Luz pulsada melhora digestibilidade da proteína que causa alergia do leite

Cientistas espanhóis afirmam ter reduzido a alergenicidade da β-lactoglobulin (BLG), proteína responsável por cerca de 10% dos casos de alergia do leite, usando tratamento com luz pulsada.[...]

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Cientistas espanhóis afirmam ter reduzido a alergenicidade da β-lactoglobulin (BLG), proteína responsável por cerca de 10% dos casos de alergia do leite, usando tratamento com luz pulsada.

Pesquisadores da Universidade de Granada e Azti-Tecnalia “modificaram artificialmente” a BLG degradando sua estrutura usando tecnologia de tratamento com luz pulsada, tipicamente usado para inativar bactérias nos alimentos.

Conforme detalhado no estudo, o método parece “facilitar a digestibilidade” sem alterar as propriedades funcionais da BLG. “O fato de o tratamento com luz pulsada não afetar a funcionalidade da proteína o torna uma alternativa valiosa para adaptar novas matrizes de alimentos com melhores propriedades funcionais, como menor digestibilidade, ingestão controlada de energia e baixa alergenicidade”.

De acordo com a Universidade de Granada, a BLG é responsável por cerca de um em cada 10 casos de alergias relacionadas ao leite. Julia Maldonado-Valderrama, que é um dos cinco pesquisadores do estudo, explicou que o BLG é difícil de digerir, devido à sua estrutura compacta e complexa que resiste ao processamento enzimático durante a digestão. Ela e seus colaboradores examinaram se a degradação dessa estrutura facilitaria a digestão. Eles estavam cientes, entretanto, de que se a estrutura fosse severamente degradada, a proteína poderia perder suas propriedades funcionais.

Ao aumentar o número de pulsos de luz, entretanto, eles descobriram que poderiam degradar a estrutura da BLG sem afetar suas propriedades funcionais. “Nós demonstramos que, em alguns casos, a luz pulsada até melhorou as propriedades de emulsão da proteína”.

Depois, eles simularam a digestão da proteína modificada usando um dispositivo, designado e construído na Universidade de Granada, chamado Octopus. O método “demonstrou” que o tratamento facilita a digestão da BLG – particularmente no intestino delgado.

 “Encontrar uma forma de melhorar a digestibilidade de proteínas sem alterar suas proprietades funcionais é um desafio atual dentro da tecnologia de alimentos e, a esse respeito, o tratamento de luz pulsada é uma ferramenta muito promissora quando se fala de produzir alimentos menos alergênicos”.

Esse processo foi patenteado pela Azti-Tecnalia.

Fonte: Dairy Reporter.
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Material escrito por:

Juliana Santin

Juliana Santin

Médica veterinária formada pela FMVZ/USP. Contribuo com a geração de conteúdo nos portais da AgriPoint nas áreas de mercado internacional, além de ser responsável pelo Blog Novidades e Lançamentos em Lácteos do MilkPoint Indústria.

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