Prostaglandina pode estimular a função imune intra-uterina mesmo na presença de progesterona

A aplicação exógena de prostaglandina pode auxiliar na "limpeza" uterina, mesmo na ausência de luteólise. Saiba mais sobre essa tecnica neste artigo!

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Como discutido no radar anterior, a aplicação exógena de prostaglandina pode auxiliar na "limpeza" uterina, mesmo na ausência de luteólise (decréscimo de progesterona e aumento de estradiol), ou seja, o efeito da prostaglandina independe da alteração de progesterona e estradiol.

Este trabalho (Lutalyse can up-regulate the uterine immune system in the presence of progesterone, G.S.Lewis e M.C.Wulster-Radcliffe, J. Dairy Sci., v.84, suppl. 1, p.116, 2001), apesar de ser em ovelhas, mostra o efeito direto do Lutalyse no meio uterino, mesmo na presença de progesterona.

Em ovelhas com infecção intra-uterina, durante a fase lútea, a aplicação de Lutalyse, análogo da prostaglandina, induz luteólise e limpeza do útero.

Entretanto, o efeito direto do Lutalyse no útero e seu efeito através da luteólise estão confundidos (decréscimo da progesterona).

Visando entender melhor os mecanismos envolvidos, este experimento foi conduzido para determinar se Lutalyse altera a resposta imune mesmo se não houver decréscimo da concentração de progesterona.

Ovelhas (8 por grupo) receberam tratamentos em fatorial 2x2x2, sendo os fatores, 1: ovariectomia, 2: tratamento de progesterona e 3: aplicação de Lutalyse.

No dia zero do ciclo, metade das ovelhas foram ovarioectomizadas. Após ovariectomia, receberam óleo (placebo) ou progesterona (5mg) im, em intervalos de 12h.

No dia 6, animais foram inoculados e receberam o desafio bacteriano (E. coli e A. pyogenes) ou ficaram como controle (PBS). No dia 9, receberam salina (controle) ou Lutalyse (10mg), im. Foi colhido sangue entre os dias 9 a 11. No dia 12, foi feita a avaliação do útero.

Volume das células e habilidade de cultivo (E. coli e A. pyogenes) das amostras do fluido uterino foram utilizadas como diagnóstico.

Contagens diferenciais das células brancas e proliferação de linfócitos foram utilizadas para avaliar a função imune.

Todas as ovelhas que receberam o desafio bacteriano (E. coli e A. pyogenes) desenvolveram infecção uterina, porém, comparado com o controle, as infecções foram menos severas na ausência de ovário ou de suplementação de progesterona, ou após Lutalyse.

Os autores concluíram que aplicação exógena de prostaglandina pode iniciar a "limpeza" uterina, independente de luteólise e decréscimo de progesterona.

Estes resultados são bem interessantes, pois mostram outra atuação para a prostaglandina, e, consequentemente, outra ferramenta disponível para os técnicos tentarem melhorar a eficiência reprodutiva de rebanhos leiteiros.
Como discutido no radar anterior, a aplicação exógena de prostaglandina pode auxiliar na "limpeza" uterina, mesmo na ausência de luteólise (decréscimo de progesterona e aumento de estradiol), ou seja, o efeito da prostaglandina independe da alteração de progesterona e estradiol.

Este trabalho (Lutalyse can up-regulate the uterine immune system in the presence of progesterone, G.S.Lewis e M.C.Wulster-Radcliffe, J. Dairy Sci., v.84, suppl. 1, p.116, 2001), apesar de ser em ovelhas, mostra o efeito direto do Lutalyse no meio uterino, mesmo na presença de progesterona.

Em ovelhas com infecção intra-uterina, durante a fase lútea, a aplicação de Lutalyse, análogo da prostaglandina, induz luteólise e limpeza do útero.

Entretanto, o efeito direto do Lutalyse no útero e seu efeito através da luteólise estão confundidos (decréscimo da progesterona).

Visando entender melhor os mecanismos envolvidos, este experimento foi conduzido para determinar se Lutalyse altera a resposta imune mesmo se não houver decréscimo da concentração de progesterona.

Ovelhas (8 por grupo) receberam tratamentos em fatorial 2x2x2, sendo os fatores, 1: ovariectomia, 2: tratamento de progesterona e 3: aplicação de Lutalyse.

No dia zero do ciclo, metade das ovelhas foram ovarioectomizadas. Após ovariectomia, receberam óleo (placebo) ou progesterona (5mg) im, em intervalos de 12h.

No dia 6, animais foram inoculados e receberam o desafio bacteriano (E. coli e A. pyogenes) ou ficaram como controle (PBS). No dia 9, receberam salina (controle) ou Lutalyse (10mg), im. Foi colhido sangue entre os dias 9 a 11. No dia 12, foi feita a avaliação do útero.

Volume das células e habilidade de cultivo (E. coli e A. pyogenes) das amostras do fluido uterino foram utilizadas como diagnóstico.

Contagens diferenciais das células brancas e proliferação de linfócitos foram utilizadas para avaliar a função imune.

Todas as ovelhas que receberam o desafio bacteriano (E. coli e A. pyogenes) desenvolveram infecção uterina, porém, comparado com o controle, as infecções foram menos severas na ausência de ovário ou de suplementação de progesterona, ou após Lutalyse.

Os autores concluíram que aplicação exógena de prostaglandina pode iniciar a "limpeza" uterina, independente de luteólise e decréscimo de progesterona.

Estes resultados são bem interessantes, pois mostram outra atuação para a prostaglandina, e, consequentemente, outra ferramenta disponível para os técnicos tentarem melhorar a eficiência reprodutiva de rebanhos leiteiros.
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Material escrito por:

José Luiz Moraes Vasconcelos

José Luiz Moraes Vasconcelos

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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