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IATF para vacas leiteiras: quais as novidades?

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 11/01/2021

4 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 11/01/2021

Estudo sobre protocolos de IATF trouxe novidades nos resultados adquiridos para as vacas leiteiras. 

O objetivo deste estudo foi comparar os efeitos de diferentes durações do protocolo de sincronização de ovulação usando 2 dispositivos intravaginais de progesterona (CIDR) e estradiol sobre dinâmica ovariana e resultados prenhez por IATF (P/IA) em vacas leiteiras. Vacas holandesas (n=1979) foram aleatoriamente divididas para receber um dos 2 protocolos de IATF:

Protocolo 9 dias (n = 988; 9D): vacas tratadas com 2 dispositivos intravaginais contendo 1,9 g de progesterona (CIDR) e 2,0 mg de benzoato de estradiol no dia −11; 25 mg (i.m.) de dinoprost tromethamina (PG) e retirada de 1 CIDR no dia −4; 1,0 mg (i.m.) de cipionato de estradiol, retirada do segundo CIDR e PG no dia −2; e IATF no dia 0.

Protocolo 10 dias (n = 991; 10D): vacas tratadas com 2 CIDR e 2,0 mg de benzoato de estradiol em dia − 12; 25 mg de PG e retirada de 1 CIDR no dia −4; 1,0 mg de cipionato de estradiol, retirada do segundo CIDR, e PG no dia −2; e IATF no dia 0. 

Não houve efeito do protocolo na detecção de cio (79.7 vs. 81.2 %; P = 0.38). Uma maior (P = 0,01) porcentagem de vacas do protocolo 10D ovularam perto da IATF (89,3%) em comparação com as vacas do protocolo 9D (85,6%).

Este estudo utilizou diretamente a temperatura retal temperatura individual de cada vaca próximo a IATF (medida no momento da IATF e 7 dias depois), ao invés de apenas usar a temperatura ambiental ou índice de temperatura e umidade. A temperatura retal da vaca se mostrou ser a medida mais sensível do efeito negativo do estresse térmico sobre a P/IA (Vasconcelos et al., 2011; Pereira et al., 2015, 2017b).

Estresse térmico foi um fator crítico que alterou a fisiologia reprodutiva e diminuiu o sucesso reprodutivo em ambos os protocolos testados no presente estudo, e aproximadamente 50% das vacas estavam sob estresse térmico durante o experimento. A interação entre duração do protocolo x estresse térmico (temperatura média das vacas ≥39,1°C no momento da IATF e 7 dias depois) foi observada. A P/IA foi maior nas vacas do protocolo 10D não estressadas pelo calor em comparação com as vacas do protocolo 9D, enquanto P/IA não diferiu nas vacas estavam sob estresse térmico. 

A interação entre a duração do protocolo e a presença de CL (corpo lúteo) no início do protocolo foi observado. As vacas com CL no início do protocolo apresentaram maior P/IA no protocolo 10D em comparação com o protocolo de 9D, porém nas vacas sem CL essa diferença não foi detectada. Esse achado foi considerado intrigante pelos autores.

Era esperado que a presença de um CL no início do protocolo aumentaria a concentração de P4 circulante durante o desenvolvimento do folículo, mas não foi detectada diferença na concentração de P4 circulante no dia da aplicação da prostaglandina em relação a presença ou ausência do CL no início do protocolo.

Este fator pode ter ocorrido porque o CL regrediu em alguns animais antes da administração de prostaglandina (Pereira et al., 2020), enquanto algumas vacas podem ter ovulado num momento muito próximo ao início do protocolo (Pereira et al., 2015, 2017 a, 2020) ou pelo uso de dois dispositivos de P4 que permitiu um melhor perfil hormonal durante o protocolo (Pereira et al., 2017 a, b).

Esses resultados sugerem que os benefícios da presença de um CL no início do protocolo pode não estar apenas associados com a concentração circulante de P4 no momento da aplicação de prostaglandina. Além disso os autores ainda especulam que vacas com CL no início do protocolo podem ter uma melhor sincronização do recrutamento folicular, que está associado a uma melhor fertilidade em vacas leiteiras em lactação.

Maior porcentagem de vacas do protocolo 9D tinham folículos de tamanho médio (13-15,9 mm), e maior porcentagem de vacas do protocolo 10D apresentava folículos maiores (>16 mm). 

O aumento da duração do protocolo de sincronização de ovulação baseado em estradiol e progesterona (10D vs. 9D) aumentou a proporção de vacas com folículos maiores (>16 mm) e aumentou a P/AI em vacas sem estresse térmico e em vacas com CL no início do protocolo. Além disso, o protocolo 10D aumentou a proporção de vacas com ovulação próxima a IATF, demonstrando a eficácia deste protocolo na melhoria do desempenho reprodutivo das vacas holandesas lactantes.

Baseados nos resultados deste estudo a recomendação feito pelos autores é o uso de um protocolo de pré-sincronização eficiente para aumentar a proporção de vacas com CL no início do protocolo de 10 dias. O protocolo de pré-sincronização recomendado é o seguinte: dia -28 inserção do CIDR + 2 mg de benzoato de estradiol; dia –21 retirada do CIDR, aplicação de 25 mg de PG e 1,0 mg de cipionato de estradiol, e dia -12 início do protocolo de IATF de 10 dias. 

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Leia também: 

Este texto é parte do artigo: Increasing the length of an estradiol with progesterone timed artificial insemination protocol with 2 controlled internal drug release devices improves pregnancy per artificial insemination in lactating dairy cows, publicado por Marcos H. C. Pereira e colaboradores no Journal of Dairy Science, 104:1073–1086, 2020 (Doi: https://doi.org/10.3168/jds.2020-18872)

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 11/01/2021

Prezado LEANDRO HILLESHEIM,
Obrigada pela participação! A indicação da pre-sincronização é para a primeira IA pós-parto. A intenção é colocar a vaca no melhor perfil hormonal na primeira IA, e com isso aumentar as chances de concepção. A ressincronização poderia ser usada nas outras inseminações.
LEANDRO HILLESHEIM

REALEZA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/01/2021

O protocolo de pré sincronização é praticamente o mesmo da IATF, não seria mais vantajoso fazer direto a IATF com ressincronização?
HECTOR NAVA TRUJILLO

PESQUISA/ENSINO

EM 13/01/2021

Para melhorar a taxa de prenhez, é necessário que as vacas tenham corpo lúteo no início do protocolo, mas isso é difícil, por isso é feita uma pré-sincronização. Então você pode, é claro, ressincronizar, mas foi observado que a fertilidade diminui a cada nova inseminação, então é melhor tentar cobrir todos os detalhes que permitem maximizar a fertilidade do primeiro IATF, de forma que as vacas para ressincronização sejam cada vez menores.
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