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Longevidade da vaca leiteira

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 14/04/2021

4 MIN DE LEITURA

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A longevidade da vaca leiteira é o tempo de vida do animal que, por sua vez, é determinado pela decisão de abate tomada pelo produtor ou pela morte do animal.

A remoção de vacas de rebanhos leiteiros devido a velhice, é rara na indústria leiteira moderna. A decisão do produtor é baseada no interesse econômico associado aos animais de produção. Para serem mantidos no rebanho, eles devem alcançar níveis de produção esperada, reproduzir regularmente e manter-se saudável.

O processo de decisão de descarte é complexo, e um conjunto de fatores devem ser considerados pelo produtor de leite.

Portanto, a longevidade é um composto de características que refletem uma combinação bem-sucedida de muitos aspectos diferentes durante a vida útil de uma vaca. A longevidade das vacas leiteiras está ligada ao desempenho econômico das fazendas, a sustentabilidade da indústria leiteira, e a condição de bem-estar dos animais.

A longevidade curta das vacas, limita a realização de um processo sustentável pela indústria leiteira. O potencial genético para a longevidade aumentou ao longo dos anos, refletindo a inclusão de traços funcionais no cálculo dos índices de seleção. Embora a vaca leiteira tenha uma expectativa de vida de cerca de 20 anos, isso raramente é observado sob condições comerciais modernas.

No Canadá, por exemplo, a idade média que as vacas Holandesas morrem por causas naturais é de 9,1 anos. Isso representaria uma vida produtiva (tempo entre primeiro parto e abate/morte) de 6,8 anos ou cerca de 6 lactações se uma idade média no primeiro parto de 27 meses é assumida.

A falta de uma padronização para medir a longevidade das vacas foi apontado como problema da indústria leiteira, que resulta em diferentes métricas sendo utilizadas por países diferentes, ao contrário por exemplo do registro da produção de leite que é padronizado.

Aumentar a longevidade das vacas leiteiras pode ser uma estratégia para melhorar a eficiência do uso de recursos disponíveis para o produtor leiteiro e para produzir leite com sustentabilidade.

A falha reprodutiva é a razão mais frequente para o descarte involuntário de vacas em todo o mundo, e a incidência de doenças uterinas tem um efeito negativo sobre a reprodução das vacas, o que poderia levar a uma redução da longevidade (Figura 1).

A endometrite é a doença uterina mais prevalente em vacas leiteiras. Sua prevalência foi de 27,1 ou 25,1%, dependendo do método de diagnóstico (característica da descarga vaginal purulenta ou citologia do endométrio, respectivamente) na Nova Zelândia.

Nos Estados Unidos, a prevalência de endometrite clínica foi de 15,0% enquanto a prevalência de endometrite subclínica variou de 13,4% a 53%. Doenças uterinas têm um efeito negativo na reprodução animal por atrasar o reinício de ciclicidade pós-parto, reduzir a taxa de prenhez e aumentar o número de inseminações artificiais por gestação.

Portanto, vacas com alta longevidade tem provavelmente melhor desempenho reprodutivo, com intervalos de parto mais curtos, requerem um menor número de inseminações para ficar gestantes, e número reduzido de dias para o primeiro serviço.

No entanto, ter tido doenças uterinas não colocam a vaca com maior risco de ser descartada se ela emprenhar. Isso demonstra o efeito protetivo da condição reprodutiva positiva (estar gestante) contra o descarte involuntário

Ao contrário da produção de leite e dos componentes do leite, a longevidade das vacas leiteiras não é rotineiramente medida nem relatada. Isso poderia ser parcialmente justificado pela falta de uma definição sólida do termo e, como resultado, pela não inexistência de uma métrica padrão projetada para cobrir todos os aspectos descritos na definição.

A definição de longevidade deve levar em conta a saúde, o desempenho reprodutivo e a produção de leite de qualquer animal durante toda a sua vida útil, que por sua vez são fatores-chave associados ao descarte e à rentabilidade da indústria leiteira.

Tanto quanto possível, a definição deve permitir o uso de métricas que já são rotineiramente coletadas de fazendas ou agências de controle, facilitando a implementação e aumentando as chances de serem amplamente adotadas.

Para isso, a longevidade da vaca leiteira poderia ser definida como um animal com idade precoce no primeiro parto e uma longa vida produtiva com produção de leite lucrativa. Essa definição abrange tanto as condições de vida precoce quanto a permanência do animal no rebanho após o início da primeira lactação, bem como sua saúde geral e qualidade de vida.

Assumindo que um animal seria inseminado pela primeira vez assim que estivesse pronto, a idade precoce no primeiro parto indicaria que o animal foi criado sob condições saudáveis e favoráveis na fase de vida precoce.

Figura 1 - Variação das quatro principais causas de descarte baseado no total de vacas descartadas com causa conhecida no Canada de 1997 a 2019.


(CDIC. Culling and Replacement Rates in Dairy Herds in Canada. Available online: https://www.dairyinfo.gc.ca/eng/dairy-stat istics-and-market-information/dairy-animal-genetics/culling-and-replacement-rates-in-dairy-herds-in-canada/?id=1502475693224)

 

Uma vida produtiva longa e lucrativa implicaria que o animal produziu leite suficiente para justificar a manutenção sob ordenha, reproduzido regularmente evitando uma extensão potencial da lactação a níveis não rentáveis ou períodos secos desnecessariamente longos, e manteve boa saúde, uma vez que a incidência de problemas de saúde está diretamente ligada a falhas de reprodução e redução na produção de leite.

Idade no primeiro parto, duração da vida produtiva e margem sobre todos os custos, são métricas que poderiam ser utilizadas como indicadores de condições de vida precoce, duração da vida e rentabilidade, respectivamente. Combinados, eles forneceriam uma abordagem mais abrangente para medir a longevidade da vaca (Figura 2).  

Figura 2 -  Relação entre os conceitos de rentabilidade, estágios de vida não produtivos e produtivos das vacas leiteiras para uma definição mais abrangente da longevidade das vacas, juntamente com as métricas propostas representando cada conceito respectivo.

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Referências
Este texto é parte do artigo: Keeping Dairy Cows for Longer: A Critical Literature Review on Dairy Cow Longevity in High Milk-Producing Countries (Dallago, et al. Animals 2021, 11, 808. https://doi.org/10.3390/ani11030808)

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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MURILO ROMULO CARVALHO

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/04/2021

Muito interessante o artigo, professora Ricarda. Apenas para adicionar informações, a longevidade média das vacas aqui no Canadá é 2.39 lactações atualmente, e a idade média ao primeiro parto é 24.8 meses.
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 15/04/2021

Prezado Murilo,
Obrigada por compartilhar as informações.
Infelizmente aqui no Brasil, nao temos essas informações de forma precisa!!!
Um grande abraço,
Ricarda
MilkPoint AgriPoint