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Tempo de ruminação: monitoramento eletrônico e desempenho reprodutivo de vacas leiteiras

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/12/2020

5 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 03/12/2020

O tempo de ruminação é muito útil para sinalizar mudanças de desempenho, bem-estar, estado de saúde e doença, antes do aparecimento dos sinais clínicos e o monitoramento eletrônico deste parâmetro pode auxiliar na detecção precoce de distúrbios.

A adoção de tecnologias de precisão está cada vez mais comum em fazendas leiteiras, sendo que os monitores de atividade vêm sendo muito utilizados. Estes equipamentos têm a capacidade de mensurar, de forma individualizada, características produtivas, fisiológicas e comportamentais dos animais, auxiliando na rápida tomada de decisões na propriedade.  

O monitoramento de atividade fornece informações diárias e online sobre diversas características de cada animal, como, por exemplo, a atividade do animal, peso, detecção de cio, função ruminal (tempo de ruminação, ritmo de mastigação, duração de intervalo entre os bolos alimentares), temperatura, posição (em pé ou deitada) e diagnóstico precoce de eventos e distúrbios de saúde do peri-parto.  

O período peri-parto, também conhecido como fase de transição, compreende as três semanas antecedentes e subsequentes ao parto do animal. Este período é crítico, pois o animal apresenta muitas mudanças físicas, hormonais e fisiológicas ocasionados pelo parto e início da lactação, deixando-o mais vulnerável a doenças metabólicas e infecciosas.

Distúrbios de saúde no período de transição têm sido negativamente correlacionados com o desempenho reprodutivo de gado leiteiro. Estudos indicam de 55% das vacas em lactação desenvolvem algum tipo de doença metabólica e/ou infecciosa durante o período pós-parto. Estas estão associadas à menores concentrações de estradiol e progesterona, atraso na ovulação, maior tempo para a primeira inseminação, diminuição das taxas de concepção, aumento dos dias em aberto e perda na pontuação do índice de escore de condição corporal, o qual também é relacionado a reprodução. 

Dessa forma, o monitoramento constante da saúde das vacas no peri-parto, a identificação precoce de distúrbios metabólicos e/ou infecciosos e adoção de estratégias de recuperação são cruciais para minimizar as consequências produtivas e reprodutivas. Neste sentido, o monitoramento eletrônico de atividade e ruminação torna-se um grande aliado no controle peri-parto, uma vez que há correlação entre a saúde do animal, o tempo de ruminação e a reprodução.  

Vacas em lactação gastam em média 8 horas por dia ruminando, em 4 a 24 períodos, cada um com duração de 10 a 60 minutos (Gáspárdy et al., 2014). Animais que se aproximam do parto, tendem a ter menor tempo de ruminação, assim como aqueles que estão próximos ao estro.

Os níveis de ruminação são regulados no dia posterior do estro. Assim, o tempo de ruminação também auxilia na detecção do estro. Além disso, o tempo de ruminação no pré-parto está fortemente correlacionado com o do pós-parto. Em um trabalho realizado no Canadá, vacas Holandesas em lactação tiveram o tempo de ruminação diária reduzido em 63 minutos durante 24 horas antes do parto e 133 minutos durante 24 horas após o parto (Schirmann et al., 2013). Da mesma forma, em estudos conduzidos na Alemanha, a ruminação das vacas leiteiras diminuiu em 123 minutos 4 horas antes do parto e 355 minutos 8 horas após o parto (Pahl et al., 2014). 

O tempo de ruminação é muito útil para mudanças de desempenho, bem-estar, estado de saúde e doença, antes do aparecimento dos sinais clínicos. Animais no peri-parto que apresentam doenças como hipocalcemia subclínica, cetose, hipercetonemia, retenção de placenta e doenças uterinas (metrite e endometrite) têm seu tempo de ruminação reduzido. Sabe-se que metrite e cetose no pós-parto são fatores de risco para uma menor prenhez por inseminação artificial e maior intervalos entre partos. 

Geralmente, o diagnóstico de doenças metabólicas é realizado pela mensuração de metabólitos séricos como ácidos graxos não esterificados (NEFA), betahidroxibutirato (BHB), cálcio sérico, aspartato aminotransferase e haptoglobina e, que estão intimamente ligados ao tempo de ruminação diário. 

Estudo recente revelou que vacas Holandesas com algum tipo de doença (metrite, cetose, hipocalcemia, problemas digestivos e no parto) apresentaram maiores concentrações de ácidos graxos livres, BHB e haptoglobina, maior temperatura retal e menor concentração de cálcio sérico em comparação com vacas saudáveis no pós-parto. Animais que tinham algum tipo de doença, ruminavam por menor tempo e apresentaram atraso na ovulação de até 1,92 vezes quando comparadas a vacas saudáveis. Assim, a doença afeta negativamente a primeira ovulação pós-parto e está associada a alterações mensuráveis na atividade física, na ruminação e nos perfis metabólicos (Stevenson et al., 2020).

Em conclusão, o monitoramento da ruminação animal pode cumprir múltiplas funcionalidades na saúde, bem-estar e reprodução. Assim, torna-se uma ferramenta para monitorar o período de transição de vacas leiteiras, prevendo antecipadamente distúrbios metabólicos e infecciosos. Consequentemente, evita maiores prejuízos, uma vez que tomadas de decisões podem ser realizadas mais rapidamente.  

Autores
Leticia Ribeiro Marques1;
João Vitor Nogueira Almeida1;
Angélica Cabral Oliveira1;
Thaisa Campos Marques1;
Karen Martins Leão1.

1Instituto Federal Goiano – Campus Rio Verde

Referências 
Beauchemin, K.A. (2018). Invited review: Current perspectives on eating and rumination activity in dairy cows. Jounal Dairy of Science, 101, 4762-4784. 

Gáspárdy, A., Efrat G., Bajcsy, A.C., and Fekete, S.G. (2014). Electronic monitoring of rumination activity as an indicator of health status and production traits in high-yielding dairy cows. Acta Veterinaria Hungarica, 62, 452-462. 

Liboreiro, D.N., Machado, K.S., Silva, P.R.B., Maturana, M.M., Nishimura, T.K., Brandão, A.P., Endres, M.I., and Chebel, R.C. (2015) Characterization of peripartum rumination and activity of cows diagnosed with metabolic and uterine diseases. Jounal Dairy of Science, 98, 6812-6827. 

Mellado, M., García, J.E., Véliz Deras, F.G., de Santiago, M.D.L. Á., Mellado, J., Gaytán, L.R., and Ángel-García, O. (2018). The effects of periparturient events, mastitis, lameness and ketosis on reproductive performance of Holstein cows in a hot environment. Austral Journal of Veterinary Sciences, 50(1), 1-8. 

Pahl, C., Hartung, E., Grothmann, A., Mahlkow-Nerge, K., and Haeussermann, A. (2014). Rumination activity of dairy cows in the 24 hours before and after calving. Journal of Dairy Science, 97(11), 6935-6941. 

Schirmann, K., Chapinal, N., Weary, D.M., Vickers, L., and von Keyserlingk, M.A.G. (2013). Short communication: Rumination and feeding behavior before and after calving in dairy cows. Jounal Dairy of Science, 96, 7088–7092. 

Sina, M., Dirandeh, E., Deldar, H., and Shohreh, B. (2018). Inflammatory status and its relationships with different patterns of postpartum luteal activity and reproductive performance in early lactating Holstein cows. Theriogenology, 108, 262-268. 

Stevenson, J.S., Banuelos, S., and Mendonça, L.G.D. (2020). Transition dairy cow health is associated with first postpartum ovulation risk, metabolic status, milk production, rumination, and physical activity. Jounal Dairy of Science, 103,9573-9586. 

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ILSON JOSE PEREIRA

LONDRINA - PARANÁ

EM 11/12/2020

Bom dia
Excelente artigo
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