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Qual a importância dos inventários de emissões para propriedades rurais?

Estratégias para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa têm se tornado prioridade. Entenda a importância de inventários de emissões.

Publicado por: Taynara Freitas Avelar de AlmeidaeAugusto Hauber Gameiro

Publicado em: 24/10/2022 - 5 minutos de leitura

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Estratégias para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa têm se tornado prioridade nos países devido ao crescimento das concentrações desses gases na atmosfera. Esse aumento é resultado das atividades humanas, podendo causar um desequilíbrio na natureza e consequências para a vida no planeta.

O sexto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças no Clima (IPCC), órgão máximo em mudanças climáticas, alertou que o mundo pode atingir ou exceder 1,5°C de aquecimento nas próximas duas décadas e isso vem preocupando as sociedades de todos os países.

O Brasil, em 2020, apresentou aumento em suas emissões em 9,5% em relação ao ano anterior e a causa apontada foi o desmatamento presente principalmente na Amazônia e no Cerrado, segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG). As emissões no país vêm de fontes como a agropecuária, representada por 27%; da energia, com 18%; dos processos industriais, com 5%; dos resíduos, com 4%; e da mudança de uso da terra, responsável por 46% das emissões.

O setor agropecuário é especialmente pressionado constantemente a mudar os sistemas de produção atuais para sistemas mais resilientes, que preservem os recursos naturais e que auxiliem nas estratégias de mitigação de gases.

Os três gases mais emitidos pelo setor são:

  • dióxido de carbono (CO2), proveniente principalmente de mudanças no uso da terra e queima de combustíveis;
  • metano (CH4), por fermentação entérica e fermentação de esterco dos animais;
  • óxido nitroso (N2O), pelo uso de fertilizantes químicos nitrogenados na produção de grãos e na pastagem.

A agropecuária é um setor com fontes de emissões de gases do efeito estufa (GEE) significativas e que, portanto, precisa de planejamento para conter os impactos gerados.

Ao pensarmos em algumas alternativas que podem ser implementadas na mitigação de gases dentro das propriedades rurais, as árvores e o solo desempenham papel fundamental no sequestro de gases.

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Os componentes arbóreos apresentam um grande potencial em sequestrar carbono acima e/ou abaixo do solo. Já o solo armazena carbono orgânico de longo prazo, mais do que a biomassa e a atmosfera. O manejo e uso da terra valorizando as boas práticas maximizam o armazenamento do carbono, sendo um dos compostos que auxiliam na preservação das funções produtivas do solo.

Integrar produções agrícolas, pecuárias e florestais, indica resultados positivos em relação aos sistemas convencionais de monocultura, pois possuem um grande potencial de reduzir emissões pelo sequestro de gases do efeito estufa, e aumentar produtividade, qualidade e rentabilidade do sistema.

Também estimulam a conservação do solo e recursos hídricos, aumentam a biodiversidade e permitem explorar a propriedade rural durante todo o ano, devido ao aumento da diversidade de produtos produzidos. Além disso, podem aumentar a renda e o lucro da propriedade.

Mas não basta o setor apenas adotar sistemas de produção mais sustentáveis: é preciso tornar público o seu compromisso com as metas de redução de GEE.

Para receber o reconhecimento de instituições líderes no assunto a nível global, a construção de inventários de emissões apresenta ser o primeiro passo rumo ao combate das mudanças climáticas. Os inventários são fontes de informações quantitativas e qualitativas para a gestão das emissões, relevante material de reporte dos resultados e estratégias de redução. Para as organizações é também uma oportunidade de negócios como acesso a investimentos, entrada no mercado de carbono, visibilidade, transparência e credibilidade para os compradores internos e externos.

O processo de contabilização das emissões precisa não só ser transparente, bem como utilizar métodos cientificamente confiáveis e aceitos, que depois permitirão a verificação por terceira parte (uma auditoria, por exemplo). Os cálculos são realizados nas ferramentas computacionais, e depois os resultados são reportados nos inventários anuais.

No Brasil há a plataforma do Registro Público de Emissões para reporte dos inventários, administrada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em que diversos setores publicam seus inventários. Assim, é possível acompanhar, ano a ano, reduções de emissões dessas organizações.

Visto a importância de reduzir as emissões nos próximos anos, em nossa pesquisa de mestrado junto ao Laboratório de Análises Socioeconômicas e Ciência Animal (LAE) da Universidade de São Paulo (USP), e com a experiência de residente em Bem-estar e Sustentabilidade na Produção Animal na empresa MSD Saúde Animal, onde o trabalho foi iniciado, estamos realizando um estudo para auxiliar os produtores na escolha da ferramenta de cálculo para seus inventários. O estudo irá estimar o balanço de emissões de gases do efeito estufa de uma fazenda leiteira integrada com a produção vegetal (IPF) a partir das ferramentas GHG Protocol e Cool Farm Tool.

A ferramenta GHG Protocol é dividida em dois módulos: Agricultura e Florestas. Idealizada pelo WRI (Word Resources Institute), EMBRAPA e UNICAMP, permite o cálculo das emissões de gases do efeito estufa utilizando fatores de emissões de sistemas de produção no Brasil, com fontes de emissão mecânicas (por máquinas agrícolas) e não mecânicas. Abrange os três gases: CO2, CH4 e N2O. A ferramenta calcula o sequestro de gases pela Floresta.

Já o Cool Farm Tool, ferramenta europeia, idealizada pela Universidade de Aberdin, o Sustainable Food Lab e a Unilever, calcula as emissões de produções agrícolas e pecuárias por meio de modelos e fatores de emissão que consideram diferenças entre sistemas de produção, regiões e climas, com fontes emissões mecânicas e não mecânicas; contempla os gases CO2, CH4 e N2O. A Cool Farm Tool calcula o sequestro de gases pelo solo.

Ao testarmos essas ferramentas, serão construídos os inventários para as produções agrícola, pecuária e florestal da propriedade de estudo. Com os cálculos finalizados, será possível analisar as ferramentas, suas semelhanças e/ou diferenças e os impactos das diferenças nos resultados, permitindo então, esclarecer aos produtores qual ferramenta pode ser escolhida para um sistema de produção leiteira integrado no Brasil.

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Entendemos que o setor agropecuário contribui para o aquecimento global, mas também apresenta potencial para reduzir as emissões, sendo de suma importância que os produtores se preparem nos próximos anos para construir seus inventários e reportar anualmente o que vem fazendo para reduzir suas emissões.

Assim, o setor contribuirá de forma significativa na meta mundial de mitigação dos gases causadores deste aquecimento, protegendo as gerações futuras, o meio ambiente e a segurança alimentar.

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Referências

IPCC. Intergovernmental Panel on Climate Change. Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability. 2022. Disponível em: < https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg2/>. Acesso em: 20 set. 2022.

SEEG. Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa. Análise das emissões brasileiras de gases de efeito estufa e suas implicações para as metas de clima do Brasil (1970-2020), 2021. Disponível em: < http://seeg9-brasil-site.herokuapp.com/documentos-analiticos>. Acesso em: 20 set. 2022.

 

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