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Produção vegetal melhora a sustentabilidade de fazendas leiteiras

VÁRIOS AUTORES

LAE - FMVZ/USP

EM 08/07/2022

5 MIN DE LEITURA

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A produção vegetal dentro da propriedade destinada à alimentação dos animais depende de diversos fatores disponíveis como espaço de terra agricultável, preços dos insumos, apoio financeiro, poder aquisitivo, conhecimento técnico e disponibilidade de mão de obra. Contudo, essas atividades acontecendo de forma concomitante dentro de uma propriedade é importante para a sustentabilidade do sistema, além de que cada vez mais os consumidores de produtos de origem animal exigem alimentos que respeitem o meio ambiente.

Há poucos trabalhos na literatura científica que comprovam que a produção vegetal melhora a sustentabilidade em fazendas leiteiras. Porém, de forma empírica já é historicamente conhecido como essa produção favorece os ciclos naturais que ocorrem no processo produtivo de uma fazenda.

Os vegetais são alimentos para os animais e estes geram resíduos que nutrem os vegetais, ou seja, propicia circularidade dos nutrientes (figura 1). 

Figura 1 - Fluxograma da circularidade dos nutrientes dentro de uma fazenda que inclui criação animal e produção vegetal.

Fluxograma da circularidade dos nutrientes dentro de uma fazenda que inclui criação animal e produção vegetal.

Dentre as análises de sustentabilidade, indicadores obtidos a partir da chamada “Síntese em Emergia”, proposta pelo cientista e ecólogo Howard Thomas Odum, demonstram a eficiência energética do sistema por meio da “memória” (eMergia) dos fluxos energéticos que estão presentes na produção.

Esses fluxos se baseiam na contribuição da natureza (recursos renováveis e não renováveis) e da economia (insumos comprados) no processo de produção. Todos esses fluxos são transformados em emJoule (medida expressa em energia solar), permitindo assim, a comparação de diferentes recursos.

 A Síntese em eMergia é uma ferramenta que vem ganhando influência positiva na comunidade científica para análises de produções agropecuárias em relação à sustentabilidade. A metodologia possui parte teórica densa e é aplicada a partir dos dados de inventário da fazenda, documento que abrange todos recursos e insumos e como o processo ocorre. A partir disso, são gerados índices que servem para análise do sistema.

Dentre os índices gerados pela metodologia, o Índice de Sustentabilidade em Emergia (ESI) avalia a maximização da contribuição do produto para a sociedade com o menor impacto ambiental (ELR). Ou seja, o ESI contabiliza o retorno em eMergia para a sociedade, o que inclui calorias desse alimento, quantidade de luz solar utilizada na produção, entre outros, e o ELR é a relação entre os recursos da natureza, renováveis ou não, e os insumos externos (equipamentos e construções/ benfeitorias), sendo um indicador do impacto causado pela produção no ambiente.

Outro resultado importante, é a Renovabilidade (R) que demonstra a relação de recursos renováveis (parte da natureza - exemplo: sol, chuva, evapotranspiração, vento, etc) entre a utilização de recursos totais (recursos renováveis, não renováveis e insumos externos). 

Um estudo realizado pelo Laboratório de Análises Socioeconômicas e Ciência Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (LAE/FMVZ/USP), foi conduzido na mesorregião de Campinas, São Paulo, para avaliar se a produção da alimentação do rebanho leiteiro na própria propriedade seria um caminho para a sustentabilidade na produção.

A propriedade apresentava um rebanho com 34 vacas em lactação, com produção diária de 510 kg, em sistema semi-intensivo, com fornecimento de silagem de cana-de-açúcar, milho e rama de mandioca na época seca do ano (abril a outubro), além do fornecimento de ração todos os dias. Para analisar a sustentabilidade da produção, o (ESI) foi considerado.

Observou-se que as produções forrageiras (agrícola e pastagem) da propriedade dependeram mais de recursos renováveis locais do que recursos que vieram de fora da propriedade (exemplo: fertilizantes e pesticidas; Tabela 1).

A pastagem e a silagem de rama de mandioca apresentaram alta renovabilidade (utilização de recursos renováveis) justamente por dependerem menos de insumos externos (provindos da economia).

Outra observação foi a existência da chamada ‘economia circular’ na propriedade, uma vez que a rama da mandioca é utilizada como coproduto. Com isso, o uso da estratégia na alimentação do rebanho auxiliou na sustentabilidade tanto por beneficiar aspectos ambientais quanto econômicos, uma vez que a raiz pode ser vendida para a agroindústria (farinha ou in natura) gerando receita extra ao produtor.

Tabela 1. Renovabilidade das produções de forragem utilizadas na propriedade estudada.

Renovabilidade das produções de forragem utilizadas na propriedade estudada.

Como resultado da estratégia adotada, a propriedade estudada apresentou ESI próximo a 7, valor acima daqueles encontrados na literatura para fazendas leiteiras. ESI menor que 1 indica que a produção não tem sustentabilidade a longo prazo; valores entre 1 a 5 indica sustentabilidade a médio prazo e valores acima de 5 indica alta sustentabilidade a longo prazo.

No entanto, além de analisar o impacto ao meio ambiente, o produtor deve se atentar ao balanceamento da dieta em volumoso e concentrado para atender as exigências nutricionais dos animais em cada fase de produção. Para isso, o estudo comparou os planos nutricionais utilizados na propriedade a diferentes cenários (intensivo, semi-intensivo e extensivo) em que foram utilizadas pastagem, silagem de milho e rações.

Como resultado, observou-se que a propriedade estudada apresentou vantagem a partir do indicador de sustentabilidade estudado em comparação com os demais cenários (Figura 2).

Figura 2 - Comparação dos valores do ESI para os diferentes cenários. Considerações: PROP (propriedade estudada), SIS (sistema semi-intensivo, acesso a pastagem e ração o ano inteiro, mais oferta de silagem de milho na época de seca), EXT (sistema extensivo, acesso a pastagem e ração o ano inteiro) e INT (sistema intensivo, oferta de silagem de milho e ração o ano inteiro).

 
Fonte: Diagrama Ternário.

A explicação para o melhor desempenho do ESI entre a propriedade estudada e os demais cenários podem ser dada da seguinte forma: a diversidade de forragem propicia a maior participação de recursos renováveis nos insumos alimentares, o que diminui a carga ambiental que o sistema exerce sobre o ecossistema no qual se localiza que, por sua vez, aumenta o ESI do leite produzido.

No sistema intensivo, ao utilizar silagem de milho e ração o ano inteiro, e muitas vezes produzidos fora da propriedade, o índice de sustentabilidade tende a ser menor que 1, o que indica que este sistema consome mais recursos ambientais para produzir um litro de leite.

Nesse sentido, a alteração da composição das dietas e a busca por ingredientes com maior renovabilidade, pode ser a melhor opção para reduzir a carga ambiental e aumentar o índice de sustentabilidade das fazendas.

De acordo com os resultados, podemos concluir que a diversificação de alimentos volumosos pode ser um caminho para aumentar a sustentabilidade das fazendas, através da redução da compra de insumos e custo de produção, e possibilidade de  utilização dos recursos naturais de forma mais racional pelo produtor.

Outra observação diz respeito ao uso da Síntese em eMergia como uma ferramenta que pode auxiliar o produtor a tomar decisões em prol de produções agropecuárias mais sustentáveis.

É desejável combinar outras análises para identificar a sustentabilidade, a fim de ter uma visão sistêmica da produção no âmbito ambiental, econômico e social. Com isso, produtores juntamente com profissionais em eMergia podem estabelecer contatos para tomadas de decisões pensando na preservação dos recursos renováveis da fazenda e na busca por fornecer um produto mais sustentável ao consumidor.

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VITÓRIA TOFFOLO LUIZ

Vitória Toffolo Luiz

RAFAEL ARAÚJO NACIMENTO

Médico Veterinário, Doutor e Mestre em produção animal. Experiência em Síntese em Emergia.

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