Manejo Reprodutivo na Nova Zelândia (Parte - 1)
O desempenho reprodutivo das vacas de leite vem declinando, tanto em sistemas que adotam o pastejo quanto em sistemas com confinamento total. No entanto, o desempenho reprodutivo varia de acordo com o sistema de manejo. Os rebanhos mantidos em sistemas de pastejo na Austrália e Nova Zelândia apresentam melhor eficiência reprodutiva do que os rebanhos confinados dos EUA e da Europa.
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O desempenho reprodutivo das vacas de leite vem declinando, tanto em sistemas que adotam o pastejo quanto em sistemas com confinamento total. No entanto, o desempenho reprodutivo varia de acordo com o sistema de manejo. Os rebanhos mantidos em sistemas de pastejo na Austrália e Nova Zelândia apresentam melhor eficiência reprodutiva do que os rebanhos confinados dos EUA e da Europa.
No sistema sazonal e predominantemente a pasto da Austrália e Nova Zelândia, aproximadamente 80% das vacas são detectadas em estro nas três primeiras semanas da estação de monta, 53-55% das vacas concebem na primeira inseminação, 68-75% ficam gestantes depois de 6 semanas do início da estação de monta e ao final 90-94% das vacas estão gestantes. Em contraste, estudos realizados no Reino Unido mostraram taxa de concepção no primeiro serviço entre 30 e 40%, e porcentagem de detecção de estro nas três semanas depois do período voluntário, entre 30 e 50%, o que resulta em baixa taxa de prenhez.
Nos EUA foi relatado que a taxa de concepção ao primeiro serviço declinou de 65% para 40%, com o aumento da produção por lactação de 4500 para 9000 kg, no período de 1951 a 1996.
A média de dias abertos aumentou de 124 para 168 e o número de serviços/concepção de 1,85 para 3,0 de 1976 até 1999, em rebanhos dos EUA, nesse mesmo período ocorreu o aumento da produção por vaca e do tamanho dos rebanhos.
As diferenças entre os sistemas provavelmente são devido às diferenças de manejo e de genética dos animais.
Produção de leite sazonal
A produção de leite na Nova Zelândia é caracterizada pelo baixo uso de ração total e de grãos na alimentação. A produção é geralmente menor do que nos sistemas que usam ração total (produção média por lactação de 3.791 litros, no ano de 2003).
A sazonalidade dos partos e da estação de monta na Nova Zelândia é definida pela variação sazonal da produtividade e da qualidade das pastagens.
A sazonalidade dos partos resulta no uso eficiente do trabalho e dos outros recursos, devido ao foco do manejo também ser sazonal, como a atenção aos parto e ao recém nascido, bem como os serviços de detecção de cio e cobertura.
A estação de monta resulta na alta probabilidade de um grupo de vacas estarem sexualmente ativas no mesmo período, o que aumenta a probabilidade de detecção correta do cio (assunto discutido no radar: A condição reprodutiva das vacas do lote influencia a eficiência da detecção de cio? Publicado em 21/11/2006). Porém vacas que falham em conceber nas 12 a 14 semanas da estação de monta, devem ser descartadas ou o custo por ficarem vazias até a próxima estação de monta será muito alto.
Para o sucesso desse sistema é imprescindível a ocorrência de um parto/vaca/ano. Porém, o resultado econômico desse sistema sazonal de produção de leite também é dependente da distribuição dos partos no período desejado (os parto devem se concentrar no início da estação de parição, para que haja maior aproveitamento da produção de forragem e maior chance de re-concepção na próxima estação de monta) e da proporção de descarte involuntário (vacas vazias ao final da estação de monta).
O maior desafio reprodutivo dos rebanhos da Nova Zelândia é o anestro pós-parto, aproximadamente 20% das vacas não são detectadas em cio até o início da estação de monta. Essas vacas têm mais chances de terminarem a estação de monta vazias e serem descartadas. A maioria dessas vacas que não são observadas em cio, quando são examinadas, não apresenta corpo lúteo, o que evidencia o problema de retorno a ciclicidade ao invés de falha na detecção de cio (assunto discutido no radar: Anestro X Falha na detecção de cio. Publicado em 21/11/2007).
Os fatores de risco identificados para a ocorrência do período prolongado de anestro pós-parto incluem idade (vaca jovem > velha), intervalo entre o parto e o início da estação de monta, problemas peri-parto, extensão do período de balanço energético negativo, raça (Holandesa > Jersey) e escore de condição corporal (baixo > alto).
O manejo reprodutivo é focado para garantir a distribuição dos partos no período desejado com uso de indução da parição e tratamento das vacas em anestro no início de estação de monta. Apesar dos problemas peri-parto serem relativamente menores do que nos rebanhos de alta produção, mantidos em confinamento, estudos mostram que é economicamente vantajoso identificar e tratar os animais que apresentam problemas pós-parto.
No próximo radar serão apresentadas as práticas adotadas na tentativa de aumentar a eficiência reprodutiva no sistema de produção sazonal de leite.
Fonte:
Este texto é parte do artigo: Reproduction Performance and Management of Dairy Cattle, publicado no Journal of Reproduction and Development, 52:185-194, pelo pesquisador Scott McDougall.
Material escrito por:
Ricarda Maria dos Santos
Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.
Acessar todos os materiaisJosé Luiz Moraes Vasconcelos
Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu
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