Por que vacas sem nenhuma alteração evidente no trato reprodutivo não ficam gestantes?

Com o objetivo de responder parte dessa pergunta o pesquisador McDougall da Nova Zelândia fez um experimento com vacas que ficaram vazias no final da estação de monta (na Nova Zelândia a produção de leite é sazonal e as vacas têm estação de monta de 4 meses).

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Essa é uma pergunta que sempre deixa o veterinário sem resposta. É muito comum o veterinário chegar em uma fazenda e o funcionário pedir para que uma vaca que mostra cio regularmente (intervalo entre 18 a 24 dias) e já tem mais de quatro inseminações seja examinada, pois ele quer saber o que ela tem, já que é inseminada e não emprenha, e se emprenha não mantém a gestação. Geralmente a vaca é examinada e nenhuma alteração é diagnosticada.

Com o objetivo de responder parte dessa pergunta o pesquisador McDougall da Nova Zelândia fez um experimento com vacas que ficaram vazias no final da estação de monta (na Nova Zelândia a produção de leite é sazonal e as vacas têm estação de monta de 4 meses).

Objetivo: Descrever as patologias visíveis, bacteriologia e histologia do trato reprodutivo de vacas de leite que falham em conceber ou manter a gestação.

Material e Métodos: Foi analisado o trato reprodutivo de 105 vacas (média de número de lactações = 4,8; com vacas de 1 a 12 lactações) que falharam em conceber ou manter a gestação ao final de uma estação de monta de 4 meses, de 10 rebanhos da Nova Zelândia.

Todas as vacas incluídas no experimento tiveram uma (35%), duas (34%), três (23%) ou quatro coberturas (8%), e estavam vazias no diagnóstico de gestação realizado seis semanas após o final da estação de monta e não apresentavam nenhuma alteração possível de ser diagnosticada por palpação retal no trato reprodutivo.

As vacas foram abatidas e o trato reprodutivo foi coletado para analise macroscópica da vagina, útero, tubas e ovários, bacteriologia do conteúdo uterino e histologia do tecido uterino.

Resultados: Trinta e seis vacas (34%) apresentavam uma ou mais alterações visíveis nos ovários, tuba uterina, útero ou vagina.

Lesões visíveis encontradas no trato reprodutivos de vacas abatidas que falharam em conceber ou manter a gestação ao final da estação de monta de quatro meses na Nova Zelândia. (A mesma vaca pode ser incluída em mais de uma categoria).

Figura 1

Foram isoladas bactérias de 22 úteros (21%), incluindo Arcanobacterium pyogenes (n = 1), Escherichi coli (n = 1), Fusobacterium spp (n = 1), Haemophilus sommus (n = 5), Streptococcus acidominimus (n = 12), S. bovis (n = 2), S. uberis (n = 1) e S. salivarious, (n = 1).

Somente 5 vacas apresentavam alguma alteração visível no trato reprodutivo e crescimento bacteriano no material uterino, não foi detectada correlação entre o crescimento bacteriano e o diagnostico de patologias visíveis.

As alterações histológicas detectadas foram pequenas, provavelmente devido ao longo intervalo decorrido do parto no momento do abate das vacas.

Conclusão: Das vacas que falharam em conceber ou manter a gestação após a estação de monta, 34% apresentaram lesões visíveis no trato reprodutivo e 21% apresentaram crescimento bacteriano no conteúdo uterino.

Não foi detectada correlação entre as alterações visíveis, bacteriologia e histologia, sugerindo que as vacas falham em conceber ou manter a gestações por razões muito variadas.

O isolamento de bactérias no conteúdo uterino sugere que as infecções uterinas podem contribuir para as falhas reprodutivas de algumas vacas, mas novos estudos ainda terão que ser realizados para que se determine o porquê de algumas vacas que aparentemente sem nenhuma lesão falham e conceber ou manter a gestação.
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Material escrito por:

Ricarda Maria dos Santos

Ricarda Maria dos Santos

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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José Luiz Moraes Vasconcelos

José Luiz Moraes Vasconcelos

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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Alcides Felipe Canola
ALCIDES FELIPE CANOLA

SEBERI - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 23/05/2007

Prezados José Luiz e Ricarda, além do fator nutricional, quais outras causas da repetição de cio. Temos muitos problemas de repetição em vacas de alta produção, e grande diminuição do intervalo entre partos. O que podemos fazer para correção deste probelma.

Um abraço,

Canola.

<b>Resposta dos autores:</b>

Canola, esse é o problema enfrentado em todas
as fazendas de alta produção. No experimento que
realizamos na Fazenda Colorado, em Araras, SP, o uso
do protocolo de sincronização e inseminação artificial
em tempo fixo, aumentou a taxa de concepção das vacas em relação as vacas inseminadas após detecção de cio convencional (Radar do dia 06/03/2007: Protocolos de sincronização podem afetar a concepção de vacas de leite?).

Ricarda dos Santos
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