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A função dos inoculantes de silagem

NOVIDADES DOS PARCEIROS

EM 09/06/2020

5 MIN DE LEITURA

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Em todo o mundo temos uma estação em que as forragens são abundantes e outra, por estiagem ou por frio, em que são escassas.

O advento da ensilagem foi uma das maneiras pelas quais o homem viabilizou a estocagem da forragem produzida no período em que elas abundam para alimentar seus rebanhos no período de escassez. 

A ensilagem nasceu no início do século XIX, quando um agricultor alemão imitou o processo de produção do chucrute na conservação da forragem para seu rebanho. O processo foi copiado por um agricultor francês que logo escreveu um livro contando suas experiências e através deste livro elas foram difundidas nos EUA e depois na Inglaterra.

Com o passar do tempo, e fruto da observação e da ciência, o processo foi sendo entendido e aperfeiçoado até chegar aos nossos dias.

Aspectos fundamentais para a conservação da silagem:

1- A chave para uma silagem bem conservada é uma fermentação anaeróbica dominada por bactérias láticas (BAL).

2- Uma boa fermentação necessita de um teor de açúcares solúveis suficiente para produzir todo o ácido lático necessários para neutralizar o efeito tampão e baixar o pH a um nível que garanta a estabilidade da silagem.

3- Um teor de MS (aw: atividade aquosa, ou água livre) que permita o desenvolvimento das BAL.

 

Dados iniciais da forragem fresca que definem a qualidade da fermentação:

a- MS

b- Teor de carboidratos solúveis

c- efeito tampão (resistência da forragem a queda de pH)

 

a- Teor de MS:

O teor de MS pode afetar o volume de efluentes, o crescimento das bactérias e a compactação da silagem.

A atividade das bactérias diminui à medida que a MS aumenta (cai a aw) e o pH cai. Silagem pré secadas tem um pH final mais alto.

Os Clostrídios necessitam baixa MS para se desenvolverem. Assim, ao pré secar pode-se inibir o seu crescimento.

MS muito alta, inibe o crescimento das BAL, prejudica a compactação e aumenta o desenvolvimento de fungos e leveduras.

b- Teor de carboidratos solúveis:

O ácido lático é produzido pelas BAL a partir da glicose, por isto o seu teor é um ponto critico para uma boa fermentação. O teor deste açúcar costuma ser menor nos capins tropicais que naqueles de clima temperado. Nos grãos, seu teor é maior nos estágios vegetativos iniciais, e cai à medida que se produz amido. As BAL não fermentam amido nem celulose, os quais são hidrolisados pelas enzimas da forragem e pela acidez da silagem, até chegarem a glicose.

Alguns especialistas aconselham colher a forragem à tarde, quando o teor de açúcares solúveis é mais alto. O pré secado aumenta o teor de açúcares solúveis/Kg de forragem.

A fertilização nitrogenada pode diminuir o teor destes açúcares e também a MS.

c- Efeito tampão:

O efeito tampão se deve aos ácidos orgânicos e seus sais, e às proteínas em menor proporção (substâncias buffer).

Na silagem, os ácidos são neutralizados pelos metais, retardando a queda de pH, facilitando o desenvolvimento de bactérias indesejáveis e exigindo um maior teor de açúcares solúveis para chegar ao pH necessário a conservação da silagem.

As leguminosas possuem maior efeito tampão que os capins, o efeito tampão do milho é baixo e as ervas daninhas de folhas largas costumam ter alto efeito tampão.

 

Etapas da estabilização da silagem:

1- Fase aeróbica:

Esta fase inicia com o corte da forragem e cessa quando se consome o oxigênio dentro do silo. Nesta fase, as enzimas da forragem hidrolisam os carboidratos compostos (açúcares, amido, hemicelulose) a açúcares solúveis, que são o alimento que as BAL utilizam para produzir ácido lático. Essas enzimas também hidrolisam proteínas (proteólise) a peptídeos, aminoácidos, aminas e amônia. A proteólise é indesejada para ruminantes e o nível de amônia de uma silagem é um bom indicador da sua qualidade. A respiração da forragem é nociva porque produz perda de MS e de açúcares solúveis (que se transformam em CO2, água e calor), os quais são indispensáveis às BAL.

Também, enquanto durar a respiração, os microorganismos aeróbicos se multiplicam, são eles: fungos, bactérias acéticas, bacilos e leveduras, estas ultimas podem respirar ou fermentar e se desenvolvem em maior proporção quando respiram. A multiplicação destes microoganismos compromete a estabilidade aeróbica quando o silo for aberto.

Esta fase é inevitável, mas reduz tanto mais, quanto melhor for a compactação.

2- Fermentação:

O processo de fermentação é o fundamento da conservação da silagem. Os açúcares solúveis são transformados em ácido lático, o pH cai e com ele, se alcança a estabilidade da silagem ate a abertura do silo.        

Em silagens bem fermentadas, a medida que cai o pH, as enterobactérias se inativam e as BAL predominam na fermentação. Quanto mais rápida for a queda do pH, menores serão as perdas de MS e energia.

OBS: A queda do pH não é suficiente para inativar fungos e leveduras. Estes só se inativam a pH menor de 2,0.

Ao contrário, quando a fermentação é lenta ou insuficiente, os clostrídios podem predominar no lugar das BAL. Estes preferem MS baixa, assim, silagens com MS ao redor de 30% não costumam ter predominância de clostrídios.

Se a contagem de leveduras for alta, elas fermentarão o açúcar solúvel com produção de álcool. Em situações de estresse alimentar (falta de açúcar) elas podem fermentar o ácido lático.

MS muito alta inibe as BAL.

A qualidade da fermentação incide diretamente na produtividade e consumo do rebanho.

Efeito da qualidade da fermentação no ganho de peso de gado de corte sem suplementação da ração (Kg/dia).

 

Abertura do silo:

Quando o silo é aberto, os microorganismos aeróbicos começam a se multiplicar. O primeiro sinal de instabilidade aeróbica é o aquecimento da silagem, seguido pelo aumento do pH, e acontece quando a silagem foi mal compactada.

Os microorganismos envolvidos na instabilidade aeróbica são os fungos, leveduras, bacilos e algumas BAL, que em aerobiose se alimentam do ácido lático.

Alguns cuidados para diminuir os riscos de instabilidade aeróbica:

- corte, pré secado, enchimento e fechamento do silo de forma rápida.

- boa compactação,

- retirada diária suficiente.

- não afofar a frente do silo.

- quando, por qualquer motivo, a compactação for prejudicada, utilizar bactérias produtoras de ácido acético e proprionica, que atuam como fungistáticos, como inoculantes.

 

Efeitos na estabilidade da silagem:

Profundidade da penetração de ar e fatia retirada diariamente na temperatura da silagem. MS aproximada 35%.

Ins = Instável                                     S3 = Estável por 3 dias                                  S = Estável por 7 dias

 

Função dos inoculantes de silagem:

Sua função é garantir uma fermentação lática o mais rápido possível e assim diminuir as perdas de MS e melhorar a palatabilidade.

 

Autora: Maria Regina Floretto Flores.

 

Fontes:

W.C. Frazier – Microbiologia de los alimentos.

Pelczar y Reid – Microbiologia

Principles of silage preservation – dairyaustralia.com.au

 

Créditos a imagem do topo: Reis da Silagem.

 

Para saber mais, entre em contato com a Kera Nutrição Animal pelo Box abaixo:

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