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O que o levantamento dos 100 maiores nos diz (e o que ele não nos diz!)

O MilkPoint publicou recentemente o levantamento Top 100, que procura estudar os 100 maiores produtores de leite do país. Iniciado em 2001, o Top 100 serve como uma referência no grupo dos maiores e teoricamente mais dinâmicos produtores do país. Mesmo não representando uma parcela significativa da produção, ele permite que se faça inferências a respeito das tendências entre aqueles que estão na ponta - ao menos em volume de leite.

O relatório completo pode ser acessado no link http://www.milkpoint.com.br/top100/final/2012/, mas o objetivo desse artigo é discutir alguns aspectos interessantes que, em uma primeira análise, passam ao largo da abordagem convencional que utilizamos para redigir o trabalho, que contou com o patrocínio das empresas CRV Lagoa, Dow Agrosciences, Elanco Saúde Animal, Kera Nutrição Animal e Nutron.

Um primeiro aspecto que chama a atenção é que, nos últimos 6 anos, os 100 maiores cresceram menos do que a produção inspecionada brasileira, tanto na média como em valores absolutos em todos os anos (gráfico 1). Na média, os top 100 cresceram 3,40% ao ano nos últimos 6 anos, contra 4,80% da produção total, considerando que em 2011 a produção inspecionada teria crescido 2,9% - dados não confirmados ainda.

Se analisarmos o período inteiro desde o início do levantamento, excluindo o primeiro ano, quando o top 100 estava em seu início e muitos produtores não entraram, resultando em um aumento de mais de 20% de 2001 para 2002, o que evidentemente não corresponde à realidade, o aumento foi de 4,55% contra 5,62% do total. Ainda assim, os 100 maiores cresceram menos.

Gráfico 1. Aumento anual dos Top 100 e da produção inspecionada do Brasil (fonte: IBGE e MilkPoint)



É intrigante o fato dos maiores produtores crescerem menos do que os demais, ainda que não tenhamos base para comparação em relação ao que ocorre no restante do mundo ou mesmo em outros segmentos da economia. Os dados do Censo do IBGE de 2006/2007, trabalhando com outra base de dados, concluiram de forma semelhante que os produtores com mais de 200 kg/dia representam uma porcentagem de leite menor do que há 10 anos (embora, como já ponderei em artigo recente , é de se especular se, fazendo-se o Censo agora, 5 anos depois, não teríamos uma realidade diferente).

Os maiores produtores são aqueles que têm melhor potencial de negociação, seja na venda do leite, seja na compra de insumos. Também, estão em uma melhor posição para ter acesso a informação e contratar melhor do que os menores produtores, uma vez que as possibilidades de remuneração e ascensão são maiores do que em um pequeno produtor de leite. Em outras palavras, se a produção de leite no país é uma atividade viável - e as taxas de crescimento sustentadas ao longo dos anos não nos sugere outra coisa - esses grandes produtores são os que mais lucram com a atividade.

Porque, então, esses produtores crescem menos do que a média? A essa altura, não é possível concluir nada a respeito, mas é interessante levantar alguns pontos (e se possível, contar com a colaboração da comunidade MilkPoint para discutir o tema).

Um deles, já abordado no mesmo editorial referido acima, reflete o custo de oportunidade do capital, incluindo terra. O mesmo produtor que têm acesso a informação talvez esteja em uma posição mais favorável para analisar outras oportunidades de investimento que possam se mostrar mais interessantes - sejam mais rentáveis, mais seguras ou menos trabalhosas. Nesse sentido, não basta o leite ser rentável - ele precisa ser mais atrativo do que outras atividades.

A importância dessa constatação pode ser compreendida quando se analisa a posição de São Paulo no primeiro ranking (2001) e no último (2012 - referente a produção de 2011). Na primeira edição http://www.milkpoint.com.br/mn/top100_2001/ , São Paulo tinha 29 produtores, contra apenas 10 no ranking atual. É sabido que São Paulo é o estado que, historicamente, tem apresentado os maiores custos de oportunidade da terra, com muitas propriedades próximas a áreas urbanas ou sujeitas a citricultura e cana-de-açúcar, representando uma concorrência mais intensa com o leite.

Outro aspecto que está ligado ao anterior ao contribuir para a redução da atratividade da atividade, mas que segue por uma outra linha refere-se a presença de mão-de-obra contratada e a elevação dos custos desse item nos últimos anos, aspecto já bastante discutido no MilkPoint. É importante lembrar que os 100 maiores cresceram no período - porém menos do que a média nacional. Há quem argumente que o grande vetor do crescimento da atividade no país - a produção nos estados do Sul - está alicerçado sobre a mão-de-obra familiar, não sujeita no curto prazo e da mesma maneira a elevação de custos verificada nesse quesito. Indo por essa vertente, a produção dos grandes produtores não seria tão atrativa quanto poderia se supor analisando os ganhos de escala; o leite seria uma atividade mais atrativa para produtores familiares, o que ajudaria a explicar a média do país crescer mais do que os grandes. Ainda que isso possa explicar parte do crescimento da, é sensato afirmar que a tendência futura é outra ao considerarmos o aumento do custo de oportunidade do trabalho desses agricultores familiares, principalmente da geração seguinte.

Outros aspectos podem ser considerados também, como o ambiente de investimentos para expansão, assunto que estamos pesquisando agora no MilkPoint e que concorre para que o leite possa ser ou não uma atividade atraente para os grandes produtores, passando por diversos aspectos como a facilidade de captação de recursos, os juros praticados, as ferramentas para redução do risco de mercado e operacional, a facilidade de automação, etc (os resultados desta pesquisa serão apresentados no Interleite Sul, em Chapecó, no início de abril).

Um outro ponto que me chama a atenção no levantamento é a forte presença dos produtores da região de Ponta Grossa, Paraná, no levantamento. De fato, apenas um produtor do Paraná não se encontra nessa região - são 20 produtores em apenas dois municípios - Castro e Carambeí. Em 2001, já eram 13 produtores.

Será essa concentração fruto de um único fator, ou de vários? Entre as possíveis razões, estão: a) clima favorável, permitindo que se cultive forrageiras de inverno de alta qualidade - normalmente é o fator apontado pela maioria, mas não creio que explica o fato por si só; b) questões culturais - predomínio de descendentes holandeses com forte identificação com a atividade; c) estrutura de cooperação bem consolidada, com fundação para pesquisa e cooperativas para agregação de valor; d) base genética de alta qualidade; e) qualidade do leite, permitindo remuneração superior; f) opções de serviços terceirizados, como na colheita de silagem e produção de volumosos e assistência técnica de qualidade, fruto da existência de um número grande produtores em uma área relativamente; g) base agrícola forte; h) sistema de produção que permite captar o ganho decorrente dos bons preços.

As perguntas que devemos fazer são: o sucesso da região nessa última década deverá se manter ou ampliar para frente? E, mais importante, o sucesso de Castro e Carambeí poderá ser reproduzido em outras regiões? Para a primeira pergunta, se considerarmos que o mercado de leite se manterá no rumo atual, fruto do crescimento da demanda, a resposta é que sim, a região tem um bom futuro pela frente. Já a segunda questão é mais complexa de se responder, embora acredite que seja possível reunir várias daquelas características e criar clusters de produção de leite que sejam muito eficientes (claro que com características diferentes).

Um ponto seguinte que merece rápida análise é a perda de participação do Sudeste ao longo do tempo, ainda que Minas Gerais tenha aumentado de 39 para 46 fazendas nesse período. Além da saída das fazendas do RJ e ES do ranking (eram 3 em 2001) e da perda de SP e subida do PR, nota-se o aumento das fazendas do Nordeste e Centro-Oeste (gráfico 2).

Gráfico 2. Variação das fazendas por região ao longo dos anos



Há que se notar produtores com forte aumento e que não estão no eixo Minas-SP: Agropecuária Palma (DF), Fazenda Figueiredo (Goiás), Luiz Girão (Ceará), Henrique Stédile e Irmãos Strobel (Rio Grande do Sul) e Leite Verde (Bahia), são alguns exemplos. É interessante acompanharmos o desenvolvimento desses projetos - muitos deles novos - nos próximos anos.
Ainda, uma observação final, que redime parcialmente São Paulo. Apesar de ter apenas 10 produtores entre os maiores, os 3 primeiros são deste estado - e na mesma ordem daquela verificada em 2001. Aliás, o quarto maior também é o mesmo, mostrando que, apesar das grandes mudanças nesse período, o grupo dos 4 grandes permanece ainda o mesmo. Talvez não por acaso os 4 maiores produzam leite tipo A.
Essas são algumas das análises que podem ser feitas a partir do Top 100 2012. E você, o que lhe chamou a atenção nesse levantamento? Participe comentando abaixo.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 04/03/2015

Ilustre Bia, a sua colocação, com o devido respeito, de não ter dado certo, com certeza, aconteceu com milhares neste Brasil. E, agora, com este total desgoverno, deverá engrossar estes milhares. Na verdade, salvo melhor juízo, os laticínios, que se preparem, para produzirem sua matéria prima, porque produzir sem agregar valor, ficando nesta de entregar a matéria prima para os laticínios, cuida de um modelo superado, o tempo dirá. ABC.  
BEATRIZ MARTINS RIBEIRO FERDINANDES

ARAPONGAS - PARANÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 02/03/2015

Sou a Bia de Arapongas em 2009 quebrei com o leite. Aprendi muito na faculdade e com meu irmao Engenheiro Agronomo da Cati de Euclides da Cunha Paulista -Dr.Fernando Martins Ribeiro.



Meu irmao é um crânio em produçao soube fazer 100 litros tirado na mao para 8000 mil litros em 12 anos, mas com a situaçao na epoca o leite nao dava o retorno que nos investimos pelo banco e nao pagava as contas no final. Tinha quase tudo da teoria na pratica, alimentaçao era de primeira qualidade tudo espelhado com os melhores mestres do mercado, genetica, qualidade de leite, etc.



Sou veterinaria o que me restou de tudo isto foi aprender trabalhar, e a parte pior foi separaçao da sociedade e da familia. E a perda dos animais. Nós aprendemos trabalhar certo para ajudar o Brasil ser o celeiro do Mundo mas nao deu certo conosco.



Mas estamos aqui para ajudar outras empresas. Conte conosco. Somos humildes e sabios para dar sabedoria.Fiquem com Deus e sorte nos negocios.
MÁRIO SÉRGIO FERREIRA ZONI

PONTA GROSSA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/03/2012

Prezado Vicente

As informações no ultimo texto são complemento do texto anterior que havia postado em 12 de Março.

Para quem parecia saber "bastante" de indicadores, não entender informações tão simples me surpreendeu


Att

Mário Sergio F Zoni
ADILSON DA MATTA ANDRADE

MURIAÉ - MINAS GERAIS

EM 16/03/2012

É Vicente,acho que o Sr. Mario não entendeu do que estamos falando,  estamos falando em comparar sistemas pela produtividade exatamente como ele só agora expôs, os números  dele estão ótimos, esta no topo, sabemos muito bem que existem fazendas com estes números assim como outras com rotacionais e ferti-irrigação com números similares e  que a média nacional, acho eu, não passa de 10% disto; e é ai que entramos; quanto destes hectares afinal ele gasta com a produção de leite e quanto com a recria.

              Pois muitos falam, como ele falou, em 50.000 litros por hec e pensa como ele, outros pensam diferente e consideram 50.000 litros tratando apenas dos animais no leite, e entre estes dois pode haver vários modos de pensar e de analisar.

              Estamos conversando a nível nacional, aonde há produtores que alojam vacas e produtores que não alojam, ou nem sabem significado da palavra alojar dentro da pecuária leiteira. Então para começar poderíamos então falar de vacas em lactação em vez de vacas alojadas, ai sim estaríamos caminhando para o entendimento.

              Há produtores de leite no pais com viabilidade econômica tratando  com palma forrageira, com hectare de terra a um custo de 10% de terras sulinas aonde é viável a cultura do azevém, por isto insisto que quando tratarmos de números, explicarmos com carinho e sem arrogância pois todos podemos aprender um pouco mais.

              Abraços para todos.

              Adilson
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 15/03/2012

E ai Adilson, conseguiu entender o que o Nobre Mário quiz dizer. Caso afirmativo, gentileza fazer uma tradução para mim, porque não consegui. Desde já obrigado. Abraços.
MÁRIO SÉRGIO FERREIRA ZONI

PONTA GROSSA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/03/2012

Boa noite Adilson e Vicente

Nestes 130 hectares estão alojados 1018 animais, sendo 532 vacas adultas sendo 480 em produção ( Média anual), Produção média do rebanho 39 Litros/Vaca/dia, alojadas em Free Stall.

Toda a recria é feita nesta mesma área.

Produção de volumoso por hectare/ano ao redor de 22.200 Kg de Matéria seca com um plantio de Milho somente. A rotação é bianual da seguinte forma:

Milho para silagem  20.435 ton MS ou 67 ton MO

Soja para silagem    7 ton MS ou 35 ton MO

Aveia para cobertura

Soja para venda

Centeio para silagem  7 ton MS ou 28 ton MO

Azevem / Cevada para silagem 10 ton MS ou 40 ton MO

O material não é irrigado sendo apenas fertirrigado com o próprio dejeto recolhido do Free Stall e processado no biodigestor.

O volume de leite proveniente de forragem está ao redor de 18 litros/vaca/dia, considerando que os animais encontram-se com consumo de concentrado ao redor de 8,7 Kg de MS por vaca/dia, e custo alimentar dos lotes em produção incluindo custo oportunidade terra e lucro agrícola em R$ 11,76 o que representa 30% do faturamento Leite

Acredito que os valores de distribuição de animais e produtividade que vocês dispõem como referência estão há muito defasados ou são provenientes de outro tipo de produtores com indicadores muito deficientes.

Att

Mário Sergio F Zoni
ADILSON DA MATTA ANDRADE

MURIAÉ - MINAS GERAIS

EM 13/03/2012

Caro Mario Sergio.

Infelizmente não é tão óbvio (e se é obvio é quando todos entendem) assim a maioria se confunde, ou a maioria é confundida por técnicos, produtores, e institutos que falam diferente, acho que penso como você, mas, o que você entende por "toda a recria", recriar todas as fêmeas nascidas ou só as que precisam para reposição?

Como vê eu e o Vicente concordamos que tem outros que acham que o óbvio é diferente do que você acha, pois todos os dias temos exemplos de reportagens ou comentários, ou palestras com análises numéricas diferentes.

Abraços

Adilson
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 13/03/2012

Ilustre Mário Sérgio Ferreira Zoni, da minha inesquecível Ponta Grossa, que a conheço desde os anos/70, quando trabalhava na extinta e saudosa CIBRAZEM. Este números lançados a grosso, deixa inumeras dúvidas. Veja bem, nestes 130 hectares, qual a população de vacas em lactação, de vacas secas, de novilhas, de novilhotas e de bezerras. Pois, supondo 800 vacas em lactação e 200 secas, com média de 8750 litros em 300 dias, chegariamos a 7.000.000 de litros de leite. Estas 1000 vacas comendo 30 quilos de volumoso dia, nos 365 dias resultaria em 10.950 toneladas, se dividirmos pelos total a área 130 hectares, já precisariamos de uma produção de 84 toneladas por hectare. Mas, vamos trabalharmos com duas safras de silagem na mesma área, já seriam 42 toneladas por hectare. Mas, como sabemos, que não se produz leite, apenas com volumoso. Dentro disto, em admitido, que cada animal com esta produção, consome diáriamente 10 quilos de concentrado, estes 1000 animais, em 365 dias demandaria 3.650.000 quilos, que numa produção de 12.000 quilos por hectare, já demandariam 304 hectares. Ora, 304 hectares do concentrado + os 130 hectares do volumoso, temos 434 hectares. Conclusão 7.000.000 de litros, divididos pelos 434 hectares, chegariamos a pouco mais da metade da produção, ou seja 30.380 litros hectare. E, as novilhas, as novilhotas e as bezerras, não entraram nesta conta. Como diz o Ilustre articulista Adilson da Matta Andrade,  na sua irretocável colocação, qual seja: - "Não importa o que se colocaria na conta, o importante é falarmos a mesma língua, ou seja; leite por hectare incluiria isto e aquilo, ou, aquilo menos isto, mas os parâmetros seriam o mesmo, ai sim nossas conversas seriam mais produtivas. Abraços.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/03/2012

Prezado amigo Mário Sérgio Ferreira Zoni: Preciso como um cirurgião, como sempre. O que se percebe, de corriqueiro, é que há uma grande confusão envolvendo a  quantificação de produtividade com parâmetro em área, causada, muita vez, pelos que defendem sistemas de criação extensiva, no afã de comprovar a superioridade - diga-se de passagem, inexistente - deles sobre o sistema de reclusão integral de bovinos de leite.

Quanto ao "número mágico" que você cita, lembro que, no tempo de meu avô, uma vaca de elite, produzia, em uma só ordenha, doze a treze litros de leite. Hoje, as minhas, em uma só ordenha, passam dos vinte e cinco. É o limite: tenho certeza que não, nem para a produção individual nem para as coletivas - muito ainda há que evoluir e temos que caminhar sempre para este ponto.

Finalmente, entendo que o valor "leite por vaca alojada" seria mais sincero que o de produção por hectare, você não acha? Sim, porque, neste caso, o que se tem, independentemente de sistema adotado, é a quantidade de leite que cada animal produz e, não o que acontece com o rebanho num todo.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MÁRIO SÉRGIO FERREIRA ZONI

PONTA GROSSA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/03/2012

Prezado Adílson

É óbvio pelo menos para mim, que quando se fala de produtividades de leite por hectare, a total produção de forrageira é produzida na fazenda e toda a recria é feita na mesma área, caso contrário o valor referencial seria Leite por vaca alojada.

Quando relatei a busca de toda a região por produtividades acima de 50.000 litros por hectare/ano, não mencionei que isto é fruto de intenso trabalho coordenado da pesquisa, assistência técnica e principalmente dos próprios produtores que no nosso caso custeiam integralmente este trabalho.

Sendo assim começam a despontar propriedades com produção ao redor de 7.000.000 de litros anuais usando uma area total de 130 hectares incluindo recria e áreas com estradas e instalações. Este resultado como diz o produtor é uma soma de talentos como em uma orquestra, conciliando boa reprodução, altas médias de produção excelente recria, excelente produção de forrageira, etc

Este número mágico de 50.000 litros é o limite? Qual sera o próximo desafio? O tempo e o esforço de muitos irá responder nos próximos anos, corroborando os passos que foram trilhados até hoje.

Att

Mário Sergio Zoni
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 12/03/2012

Ilustre Adilson da Matta Andrade, com a sua permisão, permita-me transcrever este parágrafo da sua irretocável colocação, qual seja: - "Não importa o que se colocaria na conta, o importante é falarmos a mesma língua, ou seja; leite por hectare incluiria isto e aquilo, ou, aquilo menos isto, mas os parâmetros seriam o mesmo, ai sim nossas conversas seriam mais produtivas". Esta sua colocação é muito sensata e, vem de encontro a minha forma de ver a questão de produção por hectare. Pois, não se deve enganar ninguém e, menos ainda, a si próprio e, muito menos confundir institutos diferentes, como é o caso "de produção por hectare" e "custo de produção", que são institutos totalmente diferentes. Abraços.
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/03/2012

Prezado Adilson,

Não existe justificativa para falarmos em área de produção do exceto se for produzido dentro da própria fazenda. Se a gente for fazer estas contas que não tem utilidade nenhuma para ninguém deveremos também fazer conta das aréas de terra onde são explorada a argila para fazer os tijolos de nossas construções, as áreas de produção de madeira para o carvão que é usado para a fabricação do aço usado em nossos carros, tratores, arame, pregos, etc., além das áreas onde são criados os bois que nos fornecem carne, couro... se formos fazer conta de tudo que utilizamos não vamos ter tempo de cuidar de nossas vacas, não acha?
ADILSON DA MATTA ANDRADE

MURIAÉ - MINAS GERAIS

EM 09/03/2012

Aos companheiros Guilherme e Vicente, sou convicto pelos meus mais de 50 anos de convivência com a produção de leite, e depois os 29 como técnico, que a lucratividade esta na conduta de proprietário e funcionários e não no tipo de exploração (confinado ou a pasto) todo sistema bem  conduzido é lucrativo.

Mas!!!!, esta bola que o Vicente levantou é muito interessante, quando vejo as reportagens sobre produtividade por área, não se tem nem alusão se os volumosos são adquiridos ou produzidos na área, e muito menos sobre animais de reposição e quantia destes, area de produção do concentrado então, nunca é tocado no assunto.

Não importa o que se colocaria na conta, o importante é falarmos a mesma língua, ou seja; leite por hectare incluiria isto e aquilo, ou, aquilo menos isto, mas os parâmetros seriam o mesmo, ai sim nossas conversas seriam mais produtivas.

Apenas para exemplificar, eu poderia achar conveniente uma reposição de vacas mestiças 25% ao ano vendendo uma boa parte das vacas mais velhas (quarta cria) ainda para produção para alguém que interesse pela genética do animal alem da produção, me pagando por ela um valor que muito me ajuda no custo dos animais de reposição, quando não paga ele todo, outro pode interessar por repor 15% ao ano vendendo as vacas velhas para corte, e outro pode achar interessante comprar vacas de terceiros e não ocupar sua área com animais de reposição.

Por isto, tenho como conduta sempre trabalhar com o custo recria separado do custo leite pois são atividades distintas, é valido para mim, para comparar um sistema que acompanho com outro, mas quando vejo  uma reportagem, ou conversa técnica, vejo que pode ter outros parâmetros e fica pouco proveitoso discutir, pois os números e os parâmetros não são claros.

Abraços

Adilson da Matta Andrade
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/03/2012

Prezado Vicente Rômulo Carvalho: Obrigado pelos elogios. Foi o que afirmei - no cômputo das áreas gastas com a pecuária confinada, pode-se incluir as que se destinam ao milho (para silagem) e à cana de açúcar (utilizada como volumoso). Já o que se adquire de terceiros, não, por um motivo muito simples - já foram computadas nas contas daquele produtor. Por óbvio, as faixas de terreno utilizadas pelos animais solteiros e amojando também serão incluídas no cômputo, já que estes serão, posteriormente, utilizados no meio de produção. Como meu rebanho é pequeno, estes últimos aspectos são muito diminutos e quase não interferem na área total, mas, sim, merecem ser adidos.

Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 06/03/2012

Ilustre Guilherme Alves de Mello Franco, suas colocações são muito próprias e fundamentadas, me sinto bem quando deparo com as mesmas. Parabéns e, não suma. Todavia, com a devida vênia, salvo melhor juízo, parece que não lhe fiz entender. Ora, longe de mim, pelo menos ter sonhado, que em sistema de confinamento e/ou de reclusão integral e/ou de free stall, dentre outros assemelhados, não se produz mais leite ou mais carne por hectare. Isto não se discute e, não se pode pensar ao contrário. Mas, quando alguém, diz que em 1/2 hectare se produz aqueles números já ditos, de proteina animal, para mim ele não disse nada, a não ser uma grande besteira. E, neste sentido foi a minha colocação.  Agora, vamos ser sinceros, para se falar em litros de leite por hectare, se não mensurar e computar a área de produção pelo menos do volumoso e do concentrado, quer se produza estes na propriedade ou se adquire de terceiros. E, não se inclua todos os animais da propriedade, desde a bezerra recém nascida até a novilha amojando, bem como as vacas secas, não se pode chegar perto de número confiável. Por favor, me corrija se estiver errado e, de forma convincente. Abraços.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/03/2012

Prezado Vicente Rômulo Carvalho: É muito cômodo, ao defender um sistema que se utiliza, irremediavelmente, de grande extensões de terra, como a criação dita a pasto, criticar as demais formas de manejo colocando em suas costas terrenos que não lhes pertencem. As plantações de soja e de milho, destinadas ao consumo do gado confinado já foram contabilizadas, quando não pertinentes ao criador propriamente dito, nas contas daqueles que produziram os grãos e, portanto, não devem e não podem ser incluídas na área ocupada pelo confinamento, já que a ele são estranhas. Concordo em colocar à disposição destes cálculos, apenas e tão somente, o aglomerado de território utilizado para a agricultura da própria propriedade, como as plantações de milho e cana destinadas à silagem a ser utilizada como volumoso, para consumo interno. Mesmo assim, o sistema de reclusão integral de bovinos de leite é, em muito, superior, quando se pretende verificar a produtividade por hectare, já que as altas produções são insuperáveis no mesmo. Por outro lado, lembro a você que este mesmo gasto de terras deve ser conduzido aos demais sistemas, já que, somente com o capim da pastagem, não é viável produzir leite e a suplementação é atitude indene de dúvidas em qualquer sistema. E, acredite, haja suplementação para fazer uma vaca desprovida de genética chegar aos vinte litros de leite/dia como querem os extensivistas.

Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
ROBERTO TRIGO PIRES DE MESQUITA

ITUPEVA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 05/03/2012

Prezado Marcelo,

A meu ver a tendência dos investimentos dos Top 100 tende a ser cada vez mais concentrada na agregação de valor das produções comercializadas, razão pela qual a gestão pelo caixa dessas fazendas demonstra a cada nova safra a mais valia da aplicação de recursos no processamento próprio do leite e fabricação de derivados.

Como voce mesmo diz ao final do seu ótimo artigo, "talvez não por acaso os 4 maiores produzam leite tipo A".  

Abraço

Roberto
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/03/2012

Caros amigos,

Só se aumenta o leite em grande escala com investimentos.

A pergunta seria por que o Brasil não tem grandes produtores investindo na atividade? Os 100 maiores produzem 12 mil litros por dia em média e isso é apenas 1% do total, ou seja, nada.

Nos EUA, 700 produtores produzem 36% do total do país com média de 125 mil litros por dia por fazenda.   

A resposta vem como sequela dos longos anos de tabelamento e tratamento político do leite; já a abertura comercial de 1991 foi muito atabalhoada e vivemos anos difíceis no final da década passada, ainda engatinhando em política comercial externa nas importações de produtos subsidiados e sujeitos á dumping.

Recentemente o quadro melhorou bastante, porém ainda com grande volatilidade cambial, o que nos levou a sair do leite mais barato para um dos mais caros do mundo em poucos anos, sem que nada se modificasse em nossa competência na produção, mas apenas por conta do câmbio.

Quando deixamos de ser exportadores liquidos em 2004 com o crescimento do consumo interno, achei que o quadro poderia mudar. Mas a política de importações do Mercosul, atrasos na adoção das boas práticas nas fazendas e implantação da IN51 têm freado os investimentos no setor primário.

Claro que a concorrencia da soja no CO, etanol no SE e Paraná têm contribuido para o redirecionamento dos investimentos no campo, mas a verdade é que o histórico do leite ainda deixa o produtor com a pulga atrás da orelha na hora de investir.

Recentemente li que todos os equipamentos agrícolas importados vão ter um aumento de 35% nas aliquotas de importação para salvar a industria Brasileira; vejam que o mesmo câmbio que nos atinge na competência, tem seu efeito duplicado nos custos da produção primária ao proteger a industria de maquinas nacional (que, reconheço, sofre o mesmo desajuste cambial que nós). Esse, infelizmente, é o melhor jeito de nos alijar da tecnologia disponível e nos manter sempre pequenos produtores.

Atualmente já pagamos 40% de impostos e taxas apenas para comprar insulfladores de borracha para ordenhadeiras, para não falar em tratores, equipamentos de ordenha, etc... .

Quem em sã consciência vai investir (pesado) em leite nesse ambiente?

  
MÁRIO SÉRGIO FERREIRA ZONI

PONTA GROSSA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/03/2012

Bom dia Marcelo

A comparação com a Nova Zelândia não deixa de ser intrigante, mas prefiro achar que a semelhança maior é pelo lado da comercialização, já que o mote de baixa produção por animal e valorização do sólidos tem mais haver com a enorme distância que os mesmos estão de seus consumidores e transportar água custa muito caro.

O segundo ponto de semelhanças e ao mesmo tempo de diferenças é quanto ao uso de forrageiras pela região. O uso de forrageiras de inverno graças ao regime de chuvas constantes se assemelha, já a possibilidade de uso de Silagem de Milho aqui e a dificuldade em produzir Milho lá nos distancia enormemente. Esta diferença se acentua pela possibilidade de produzir 2,5 vezes até 5 vezes ( 30.000 a 60.000 ) a quantidade de Leite por hectare, fazendo com que o custo de R$ 30.000,00 tenha uma melhor diluição no Custo Total de curto prazo

O desafio é não ser uma nova Nova Zelândia, onde os custos totais incluindo amortizações e remunerações sobre o capital tornaram o Custo Total de curto prazo proibitivos, pois como ganhar dinheiro com terra a R$ 100.000, 00 o hectare e produção de 12.000 litros. Somente o custo financeiro do capital Terra ( 3% a.a. ) representaria algo em torno de R$ 0,25 por litro de leite produzido.

É este o real motivo da migração de neozeolandeses pelo mundo, o sistema é muito interessante onde o custo de terra é irrisório, e a disponibilidade de água não é controlada ou o regime de chuvas é muito favorável. Em situações onde há restrito controle de água ( Israel, Austrália, México ) ou onde o custo terra é muito elevado o sistema não remunera. Um exemplo disso é o que ocorreu com as fazendas no Uruguay que acabaram sendo vendidas depois de acumular anos seguidos de prejuízos diretos. NO GD 500 de 2010 quando perguntada sobre o que seria possivel fazer com U$ 10,000,000.00 ( Dez Milhões de Dólares ) a Mandi Mc Leod da Nova Zelândia disse que a única atividade rentável seria montar uma fazenda escola com aproximadamente 300 animais.

Estes pontos é que hoje levam a região dos Campos Gerais a buscar alternativas agronômicas e de conforto que permitam manter produções por hectare ao redor de 50.000 litros com uso intensivo de forragens conservadas, como forma de manter custos adequados de produção ( Custo total de curto prazo 2011 - R$ 0,729 ) e possibilidade de expansão em áreas hoje somente com agricultura pela sinergia entre as atividades.

Abraços

Mário Sérgio F Zoni
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 02/03/2012

Há dias vi um debate, se não me falha a memória, na globo news. E este falava da questão de 7 bilhões de bocas no mundo e, como produzir comida/proteina animal para toda essa gente. Um dos participantes deste debate disse, isso é muito simples, hoje em 1/2 ou 1 hectare se constroi uma planta e produz 200, 300, 400 ou mais toneladas de proteina de carne de frango e/ou de peixe, através de tanques para criação deste. Acontece, que nada foi dito, relativamente a quantos hectares de soja, de milho, dentre outros nutrientes são necessários, para abastecer estas plantas que ocupam 1 hectare. Esta colocação foi feita, em razão da colocação feita pelo Ilustre Guilherme Alves de Melo Franco, da nossa querida Juiz de Fora. Abraços.