço)/(Número de serviços por concepção - 1).

Exemplo:

  • Média de dias em aberto = 140 dias
  • Média de dias pós-parto no primeiro serviço = 75 dias
  • Número de serviços por concepção = 2,6
  • Intervalo entre coberturas = (140-75)/(2,6-1)
  • Intervalo entre coberturas = 40,6 dias, comparando esse número obtido com os dados da Tabela 6, verifica-se que corresponde a taxa de aproximadamente 50% de detecção de cio.


Tabela 6. Estimativa da porcentagem de detecção de cio baseado no calculo do intervalo entre inseminações.


As falhas de detecção de estro podem ser causados por anestro, problemas de locomoção e falha técnica de detecção.

Alguns rebanhos apresentam alta taxa de detecção de cio com fertilidade baixa, sugerindo problemas com a acurácia detecção de cio (vacas são consideradas em estro quando não estão).

Tabela 7. Relação entre a porcentagem estimada de detecção de estro e a eficiência da detecção.

A ineficiência reprodutiva reduz a lucratividade do rebanho e pode ser causada por diferentes fatores. A correta anotação dos dados e a interpretação dos índices podem ajudar a diagnosticar os problemas o mais cedo possível, antes que estes tomem proporções muito grandes e se tornem irreversíveis.

Devemos lembrar que a maioria dos programas de gerenciamento de rebanho nos fornece esses índices, temos que nos habituar a interpretá-los e tomar as atitudes corretas no momento adequado.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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ROBERTA MACHADO FERREIRA

CAMPINAS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/03/2010

Ola Ricarda, mais uma perguntinha
Voce saberia me informar onde posso encontrar dados a respeito das medias dessas taxas no Brasil..... por exemplo, atualmente qual é a media de deteccao de cio, PVE, taxa de servico, concepcao.....
Obrigada


<b>Resposta da autora:<b>

Prezada Roberta Machado Ferreira,
Infelizmente não temos essas informações para os nossos rebanhos.
Até mais,
Ricarda.
ROBERTA MACHADO FERREIRA

CAMPINAS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/03/2010

Muito obrigada pela atencao!
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/03/2010

Prezada Roberta,
Muito obrigada pela participação!
Este radar é parto do texto: Interpreting Reproductive Efficiency Indexes
Dr. M.A. Varner, Dr. J.L. Majeskie, e S.C. Garlichs, da University of Maryland. Você chega nele direto pelo google.
Até mais,
Ricarda.
ROBERTA MACHADO FERREIRA

CAMPINAS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 03/03/2010

Ola Ricarda
Muito interessante seu artigo!!! Gostaria de saber se as tabelas apresentadas sao de sua autoria ou se estao publicadas em algum lugar! Gostaria de ler mais a respeito.
Obrigada
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 05/08/2008

Prezado Bernardo Marcozzi Bayeux,
Obrigada pela participação!
É difícil falar qual é um bom indíce de nascimento de uma fazenda de corte, pois temos que saber quais os objetivos da fazenda, se existe estação de monta, qual a concentração dos nascimentos dentro da estação de nascimento, e assim por diante. As fazendas bem manejadas tem alcançado entre 70 a 80% de taxa de nascimento, temos que considerar que em gado de corte as perdas de gestação devem ser mínimas.
Espero ter ajudado, obrigada,
Ricarda.
BERNARDO MARCOZZI BAYEUX

SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/07/2008

Gostaria de parabenizar pelo artigo! E gostaria de fazer uma pergunta: qual um índice considerado bom de taxa de natalidade em uma fazenda com gado nelore?
Obrigado.
AUGUSTO AMARAL ROCHA

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 04/01/2008

Parabéns pela elaboração de artigo com tema muito interessante, uma vez que veterinários, zootecnistas, técnicos e produtores necessitam cada vez mais de informações que possam fazer com que a produção animal seja mais eficiente e rentável! Muito Obrigado
MARCO POLO BOTELHO JUNQUEIRA JUNIOR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/12/2007

Artigo muito interessante, principalmente pelo fato de que tão importante quanto ter os indicadores é saber quais são os fatores que os impactam, bem como os valores de referência (nem sempre obtidos com facilidade na literatura). Gostaria que os seguintes pontos fossem esclarecidos:

1) Qual a janela de tempo para o cálculo dos índices? Acredito que cada índice deva ter uma (Ex.: Serviços por concepção - 6 meses; Detecção de estro - 21 dias). Não ficou clara esta informação no artigo;

2) Na tabela 5 (IEPA x IEPP) foi colocado que IEPA > IEPP implica em fertilidade melhorando. Não é o contrário?

Obrigado.

<b>Resposta da autora:</b>

Resposta 1: Marco Polo, muito obrigada! Para a correta
interpretação dos resultados é interessante que a
fazenda tenha um histórico dos dados, para que possam ser feita comparações entre anos, entre estações e entre meses. Os indíces de concepção e detecção de cio, por exemplo, devem ser feitos mensalmente para que a detecção e a correção dos problemas seja feita o mais rápido possível.

Resposta 2: A tabela 5 mostra a comparação entre o
IEPA (intervalo entre partos atual) e o IEPP (intervalo entre partos projetado). O IEPP é o intervalo entre partos das vacas que estão gestante e ainda vão parir, se o IEPA é maior que o IEPP é sinal que as vacas emprenharam mais cedo e vão parir com IEP menor, portanto, podemos concluir que a eficiência reprodutiva esta melhorando.

Ricarda dos Santos
ANTONIO FRANCISCO CHAVES NETO

ARAPONGAS - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/12/2007

Parabéns pela explanação dos índices reprodutivos, são de muita importância, sendo responsáveis diretos pela eficiência produtiva e econômica da propriedade. Mas quando trabalhamos com vacas holandesa com média de rebanhos acima de 8.500Kg considero bom um intervalo entre partos de 14 meses, onde vocês consideraram "problema severo para qualquer rebanho".

Agradeço a ateção dispensada.

<b>Resposta da autora:</b>

Antônio, muito obrigada! Esse assunto é bastante controverso na literatura e entre os técnicos que trabalham com bovinocultura de leite. No radar de 29/03/2006 (Estratégias de manejo para aumentar a eficiência reprodutiva de vacas de leite.) tem os resultados de um estudo americano que mostra que o limite para o IEP seria de 13 meses, mais fatores como produção, persistência de lactação, uso de bST, entre outros devem ser considerados. O importante é que a fazenda esteja buscando melhorias, que visem retorno econômico.

Ricarda dos Santos
MilkPoint AgriPoint