Instrução Normativa 51: somente uma "boa idéia"?
Daqui a pouco menos de 5 meses, supostamente estará vigorando a IN 51, após uma "batalha" de quase 10 anos de vários segmentos do setor lácteo.
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Daqui a pouco menos de 5 meses, supostamente estará vigorando a IN 51, após uma verdadeira "batalha" de quase 10 anos de vários segmentos do setor lácteo, incluindo produtores e indústrias.
No entanto, apesar da proximidade dessa data que deveria ser vitoriosa, surpreendentemente não se escuta quase nada sobre o tema, exceto uma cartilha feita ali, uma reunião feita acolá... muito pouco para um projeto que prevê a análise mensal do leite resfriado das centenas de milhares de produtores de leite e que tem o objetivo de conferir ao país, dentro de alguns anos, um leite de primeiro mundo, condizente com seus recentes e ambiciosos planos de exportação de lácteos.
Analisando mais a fundo a questão, talvez seja o caso de, quem defendeu tanto o projeto, começar a colocar as barbas de molho. Alguns aspectos fundamentais sobre a IN 51 ainda não são conhecidos. Por exemplo, não se sabe exatamente o que ocorrerá com o leite que não estiver nos limites máximos de 1 milhão de unidades formadoras de colônias por mililitro ou de contagem de células somáticas, a partir das análises mensais que serão realizadas: O leite do mês será descartado? O produtor será somente advertido, tendo um tempo para se adequar? Esse tempo, caso exista, será diferente se o problema residir em UFC ou CCS, que tratam obviamente de problemas distintos e de prazo de resolução igualmente distintos? Trata-se, sem dúvida, de uma questão das mais relevantes.
Mas é possível encontrar outros pontos de interrogação na IN 51. Afinal, sequer conhecemos os produtores de leite do Brasil. O tão necessário censo agropecuário, que talvez fosse feito em 2005, 10 anos depois do defasado censo de 95/96, ao que consta, foi novamente adiado. Quem mapeará os produtores de leite em um prazo de 5 meses? O caminho mais lógico seria pelo próprio MAPA, que poderia impor aos laticínios com serviço oficial de inspeção o fornecimento do cadastro dos seus fornecedores, mas nada indica, ainda, que isso será feito nos próximos meses.
As diferenças regionais, afetando questões mercadológicas, devem também ser motivo de discussão. No caso da IN 51 estar mesmo vigorando em julho de 2005 no Centro-Sul, os Estados de outras regiões (ex: Pará e Rondônia) poderão vender seus produtos nos mercados cujos produtores estejam já submetidos aos rigores da nova legislação? Isso poderia ser considerado competição desleal por parte desses produtores ou laticínios?
Outro ponto-chave e inclusive que antecede aos discutidos acima, está na própria alteração do RIISPOA, sem a qual a IN 51 não tem valia. Há especialistas que alertam que a alteração do RIISPOA não é tão simples assim, pois envolveria outros produtos de origem animal. Pelo sim, pelo não, novamente não há indícios claros que isso irá ocorrer.
Ainda, a própria oficialização do PNMQL, incluindo os programas de treinamento e capacitação, anunciada como o próximo passo na última Expomilk (em outubro de 2004), ainda não ocorreu. E já estamos em fevereiro de 2005.
A preocupação aumenta ao se constatar que diversas mudanças recentes de diretorias, inclusive do Secretário de Defesa Agropecuária, têm ocorrido nos quadros do MAPA, que podem, como um processo natural, refletir em atraso nas ações ou mesmo em mudança de concepção em relação a determinados aspectos.
O que tenho visto é a iniciativa privada, principalmente os grandes laticínios, se movimentarem no sentido de adequarem seus fornecedores às normas. Até aí, ótimo. Mas mesmo nesse grupo de empresas, há dúvidas. Tenho recebido telefonemas e e-mails de grandes laticínios simplesmente me perguntando como está a questão da IN 51, se vai ter mesmo... ou seja, há algo errado no processo de comunicação com essas empresas, o que se dirá das centenas de pequenos laticínios por esse Brasil afora, muitos dos quais inclusive vendem o leite captado para as empresas de maior porte.
O problema de comunicação com o mercado existe também em relação aos produtores. Continua a haver a distorção dos conceitos relativos a IN 51 e o pagamento por qualidade. Outro dia li que a IN 51 permitiria o pagamento por qualidade no Brasil.... Uma coisa não tem, a princípio, nada a ver com a outra. Lei é lei, é obrigatório cumprir. Pagamento por qualidade é um estímulo à melhoria da qualidade, com base nos parâmetros de interesse do mercado. Essa confusão, ainda bastante comum, nessas alturas do campeonato, sugere que tem faltado comunicação e esclarecimento. Ao que parece, paramos em setembro de 2002, quando o então ministro Pratini assinou a IN 51 em Nova Petrópolis, RS. De lá para cá, fora o aparelhamento dos laboratórios de qualidade do leite (aliás, um verdadeiro parto distócico), pouco foi feito junto à esfera oficial.
Isso tudo sem entrar no mérito de outras questões espinhosas, como as que envolvem a fiscalização e o combate às fraudes sobre o que, aliás, há tempos nada se fala, o que pode sugerir que estão resolvidos. Convenhamos...
Há algum tempo (final de novembro), fizemos uma enquete junto ao MilkPoint e nada menos do que 82% dos votantes consideraram que o prazo seria factível e a IN 51 seria implantada sem grandes problemas, ou seria implantada ainda que parcialmente. Confesso que tenho certa dificuldade em entender como a lei pode ser implantada parcialmente (Com um período de ajustes? Algumas regiões/produtores teriam prazos maiores?), mas o que me surpreendeu mesmo foi o otimismo ou a boa vontade dos participantes. Será que estou exagerando nessa análise?
Sem dúvida, a capacidade de improvisação do brasileiro não deve ser desprezada, bem como é conhecido o corolário de que o ano começa depois do Carnaval, mas é preciso uma grande dose de otimismo para considerar que, daqui a 5 meses, em um ano de oferta de leite apertada, a ponto de manter os preços estáveis na safra, os itens acima - que certamente não são os únicos - serão equacionados a ponto de não impedir a implantação da IN 51.
Talvez o otimismo e a acomodação em relação ao tema tenham raiz na noção generalizada de que apenas uma pequena porcentagem do leite brasileiro - entre 8 e 15%, se não me engano, de acordo com as análises disponíveis - estaria fora das especificações determinadas pela IN 51. Mas, ainda que os 8 a 15% sejam muito menos do que imaginávamos, o que é muito positivo, é uma quantidade considerável de leite sob a qual não se sabe, ainda, o que será feito a partir de julho de 2005. Claro que esse leite não sumirá pelo ralo, caso contrário teríamos um déficit monumental, que seria coberto por importações imediatas em um primeiro momento.
Face a essas ponderações, a calmaria em torno do tema surpreende e gera a apreensão. A impressão que se tem é que a maior parte dos esforços em torno da normativa foi utilizada para a aprovação, em 2002, como se a missão estivesse enfim cumprida. Ledo engano. Apenas começou.
É possível, ainda, colocar a nave no prumo, mesmo (e desde) que ajustes tenham de ser feitos, com disposição, recursos e foco para tal. Caso contrário, a IN 51, com o perdão da alegoria, pode ter sido apenas mais uma "boa idéia", bem intencionada, aventada pelo setor.
No entanto, apesar da proximidade dessa data que deveria ser vitoriosa, surpreendentemente não se escuta quase nada sobre o tema, exceto uma cartilha feita ali, uma reunião feita acolá... muito pouco para um projeto que prevê a análise mensal do leite resfriado das centenas de milhares de produtores de leite e que tem o objetivo de conferir ao país, dentro de alguns anos, um leite de primeiro mundo, condizente com seus recentes e ambiciosos planos de exportação de lácteos.
Analisando mais a fundo a questão, talvez seja o caso de, quem defendeu tanto o projeto, começar a colocar as barbas de molho. Alguns aspectos fundamentais sobre a IN 51 ainda não são conhecidos. Por exemplo, não se sabe exatamente o que ocorrerá com o leite que não estiver nos limites máximos de 1 milhão de unidades formadoras de colônias por mililitro ou de contagem de células somáticas, a partir das análises mensais que serão realizadas: O leite do mês será descartado? O produtor será somente advertido, tendo um tempo para se adequar? Esse tempo, caso exista, será diferente se o problema residir em UFC ou CCS, que tratam obviamente de problemas distintos e de prazo de resolução igualmente distintos? Trata-se, sem dúvida, de uma questão das mais relevantes.
Mas é possível encontrar outros pontos de interrogação na IN 51. Afinal, sequer conhecemos os produtores de leite do Brasil. O tão necessário censo agropecuário, que talvez fosse feito em 2005, 10 anos depois do defasado censo de 95/96, ao que consta, foi novamente adiado. Quem mapeará os produtores de leite em um prazo de 5 meses? O caminho mais lógico seria pelo próprio MAPA, que poderia impor aos laticínios com serviço oficial de inspeção o fornecimento do cadastro dos seus fornecedores, mas nada indica, ainda, que isso será feito nos próximos meses.
As diferenças regionais, afetando questões mercadológicas, devem também ser motivo de discussão. No caso da IN 51 estar mesmo vigorando em julho de 2005 no Centro-Sul, os Estados de outras regiões (ex: Pará e Rondônia) poderão vender seus produtos nos mercados cujos produtores estejam já submetidos aos rigores da nova legislação? Isso poderia ser considerado competição desleal por parte desses produtores ou laticínios?
Outro ponto-chave e inclusive que antecede aos discutidos acima, está na própria alteração do RIISPOA, sem a qual a IN 51 não tem valia. Há especialistas que alertam que a alteração do RIISPOA não é tão simples assim, pois envolveria outros produtos de origem animal. Pelo sim, pelo não, novamente não há indícios claros que isso irá ocorrer.
Ainda, a própria oficialização do PNMQL, incluindo os programas de treinamento e capacitação, anunciada como o próximo passo na última Expomilk (em outubro de 2004), ainda não ocorreu. E já estamos em fevereiro de 2005.
A preocupação aumenta ao se constatar que diversas mudanças recentes de diretorias, inclusive do Secretário de Defesa Agropecuária, têm ocorrido nos quadros do MAPA, que podem, como um processo natural, refletir em atraso nas ações ou mesmo em mudança de concepção em relação a determinados aspectos.
O que tenho visto é a iniciativa privada, principalmente os grandes laticínios, se movimentarem no sentido de adequarem seus fornecedores às normas. Até aí, ótimo. Mas mesmo nesse grupo de empresas, há dúvidas. Tenho recebido telefonemas e e-mails de grandes laticínios simplesmente me perguntando como está a questão da IN 51, se vai ter mesmo... ou seja, há algo errado no processo de comunicação com essas empresas, o que se dirá das centenas de pequenos laticínios por esse Brasil afora, muitos dos quais inclusive vendem o leite captado para as empresas de maior porte.
O problema de comunicação com o mercado existe também em relação aos produtores. Continua a haver a distorção dos conceitos relativos a IN 51 e o pagamento por qualidade. Outro dia li que a IN 51 permitiria o pagamento por qualidade no Brasil.... Uma coisa não tem, a princípio, nada a ver com a outra. Lei é lei, é obrigatório cumprir. Pagamento por qualidade é um estímulo à melhoria da qualidade, com base nos parâmetros de interesse do mercado. Essa confusão, ainda bastante comum, nessas alturas do campeonato, sugere que tem faltado comunicação e esclarecimento. Ao que parece, paramos em setembro de 2002, quando o então ministro Pratini assinou a IN 51 em Nova Petrópolis, RS. De lá para cá, fora o aparelhamento dos laboratórios de qualidade do leite (aliás, um verdadeiro parto distócico), pouco foi feito junto à esfera oficial.
Isso tudo sem entrar no mérito de outras questões espinhosas, como as que envolvem a fiscalização e o combate às fraudes sobre o que, aliás, há tempos nada se fala, o que pode sugerir que estão resolvidos. Convenhamos...
Há algum tempo (final de novembro), fizemos uma enquete junto ao MilkPoint e nada menos do que 82% dos votantes consideraram que o prazo seria factível e a IN 51 seria implantada sem grandes problemas, ou seria implantada ainda que parcialmente. Confesso que tenho certa dificuldade em entender como a lei pode ser implantada parcialmente (Com um período de ajustes? Algumas regiões/produtores teriam prazos maiores?), mas o que me surpreendeu mesmo foi o otimismo ou a boa vontade dos participantes. Será que estou exagerando nessa análise?
Sem dúvida, a capacidade de improvisação do brasileiro não deve ser desprezada, bem como é conhecido o corolário de que o ano começa depois do Carnaval, mas é preciso uma grande dose de otimismo para considerar que, daqui a 5 meses, em um ano de oferta de leite apertada, a ponto de manter os preços estáveis na safra, os itens acima - que certamente não são os únicos - serão equacionados a ponto de não impedir a implantação da IN 51.
Talvez o otimismo e a acomodação em relação ao tema tenham raiz na noção generalizada de que apenas uma pequena porcentagem do leite brasileiro - entre 8 e 15%, se não me engano, de acordo com as análises disponíveis - estaria fora das especificações determinadas pela IN 51. Mas, ainda que os 8 a 15% sejam muito menos do que imaginávamos, o que é muito positivo, é uma quantidade considerável de leite sob a qual não se sabe, ainda, o que será feito a partir de julho de 2005. Claro que esse leite não sumirá pelo ralo, caso contrário teríamos um déficit monumental, que seria coberto por importações imediatas em um primeiro momento.
Face a essas ponderações, a calmaria em torno do tema surpreende e gera a apreensão. A impressão que se tem é que a maior parte dos esforços em torno da normativa foi utilizada para a aprovação, em 2002, como se a missão estivesse enfim cumprida. Ledo engano. Apenas começou.
É possível, ainda, colocar a nave no prumo, mesmo (e desde) que ajustes tenham de ser feitos, com disposição, recursos e foco para tal. Caso contrário, a IN 51, com o perdão da alegoria, pode ter sido apenas mais uma "boa idéia", bem intencionada, aventada pelo setor.
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LIGIA KAREN BORGES
OUTRO - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 25/02/2006
Pelo fato da IN 51 ter sido bem trabalhada ultimamente, além do largo prazo de 3 anos para preparação/implementação, facilitou a concretização da mesma. Não podemos abrir mão da qualidade, também do pequeno produtor, até porque nossos parâmetros ainda são bem acessíveis perto da União Européia e alguns países por ai, e dependem na maioria, de higiene na ordenha, tanques e transportes.
A padronização é necessária para qualidade do produto final, pois se, por exemplo, recebermos um leite da cooperativa que está no padrão e outro do produtor não obedecendo a IN, o produto final estará comprometido.
Ligia Karen
A padronização é necessária para qualidade do produto final, pois se, por exemplo, recebermos um leite da cooperativa que está no padrão e outro do produtor não obedecendo a IN, o produto final estará comprometido.
Ligia Karen
ALVARO CARDOSO FERNANDES DE PÁDUA
PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE
EM 28/07/2005
Entendo que a IN 51 só será cumprida a partir do momento que MAPA iniciar uma fiscalização, impondo sanções, multas, prazos, etc..(é igual imposto, não pagou, ferro!). É caso também do SISBOV, precisou de uma inspeção da Comunidade Européia fiscalizando nosso sistema para o Brasil tomar vergonha. É como diz um colega: O Brasil só funciona na base do "ferrão" e da ameaça.
Agora eu pergunto? Existe por parte do MAPA um plano de fiscalização? Será que o MAPA está aparelhado para essa finalidade, com fiscais suficientes para fiscalizar essa imensidão de laticínios? Vejo que MAPA mau fiscaliza a questão da aftosa.
Por outro lado, já vi produtor que aderiu a lei IN 51, comprando resfriador, adequando instalações, investindo em qualidade, mão de obra especializada (que é o que mais encarece) e tudo mais, e posteriormente o vi vendendo tudo, e até abandonando a atividade, porque seu vizinho estava recebendo quase o mesmo preço pelo produto em codições lamentáveis.
E para agravar, vem bem nesta época do ano, onde os custos com a produção sobem, havendo uma queda inexplicável do preço do leite. Pergunto: será que aquele produtor que já aderiu ao sistema da qualidade aguentará essa política dos laticínios? Não acredito!
Entendo que quando se fala em implantar sistema da qualidade, que é um pouco o que a IN 51 pretende, há custos, com certeza. E quem paga?
Percebo que o MAPA, vendo tudo isto fica em meio a uma celeuma, implanta uma lei, o produtor finge que existe, e ele finge que fiscaliza.
Agora, a questão é la fora, na hora da exportação. As coisas podem piorar caso eles parem de comprar nosso produto por falta de um sistema melhor.
Entendo que a solução para esses problemas todos está mesmo na adoção de uma política voltada a um equilíbrio de todos os segmentos da cadeia produtiva, onde só o governo teria condições de criar mecanismos. Vejo que o setor "dentro da porteira" é muito enfraquecido e pulverizado" seja por falta de cultura, organização, o que o deixa nas mãos dos oligopólios organizados (fora da porteira), que sabem defender muito bem o seu lado. Só espero que eles não matem de vez a "galinha dos ovos de ouro" por que aí serão eles os maiores prejudicados.
Por enquanto, o que resta aos produtores que já aderiram IN 51 é suportar esta situação de baixos preços, e para aqueles que não aderiram, aderir e esperar a boa vontade dos laticínios. Vamos ter que aguentar mais essa!
atenciosamente
Álvaro Cardoso Fernandes de Pádua
Agora eu pergunto? Existe por parte do MAPA um plano de fiscalização? Será que o MAPA está aparelhado para essa finalidade, com fiscais suficientes para fiscalizar essa imensidão de laticínios? Vejo que MAPA mau fiscaliza a questão da aftosa.
Por outro lado, já vi produtor que aderiu a lei IN 51, comprando resfriador, adequando instalações, investindo em qualidade, mão de obra especializada (que é o que mais encarece) e tudo mais, e posteriormente o vi vendendo tudo, e até abandonando a atividade, porque seu vizinho estava recebendo quase o mesmo preço pelo produto em codições lamentáveis.
E para agravar, vem bem nesta época do ano, onde os custos com a produção sobem, havendo uma queda inexplicável do preço do leite. Pergunto: será que aquele produtor que já aderiu ao sistema da qualidade aguentará essa política dos laticínios? Não acredito!
Entendo que quando se fala em implantar sistema da qualidade, que é um pouco o que a IN 51 pretende, há custos, com certeza. E quem paga?
Percebo que o MAPA, vendo tudo isto fica em meio a uma celeuma, implanta uma lei, o produtor finge que existe, e ele finge que fiscaliza.
Agora, a questão é la fora, na hora da exportação. As coisas podem piorar caso eles parem de comprar nosso produto por falta de um sistema melhor.
Entendo que a solução para esses problemas todos está mesmo na adoção de uma política voltada a um equilíbrio de todos os segmentos da cadeia produtiva, onde só o governo teria condições de criar mecanismos. Vejo que o setor "dentro da porteira" é muito enfraquecido e pulverizado" seja por falta de cultura, organização, o que o deixa nas mãos dos oligopólios organizados (fora da porteira), que sabem defender muito bem o seu lado. Só espero que eles não matem de vez a "galinha dos ovos de ouro" por que aí serão eles os maiores prejudicados.
Por enquanto, o que resta aos produtores que já aderiram IN 51 é suportar esta situação de baixos preços, e para aqueles que não aderiram, aderir e esperar a boa vontade dos laticínios. Vamos ter que aguentar mais essa!
atenciosamente
Álvaro Cardoso Fernandes de Pádua

LAERCIO FLORES MARQUES
SÃO JOSÉ DO CEDRO - SANTA CATARINA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 30/06/2005
A sensibilidade como foram abordados os diversos aspectos sobre a IN 51, e a data de sua entrada em vigor, deixa bem claro que será humanamente impossível implantar o processo como um todo, em todo território nacional.
Entendemos ser de suma importância que a iniciativa privada leve adiante o processo mesmo com as dificuldades que isto acarretará, tendo em vista as peculiaridades regionais.
Entendemos ser de suma importância que a iniciativa privada leve adiante o processo mesmo com as dificuldades que isto acarretará, tendo em vista as peculiaridades regionais.

DEOMAR MARCOS FRACASSO
OUTRO - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 24/02/2005
Realmente, parece que a IN 51, pelo que tudo indica, terá grandes dificuldades para ser implementada a partir de julho de 2005. Embora comentado pelo artigo de que apenas 8 a 15% do leite produzido ficaria abaixo dos padrões exigidos pela presente Instrução, não podemos esquecer que isso representa pouco em volume mas muito em número de produtores. Os grandes produtores de leite, embora em número reduzido, são responsáveis por boa parte da produção e os pequenos, que são muitos, representam pouco em termos de volume.
Não podemos afirmar, no entanto, que só o pequeno produtor está produzindo leite sem qualidade mas, podemos imaginar que um leite produzido sem instalações adequadas, através de ordenha manual e sem equipamento adequado para resfriamento não conseguirá atingir os padrões preconizados.
Desta forma, haverá um custo social elevado, pois quem não conseguir adequar-se às novas exigências ficará excluído do mercado.
Mas, infelizmente, enquanto a água não bater no pescoço, muitos produtores não irão acordar.
Isso posto, pelo bem daqueles que querem ser profissionais na atividade leiteira, pelo bem dos consumidores e de toda a cadeia produtiva, a IN 51 não pode ser prorrogada.
Deomar Marcos Fracasso
Engenheiro Agrônomo
Quedas do Iguaçu-PR
Não podemos afirmar, no entanto, que só o pequeno produtor está produzindo leite sem qualidade mas, podemos imaginar que um leite produzido sem instalações adequadas, através de ordenha manual e sem equipamento adequado para resfriamento não conseguirá atingir os padrões preconizados.
Desta forma, haverá um custo social elevado, pois quem não conseguir adequar-se às novas exigências ficará excluído do mercado.
Mas, infelizmente, enquanto a água não bater no pescoço, muitos produtores não irão acordar.
Isso posto, pelo bem daqueles que querem ser profissionais na atividade leiteira, pelo bem dos consumidores e de toda a cadeia produtiva, a IN 51 não pode ser prorrogada.
Deomar Marcos Fracasso
Engenheiro Agrônomo
Quedas do Iguaçu-PR

EDSON GONÇALVES
FLORIANÓPOLIS - SANTA CATARINA
EM 15/02/2005
Caro Marcelo,
Estou tão perplexo e preocupado quanto vc. O marasmo, a lentidão das autoridades e lobistas do setor quanto a importância da qualidade do leite, aliada a falta de visão dsenvolvimentista para o setor é patente. A cadeia não é analisada com a mesma isenção que se defende o preço do leite ao produtor. Conclusões imprecisas por desconhecimento de sistemas de produção, não consideram o preço do leite apenas como um fator, mas sim como a causa da atividade ser pouco rentável em algumas épocas do ano. Mercado, poder aquisitivo da população, centralização do produto em poucas redes de revenda, ausência de marketing, etc, não são considerados pelos "especialistas" do setor. Como falar em qualidade de leite, como falar em IN 51 se, no país não existe nenhum programa efetivo de transferência e difusão de tecnologia ao produtor, que objetive a viabilização econômica /financeira e a sustentabilidade da atividade leite. Estou falando de programas sérios, não me venham dizer que esta ou aquela indústria ou cooperativa tem equipe técnica para atender o produtor, ajudá-lo a resgatar a sua dignidade perdida no tempo. Programas efetivos eu não conheço, exceção ao projeto de agricultura familiar da Embrapa de São Carlos-SP e algumas ações locais do Sebrae, que sobrevivem mais por idealismo dos seus condutores do que por direcionamento das suas chefias. O produtor de leite responde, investindo em máquinas, equipamentos, insumos, defensivos, etc, quando ele percebe que o seu negócio é lucrativo e sustentável. Não adianta impor leis, se não ensinarmos como conviver e tirar vantagem das leis. Repito, não adianta preço do leite, programas de pagamento por qualidade, financiamentos e empréstimos ao produtor, se antes disso ou no mínimo concomitante estas propostas não estiverem alicerçadas em programas efetivos e não políticos de transferência e difusão de tecnologia ao segmento produtor. Recentemente disponibilizamos à algumas cooperativas de Minas Gerais e Goiás programas efetivos de desenvolvimento ao produtor. Umas alegaram falta de dinheiro, outras nem responderam...........Projetos análogos foram enviadas para algumas empresas conceituadas que fabricam ou representam máquinas e equipamentos de ordenha, insumos, laboratórios, sêmen, etc...... e o descaso foi o mesmo. Acabei de ler que uma comitiva mineira irá visitar a N. Zelândia ainda este mês com o objetivo de constatar o sucesso industrial e comercial do negócio leite daquele país. Estive lá há algus anos atrás e pude constatar essa eficiência. Espero que sobre tempo para visitarem propriedades, para constatarem como o produtor de lá é comprometido e, principalmente como ele trabalha. Visitem os programas de transferência e difusão de tecnolgia, sem dúvida nenhuma a chave do sucesso do negócio leite daquele país. Boa viagem, bom aproveitamento e quando voltarem apliquem o que viram e constataram.
Estou tão perplexo e preocupado quanto vc. O marasmo, a lentidão das autoridades e lobistas do setor quanto a importância da qualidade do leite, aliada a falta de visão dsenvolvimentista para o setor é patente. A cadeia não é analisada com a mesma isenção que se defende o preço do leite ao produtor. Conclusões imprecisas por desconhecimento de sistemas de produção, não consideram o preço do leite apenas como um fator, mas sim como a causa da atividade ser pouco rentável em algumas épocas do ano. Mercado, poder aquisitivo da população, centralização do produto em poucas redes de revenda, ausência de marketing, etc, não são considerados pelos "especialistas" do setor. Como falar em qualidade de leite, como falar em IN 51 se, no país não existe nenhum programa efetivo de transferência e difusão de tecnologia ao produtor, que objetive a viabilização econômica /financeira e a sustentabilidade da atividade leite. Estou falando de programas sérios, não me venham dizer que esta ou aquela indústria ou cooperativa tem equipe técnica para atender o produtor, ajudá-lo a resgatar a sua dignidade perdida no tempo. Programas efetivos eu não conheço, exceção ao projeto de agricultura familiar da Embrapa de São Carlos-SP e algumas ações locais do Sebrae, que sobrevivem mais por idealismo dos seus condutores do que por direcionamento das suas chefias. O produtor de leite responde, investindo em máquinas, equipamentos, insumos, defensivos, etc, quando ele percebe que o seu negócio é lucrativo e sustentável. Não adianta impor leis, se não ensinarmos como conviver e tirar vantagem das leis. Repito, não adianta preço do leite, programas de pagamento por qualidade, financiamentos e empréstimos ao produtor, se antes disso ou no mínimo concomitante estas propostas não estiverem alicerçadas em programas efetivos e não políticos de transferência e difusão de tecnologia ao segmento produtor. Recentemente disponibilizamos à algumas cooperativas de Minas Gerais e Goiás programas efetivos de desenvolvimento ao produtor. Umas alegaram falta de dinheiro, outras nem responderam...........Projetos análogos foram enviadas para algumas empresas conceituadas que fabricam ou representam máquinas e equipamentos de ordenha, insumos, laboratórios, sêmen, etc...... e o descaso foi o mesmo. Acabei de ler que uma comitiva mineira irá visitar a N. Zelândia ainda este mês com o objetivo de constatar o sucesso industrial e comercial do negócio leite daquele país. Estive lá há algus anos atrás e pude constatar essa eficiência. Espero que sobre tempo para visitarem propriedades, para constatarem como o produtor de lá é comprometido e, principalmente como ele trabalha. Visitem os programas de transferência e difusão de tecnolgia, sem dúvida nenhuma a chave do sucesso do negócio leite daquele país. Boa viagem, bom aproveitamento e quando voltarem apliquem o que viram e constataram.