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Práticas de manejo associadas com ocorrência de Staphylococcus aureus no tanque

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E BRUNA GOMES ALVES

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 02/11/2016

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Bruna Gomes Alves* e Marcos Veiga dos Santos

A mastite é atualmente a principal doença de rebanhos leiteiros e na maior parte das vezes as causas são de origem bacteriana. Dentro os principais agentes causadores, o grupo de Staphylococcus sp são os agentes etiológicos mais isolados em amostras de leite mastítico, sendo que o S. aureus é a espécie mais isolada em casos de mastite subclínica. A mastite causada por S. aureus caracteriza-se por baixa taxa de cura, devido aos mecanismos de virulência e à alta resistência aos antibióticos. As vacas infectadas atuam como fontes de infecção permanente e o S. aureus pode ser transmitido durante toda a lactação.

S. aureus encontra-se preferencialmente no úbere de vacas infectadas e consequentemente, o isolamento de S. aureus em amostras de tanque indica o status de infecção do rebanho, mas para a identificação das vacas positivas, recomenda-se a coleta individual por quartos mamários. Embora a coleta individual tenha maior precisão para indicar a prevalência deste agente causador de mastite no rebanho, este processo pode ser limitante pelo grande número de amostras a serem examinadas em consecutivas coletas, ter custos maiores e exigir um tempo maior de execução. A cultura de tanque tem sido utilizada para avaliar a qualidade do leite, bem como monitorar a ocorrência de patógenos contagiosos causadores da mastite. Estudos recentes no Canadá e EUA indicaram que a prevalência do S aureus em nível de rebanho variou de 43 a 74%, quando foi feita uma amostragem com de amostras de tanque.

Embora S. aureus seja isolado também no ambiente, como por exemplo em cama contaminada, a maior fonte de transmissão de S. aureus ainda é contagiosa, via equipamento de ordenha, mãos dos ordenhadores, uso de mesma toalha, no momento da ordenha. As práticas adequadas de manejo e higiene auxiliam o controle da mastite por S. aureus, como linha de ordenha, manutenção do equipamento de ordenha e uso de desinfetantes pré e pós ordenha.

Para estimar a prevalência do S. aureus em amostras de tanque, avaliar as práticas de manejo e características de rebanho associadas à presença deste patógeno, um estudo foi conduzido em 2750 rebanhos norte-americanos no ano passado. Foi realizado um questionário entre os produtores para pesquisar as características do rebanho e as práticas de manejo utilizadas, bem como avaliar os interesses e o nível educacional de cada um. Adicionalmente, amostras de tanque foram coletadas em 3 diferentes tempos com intervalos de 1 mês.

Ao final do estudo, 307 rebanhos foram incluídos no estudo e forneceram as amostras de tanque para cultura. A prevalência do S. aureus foi de 48% entre os rebanhos estudados quando foi considerada somente uma coleta de leite de tanque; 64% para duas coletas e quando foram consideradas as 3 coletas, o S. aureus foi positivo para 69% das amostras. Adicionalmente, o estudo demonstrou que a chance de detecção do S aureus nas amostras de tanque aumentam com o aumento da CCS do tanque. Em rebanhos com CCS maior do que 300.000 cels/mL a chance de detecção do S. aureus nas amostras de tanque foi 7 vezes maior do que em rebanhos com a CCS menor do que 150.000 cels/mL. Ainda, essa probabilidade de detecção diminuiu em 2 vezes naqueles rebanhos que indicaram fazer ao menos 4 das práticas de ordenha recomendadas (limpeza dos tetos, pré e pós dipping e o uso de uma tolha por teto).

O estudo evidenciou que os produtores estão cientes da importância dessas práticas de ordenha na prevenção e controle da mastite, entretanto a implementação destas práticas depende da habilidade do produtor em motivar os seus funcionários. Do total de questionários obtidos, 37% nunca realizou cultura microbiológica de mastite clínica, 51% realizava ocasionalmente e 12% realizava cultura de todos os casos ou somente para casos crônicos. De acordo com a CCS, 62% dos rebanhos tinham uma média de 300.000 cels/mL durante 3 meses anteriormente à pesquisa, sendo que nos rebanhos maiores do que 200 vacas a CCS do tanque era menor do que em rebanhos pequenos.

Com relação às características do rebanho, o aumento da chance de detecção de S. aureus foi maior naqueles com livre acesso ao pasto e naqueles que não utilizavam somente areia como cama. Além disso, rebanhos abertos que não realizavam quarentena após a compra de animais tiveram maior frequência do S. aureus na cultura de tanque quando comparados aos rebanhos que utilizavam a quarentena. 

Os resultados mostraram que o exame microbiológico do leite de tanque pode ser empregado desde que as coletas sejam coletadas adequadamente em intervalos de tempos conhecidos, com pelo menos três coletas consecutivas e identificação rápida e precisa dos agentes etiológicos, especialmente em relação ao S. aureus. Embora a cultura do tanque ofereça vantagens é importante salientar que ele não substitui a cultura por quartos mamários individuais no diagnóstico das infecções intramamárias e a ausência de resultado pode não oferecer a garantia da ausência do patógeno no rebanho. Ainda assim, pode ser útil para auxiliar programas de monitoramento da mastite.

Fonte: da COSTA, L.B; et al Management practices associated with presence of  S. aureus in bulk tank milk from Ohio dairy herds. J. Dairy Sci. v 99, p 1364-1373, 2016.

*Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Produção Animal, FMVZ-USP.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/02/2017

Prezado Maurício, a classificação entre mastite ambiental e contagiosa não está relacionada com a gravidade da mastite e sim com o tipo de transmissão: a) contagiosa a partir de uma vaca doente; b) ambiental: a partir do ambiente que a vaca fica.

Sugiro o seguinte radar para mais detalhes:
https://www.milkpoint.com.br/mypoint/6239/p_controle_da_mastite_causada_por_patogenos_ambientais_mastite_ambiental_controle_vaca_leiteira_5324.aspx

Atenciosamente, Marcos Veiga
MAURÍCIO SEMENSE

GAURAMA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 22/02/2017

BOA NOITE !!!

Gostaria de saber quais são os agentes causadores de mastite, para cada tipo: Mastite clínica, subclínica e ambiental.

E o porque falam em mastite ambiental. Se é apenas um nome dado a esta mastite muito grave que chega até a morte de animais ou porque ela é causada por micro organismos ambientais?

Muito obrigado
Maurício
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/11/2016

Prezado Cassio, infelizmente, não posso indicar um antibiótico em específico, pois não temos estudos que tenham comparados os vários antibióticos disponíveis no mercado. De qualquer forma, a minha recomendação seria o uso de bisnaga intramamária com antibióticos de amplo espectro, com 5 dias de duração do tratamento (1 ou 2 bisnagas por dia, dependendo da recomendação de bula) e uso de antibiótico injetável por 3 dias (exemplo enrofloxacina).

Veja que esta seria somente uma sugestão. Além disso, depois do tratamento, recomenda-se que as vacas sejam avaliadas após 14 dias do tratamento para identificação da cura (pelo menos duas amostras com intervalo de uma semana),

atenciosamente, Marcos Veiga

Atenciosamente, Marcos Veiga
CÁSSIO

CARMO DO PARANAÍBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/11/2016

Boa tarde Marcos Veiga, no caso de tratamento para combate à AUREUS, qual intramamario e injetável você recomenda para fase de lactação e também para secagem?
Estamos com ccs na média de 700 na fazenda.
Queria saber se vale a pena tratar os animais afetados.


Obrigado
Cássio Coelho
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/11/2016

Prezado Fernando,

Com base na sua descrição da situação da fazenda, eu colocaria alguns comentários que podem ajudar a tomar a melhor decisão:
1) Quando um rebanho apresenta alta prevalência de S. aureus, como causa de mastite subclínica, a minha recomendação é fazer uma avaliação geral da fazenda para saber o tamanho exato do problema, ou seja quantas vacas realmente estão infectadas. Quando se faz uma amostragem, pode não ter a ideia exata do problema. Sendo assim, minha recomendação seria coletar amostras de todas as vacas para cultura (rebanhos pequenos) ou fazer a CCS/CMT e depois fazer a cultura das vacas positivas.
2) As vaca positivas devem ser segregadas (formação de lotes e separação na ordenha) e ordenhas por último.
3) Do total de vacas positivas, a recomendação é fazer a secagem (com bom produto de vaca seca) das vacas em final de lactação, para reduzir a necessidade de descarte de vacas e de leite. As vacas positivas tem que ser coletadas no pós-parto para saber se tiveram cura ou não (pelo menos duas culturas pós-parto) com intervalo de uma semana.
4) Depois da secagem das vacas, recomendo verificar quais as vacas que podem ser descartadas, que são geralmente vacas velhas, com outros problemas associados (reprodução, casco, aprumo, etc);
5) Se a fazenda apresentar uma alta prevalência de S. aureus, mesmo com as etapas anteriores, eu penso que o tratamento durante a lactação seja uma possibilidade, ainda que possa ter cura variável. Eu recomendaria o uso de tratamento intramamário por 5 dias associado com antibiótico injetável por 3 dias. Após 14 dias do tratamento, recomenda-se fazer uma ou duas culturas para saber se as vacas tiveram cura. AS vacas que já passaram por um tratamento na lactação ou secagem e que não curaram podem ser selecionadas para o descarte.
6) Paralelamente a todos estes procedimentos, recomendo o uso de vacina especifica para S. aureus, que pode ser uma ferramenta auxiliar de aumento de imunidade de todas as vacas e redução da transmissão entre as vacas.

Atenciosamente,

Marcos Veiga
FERNANDO

BANDEIRANTES - PARANÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 10/11/2016

Bom dia Professor Marcos Veiga.
Sou Fernando Henrique, Médico veterinário e trabalho em um Lacticínio com alguns programas de qualidade de leite, e dentre um dos programas é o de controle de células somáticas, e já diagnostiquei 2 rebanho que em 10 culturas de animais realizadas um 8 e o outro 9 animais foram positivas somente para Staphylococcus aureus, nesse caso a melhor forma de controle seria eliminar os animais positivos ou seus respectivos tetos, ou tentatria o tratamento e em caso de resultado negativo partir para essas opções?
*Obs: Os rebanhos já estão com linha de ordenha, pré-dipping duplo com retirada dos 3 jatos entre o primeiro e segundo Pré-Dipping, como também desinfecção de teteiras com cloro entre todos animais.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/11/2016

Prezado Fábio, o artigo não disponibiliza este questionário. atenciosamente, Marcos Veiga
FÁBIO LUIZ DE OLIVEIRA

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - TÉCNICO

EM 10/11/2016

Teria um modelo do questionário aplicado aos produtores do programa.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/11/2016

Prezado Richard,

A cultura de amostras de tanque pode dar uma ideia geral sobre a ocorrência de mastite contagiosa, principalmente causada por S. aureus e Strep. agalactiae. No entanto, esta análise de tanque não dá informações sobre quais animais e quantos estão infectados. Neste caso, necessita-se fazer a cultura individual por animal.

Atenciosamente, Marcos Veiga
RICHARD ALBERTO

CAMPO BELO - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/11/2016

olá td bom.bem pelo que entendi podemos fazer tiragen de amostra do leite do tanque e assim descobrir se tem ou não foco ou msm algum animal contaminado?