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Rentabilidade e a atividade leiteira

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/06/2012

5 MIN DE LEITURA

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A tão almejada produção diária de leite é um conceito que classifico como “universal” entre diferentes perfis de produtores em nosso país. Posso afirmar que cresci no meio ouvindo proclamações, como: “leite não é viável se não produzir menos que 1.000 litros/dia”, “quando eu atingir...”, “o objetivo da nossa fazenda é produzir 5.000 litros de leite por dia...”. Como devemos encarar e interpretar tais colocações? Porque será que o conceito de rentabilidade (lucro/investimento inicial) e margem líquida (receita bruta - custos fixos + custos variáveis) é tão assustador ou tão pouco divulgado e comentado entre produtores? Recentemente estive num encontro de técnicos e produtores de leite promovido pela Leite São Paulo, em Botucatu, contando com a presença renomados palestrantes como o Prof° Dr.Fernando Campos Mendonça (ESALQ-USP) e Dr. Marco Aurélio Bergamaschi (Supervisor de Produção de Leite/Embrapa-Pecuária Sudeste), ocasião em que, além de discutirmos aspectos técnicos envolvendo manejo e irrigação de pastagens, tivemos a rica oportunidade de interagir sobre diferentes conceitos envolvendo a produção de leite em dia de campo subseqüente, realizado no dia do evento. Novamente, como de praxe, ao conversamos com produtores, nos deparamos com a tão sonhada: “produção alvo”. Acredito que nós, técnicos e agentes do setor, devemos trabalhar e lutar para reverter esta abordagem incorreta e tão usual entre produtores. Quando avaliamos sistemas de produção devemos ter em mente o conceito de rentabilidade e margem líquida passível de ser alcançada. Justifico:

Para trabalharmos com um determinado sistema de produção de leite, seja ele a pasto ou confinamento, antes de tudo, devemos ter em mente alguns números realistas e evidentes, praticados no mercado, como por exemplo, a renda obtida com arrendamentos de cana-de-açúcar . Em regiões de terras valorizadas, como o estado de São Paulo, de acordo com cálculos que realizei e, considerando um preço médio de 0,50/kg de ATR é possível obtermos uma remuneração de cerca de R$1.100 a R$1.200,00/ha. Considero este número como “ponto de partida” para avaliações e tomadas de decisão na gestão de negócios quando o produtor/pecuarista não tem, claro, como objetivo a venda da terra, convertendo o bem em aplicação financeira. De acordo com os valores apresentados em termos de rendimento passível de ser obtido com o “aluguel” da terra é possível parametrarmos e avaliarmos a atividade leiteira. Ora, para produzirmos leite, precisamos ser eficientes e geramos receita, mas quanto? Até que ponto vale à pena acordarmos cedo todo dia, enfrentarmos todos os desafios impostos pela atividade em detrimento à possibilidade de usar a terra como fonte alternativa de receita via arrendamento?

Por mais incrível que pareça, a maioria dos produtores trabalham com o conceito de buscar um determinado volume de leite/dia para “serem felizes”. Ignoram , se esquecem ou não compreendem o fato de que quando falamos em aumento de produção, automaticamente (na maioria dos casos, com raras exceções) falamos em aumento de despesas, ou seja: para eu produzir mais, eu tenho que consumir mais insumos e, conseqüentemente, gastar mais. Para saltarmos de 500 para 1.000 litros/dia ou de 2.500 litros para 5.000 litros, por exemplo, há sempre um aumento nas despesas. Certamente em determinados momentos do desenvolvimento de um projeto (sistema) é possível usarmos e abusarmos do fator: ganho comparativos e ganhos em escala, ou seja, conseguir produzir mais com mesmos custos fixos. Isso pode ser traduzido como eficiência. E ser eficiente requer conhecimento, experiência e capacidade de gerenciamento, qualidades e atributos que nem sempre caminham de mãos dadas. Independentemente do volume de leite produzido (em qualquer caso avaliado), a pergunta que não cala, dentro de mim, é a seguinte: até quantos centavos/litro geramos de receita líquida? Qual seria uma margem considerada viável e palpável para trabalharmos? R$0,03/L, R$0,05/L, R$0,10? R$0,20!!... enfim, qual seria o limite?!

Recentemente realizei um estudo comparativo, avaliando diferentes margens de ganho/litro (R$/L) comparadas com diferentes volumes de produção, associados a necessidade de área para se produzir leite, estabelecendo então diferentes receitas líquidas por hectare de modo a promovermos comparação com a cultura da cana (arrendamento). Os pressupostos estabelecidos foram: área de 30 ha para produção (modular) de 2.000 litros/dia (menor relação área x produção/dia) e 60 ha para produção máxima de 4.000 litros/dia (amplitude do estudo) em rebanhos proporcionalmente estabilizados, o que pode ser traduzido ou equiparado a um sistema “travado” em 24.333 litros/ha/ano. Em outras palavras, uma necessidade de área de 30 ha para cada 2.000 litros de leite. As margens consideradas foram tabuladas em planilha Excel com valores variando de 0,02 em 0,02 por litro, iniciando em 0,02 e finalizando o estudo com ganhos (margem) de 0,08/litros. Considerando margem de 0,02/L (sistema pouco eficiente), a renda obtida na simulação foi de R$486,47/ha. Neste caso, com uma margem baixa o produtor sequer supera o arrendamento. Independentemente do volume produzido, considerando a escala de 2 em 2 centavos de receita líquida, temos ganhos de R$973,33 (0,04/L), R$1.460,00 (0,06/L) e, finalmente R$1.946,67/ha (0,08/L). Podemos estender o comparativo da forma como quisermos (centavo por centavo) até o limite de margem que julguemos ser possível de se obter na atividade. A decisão é de cada produtor. O fator escala e área disponível também devem ser levados em consideração . É dessa maneira que costumo discutir o assunto com produtores: qual é o pró-labore necessário para um dado produtor sobreviver? Quanto menor for o sistema, maior a necessidade de eficiência, certamente. Havendo maior escala de produção, teoricamente, é possível sobreviver com menores rentabilidades. Em sistemas com limitação de área, é necessário ser muito eficiente, ter baixo custo de produção passível de geral maior receita líquida (R$/L), garantindo o sustento do produtor. Quanto mais valorizada for a terra, proporcionalmente maior será a necessidade de ser competente e eficiente na produção de leite.

Tomando como base (e verdadeiros) alguns números divulgados por produtores em relação ao custo de produção e preços praticados pelo mercado, podemos perceber que é possível obtermos com a produção margens/litro que traduzidas em R$/ha/ano implicam em ganhos superiores ao dobro do faturamento obtido com arrendamentos de cana (0,10/L x 25000L/ha/ano = 2500,00/ha/ano), retratando um cenário promissor e atrativo para sistemas eficientes e com capacidade de expansão e escala de produção.

Fica claro que o produtor de leite precisa e deve trabalhar com números e metas pré-estabelecidas para conseguir atingir seus objetivos. Onde estou? Para onde vou? Onde posso chegar e, finalmente, como posso chegar a um volume de produção e eficiência (margem) que me permita ou justifique a minha permanência e/ou ainda realizar investimentos na atividade? Com assessoria técnica competente e parceria com fornecedores idôneos e competitivos nos diversos segmentos da cadeia o produtor certamente responderá tais questionamentos com mais clareza e lucidez, aumentando suas chances de sucesso no negócio.

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JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/06/2012

Prezado Guilherme,

Sobre o seu posicionamento em relação a assistência técnica, respeito seu posicionamento, mesmo que divergente do meu ponto de vista. E você não está sozinho. Conheço alguns produtores e até mesmo técnicos que, como você, não acreditam e não concordam que o trabalho de assistência técnica realizado por projetos envolvendo entidades e órgãos públicos estejam obtendo o sucesso e resultados como os proferidos pela mídia especializada do setor. Eu tenho acompanhado muitos dados e tenho acompanhado alguns projetos de sucesso e creio que o trabalho é interessante pelo seguinte aspecto: alguns destes produtores não especializados, no passado tinham "o nada". Hoje, mesmo que os projetos em andamento não tenham atingido objetivos concretos, muitos produtores e seus respectivos sistemas de produção, evoluíram. Entre "o nada" e "alguma coisa", fico com "alguma coisa" porque acho que, não conseguiremos mudar esta dura e infeliz realidade do campo, de uma hora para outra. Programa e projetos extremamente especializados, mesmo que corretos, certamente, sofreriam grande resistência por parte deste perfil de produtores para serem implantados. Logo, é necessário um trabalho assistencialista e social, não somente técnico. Para você ter uma ideia, num programa como o CATI-LEITE, em SP, paralelamente à difusão de tecnologia, outros aspectos são abordados e avaliados nas propriedades como a instalação de fossas nas residências das propriedades. Infelizmente, é necessário também um trabalho social. E nada mais justo que tal trabalho seja realizado por entidades do governo. Enfim, temos muitas e distintas realidades no campo e acredito que, para cada caso é possível haver evolução e assistência direcionada. Ressalto, novamente que, mesmo divergindo, respeito sua opinião. Não acredito que eu seja o: "senhor da razão".

Sobre o "agronegócio familiar" com aspas como você fez questão de destacar, tenho profundo respeito. Uma boa parte do leite captado no Brasil e envasado provém deste perfil de produtores. Não podemos desprezá-los ou mesmo pensarmos em erradicá-los. Não há necessidade. O mercado tem sinalizado claramente que, somente produtores especializados terão condições de sobreviver. Independentemente do volume produzido ou sistema de produção. Empresário do setor ou agricultor familiar, ambos os perfis deverão ser eficientes. Se o primeiro tem mais condições de ser especializado que o segundo é um debate para outra ocasião.

Sobre a rentabilidade de sistemas de produção de leite com menor volume (escala) de produção, o que quis dizer e ponderar é o fato de que, por ser pequeno, por não ter funcionários, por "tocar" sozinho seu empreendimento, o pequeno produtor familiar tem a possibilidade de obter um baixo custo de produção e produzindo leite de qualidade, ser bem remunerado obtendo margens maiores. Isso não quer dizer que todo pequeno produtor seja mais eficiente e obtenha sistema mais rentável que grandes sistemas bem conduzidos.

Um abraço!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/06/2012

Prezado João Paulo V. Alves dos Santos: Discordo de você, porque compreendo haver somente dois tipos de produtor - o tecnificado e o não. Para que o segundo deixe de existir, mesmo sendo a maioria, é preciso que se empenhe, a assistência técnica, em transformá-lo no primeiro, o que, a meu entender, não está sendo feito, o que é admitido por você mesmo, ao expender que é "preciso municiá-lo de informações técnicas fundamentadas". O que se tem, na maioria das vezes, é uma tentativa lânguida de aumentar sua dignidade, mas, não, de tê-lo profissionalizado. Por isso, nossa produção é pífia.
Também não concordo que o "agronegócio familiar" porte "rentabilidade muito superior quando comparados com sistemas de produção em larga escala", porque esta não é a realidade, de sorte que quanto maior a produção de determinado indivíduo, menor - inversa e proporcionalmente - o seu custo. Se assim não fosse, a indústria automobilística não adotaria a produção em série e escala, só para nos manter num exemplo simplório.
Um abraço,


GULHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/06/2012

Prezado Guilherme,

Obrigado pela participação, novamente!

Tenho opinião divergente sobre a questão de programas (projetos) como o Balde Cheio. Acredito que existem diferentes demandas e perfis de produtor e o mesmo encontra opções no mercado para trabalhar, seja através de consultoria gratuita ou remunerada ou mesmo via empresas do setor (pós-venda de produtos). O primeiro passo para tornar um produtor num "profissional do setor", fazendo uso de suas palavras, sob o meu ponto de vista é municiá-lo de informações técnicas fundamentadas de modo que o mesmo tenha acesso ao conhecimento e, em conjunto com o técnico assistente, tome decisões corretas. Não associo profissionalismo à volume de produção. Muito pelo contrário, por questão de sobrevivência, acredito que o pequeno produtor necessite ser muito eficiente para sobreviver. É necessário e compreensível que negócios atrelados à mão-de-obra familiar apresentem rentabilidade muito superior quando comparados com sistemas de produção em larga escala. Acredito que a maior restrição ao sucesso do produtor em termos de eficiência e resultados seja até mesmo cultural. O produtor ainda não percebeu que, proporcionalmente a assessoria técnica é muito barata (e pouco valorizada em nosso país) e o seu custo x benefício é muito favorável. Com boa consultoria, muito tempo e dinheiro pode ser economizado.

Assim como você, não encaro a atividade de leite como coisa de banqueiros, grandes industriais, etc, até porque, este "empresariado" geralmente é muito bem informado quanto à possibilidade de obtenção de rendimentos favoráveis ou não no agronegócio o que faz com que muitos não sejam atraídos com a rentabilidade gerada pelo leite ou outras atividades agropecuárias (opções de investimento).

Sobre a minha eficiência como produtor, não saberia dizer se, efetivamente, sou de fato: eficiente. Estamos há mais de 30 anos no negócio e, confesso, aprendemos todo dia. Também não me sinto à vontade em dizer, comentar ou até mesmo me comparar ao Roberto ou qualquer outro produtor. Julgar eficiência sem participar e acompanhar os índices e números de um sistema de produção é complicado. Sobre o Roberto e família apenas posso dizer que gosto muito dele como pessoa e colega/liderança de setor.

Vamos em frente.

Um abraço, até!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/06/2012

Prezado João Paulo V. Alves dos Santos: Realmente, o fator tempo tem sido o principal entrave para alguns produtores de leite. Ainda mais para os que - tal como aquele indivíduo que pretende emagrecer e começará seu regime sempre amanhã (rsrsrs) - deixam para mais tarde o início de suas evoluções. É preciso, indubitavelmente, iniciar um procedimento evolutivo (genética, manejo, técnico, operacional) o quanto antes, ou este "fator tempo", que você tão bem colocou, sempre terá seu lugar cativo nas maiores necessidades do sistema nacional de produção de tempo, Por isso é que eu sempre critico o "Projeto Balde Cheio", porque entendo que o mesmo, ao invés de praticar o futuro, tenciona, apenas e tão somente, iniciar um processo de melhoria ínfima da produção nacional e volta-se para dar alguma dignidade ao produtor, na contramão de torná-lo um profissional do setor, deixando o Brasil, sempre, atrás das potências mundiais de produção de leite, muito embora tenhamos condições técnicas e pessoais para figurarmos no topo.
Precisamos, com urgência, de um "Programa de Aceleração do Crescimento" leiteiro sério, menos político e mais técnico (ao contrário dos já existentes, voltados para a habitação que, em grande parte sequer saíram das pranchetas e dos croquis), ou vamos se nos apresentar, de corriqueiro, com o exportadores (que, hoje, somos) ao contrário dos grandes exportadores (que podemos e temos condições plenas de sê-lo) de leite.
Finalmente, embora considere que a mobilização setorial seja imprescindível, sem a acolhida do Governo Federal (que empresta bilhões de dólares à Grécia e tem pena de emprestar bem menos a nós, seus cidadãos, que lhe devolveremos, com certeza em divisas e mais divisas comerciais em sua balança, já que o agronegócio, mesmo em estado de penúria em que se encontra mergulhado, atualmente, assim age) ela sempre representará um grande nada, já que a experiência de vocês, na "Leite São Paulo", e a minha, na Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais, nos dizem, com certeza, que ter excelentes intenções pouco adianta sem apoio financeiro e político governamental, de sorte que a iniciativa privada, sozinha, não possui numerário econômico seguro para tal, o que promove o quadro atual de boas participações individuais, mas a generalidade caótica em que vivemos dentro do setor.
Enquanto este estado de coisas persistir, a ideia de que produzir leite é coisa da elite financeira (banqueiros, grandes industriais, ricos de toda a sorte e profissões) sempre se sobreporá sobre a realidade comum, mesmo que nós - os que conhecemos o setor - saibamos que isto não é a verdade (se fosse assim, eu estaria fora, pois longe estou de ser elite - rsrsrs).
Em resumo, de nada adianta que eu, você e o Roberto Jank (para citar só alguns) sejamos produtores eficientes se nossos vizinhos (quase todos) não o são.
Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANSOS CONFINANDO QUALIDADE=
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/06/2012

Prezado Guilherme,

Obrigado pela participação e comentários!

A "Seleção Natural das Espécies" de certa forma retrata bem o cenário do mercado mundial hoje, como um todo, correto? Concordo com você que este processo realmente já começou. E acredito que tudo isso seja necessário para que haja evolução. O ser humano é o mais adaptado o mais inteligente dos seres vivos. Ele não surgiu do nada. Ele é fruto de uma evolução que levou muitos anos. Muitos anos. Acredito que a estruturação de uma cadeia como um todo, em qualquer segmento, segue esta tendência: fator tempo. Não podemos enlouquecer e nos revoltarmos com relatos e quadros como o que você mencionou, corretamente, em seus comentários. Este suposto perfil, dentro de alguns anos será "espécie em extinção".

O que precisamos, Guilherme, e neste caso eu, você e demais colegas devemos assumir este desafio é passar para frente ideias e conceitos novos. Justamente na linha da sua conclusão do seu comentário. É difícil? É difícil. O que é fácil hoje? Fácil hoje é ficar em casa e não fazer nada. Quem pode fazer isso hoje em dia? Precisamos mudar a forma de encarar a atividade. No encontro que participei em Botucatu, pela Leite São Paulo, escutei do Prof° Fernando (ESALQ-USP), uma colocação que eu achei muito, muito importante: "o produtor sem assistência técnica não é nada. A assistência técnica garante a credibilidade ao produtor. Como um produtor pode captar recursos sem um bom projeto na mão? Como um produtor pode chegar ao gerente do banco e pedir um financiamento de mãos vazias? O técnico é quem realiza um projeto. É quem apresenta os números, as propostas e capacidade de pagamento do mesmo. Com isso a instituição financeira tem condições de avaliar se deve ou não emprestar seu capital para um dado produtor". Isso realmente é importante. Infelizmente, hoje, os departamentos técnicos dos bancos ainda são pouco desenvolvidos. Tenho colegas trabalhando nessa área e acredito que eles poderiam fazer muito mais. As instituições financeiras, ainda hoje realizam uma matemática voltada para garantias. Se "a garantia" cobrir a captação, libera (se o produtor tiver bom cadastro, evidentemente). Se não houver garantia, não há financiamento. Então vem a pergunta: e qual garantia tem o produtor? Muitas e de grande valor. A começar pela terra. Alienar seu bem não é interessante? Ok, isso é assunto para outra ocasião.

Hoje, há recurso sim! Temos diferentes linhas de crédito e o produtor precisa de boa orientação para captação. É necessário que os bancos se aproximem mais ainda dos produtores, gerando capacidade de investimento. Porque o campo precisa. Temos o PAC, temos toda uma política expansionista volta para o crédito habitacional. Ah mas construção gera empregos, envolve cimento, envolve.... bom, pára. Você sabe, como entusiasta do setor do nosso potencial. Financiar o campo é fazer o Brasil crescer, fazer o Brasil progredir! Nós podemos muito mais, com certeza! Concorda?!

Forte abraço!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/06/2012

Prezado João Paulo V. Alves dos Santos: Concordo com as suas ponderações quanto à assistência técnica, muito embora deseje adicionar que, na grande maioria dos pequenos produtores (considerada a faixa acima de duzentos litros/dia) o que falta é puro interesse com relação à mesma, já que, nesta esteira de atuação produtiva e abaixo dela, quase nenhum possui, sequer, um Médico Veterinário efetivo - procurando este profissional, apenas e tão somente, quando a coisa aperta e corre-se o risco de perder o animal - quanto mais um extensionista voltado para a produção leiteira. Digo isto a nível de Brasil e, não, de determinada Região. Dificilmente podemos encontrar produtores de leite voltados ao bem estar de seus animais, que nutram a ideia de que, tal como nós procuramos nossos médicos, tanto de forma preventiva quanto curativa (mais neste último caso, rsrsrs) as vacas, como seres vivos, também reclamam tais visitas. Por isso nossa produção individual é tão pífia. É justamente o que falta ao produtor brasileiro - profissionalismo para que possa ober de sua criação o máximo que ela pode render e o desejo de ampliar esta capacidade com a constante evolução genética. Nós já estamos na era da clonagem de indivíduos, mas o produtor doméstico permanece, infelizmente, na idade da pedra lascada, vivendo em cavernas e - o que é bem pior - não tem intensão de chegar ao futuro, por simples acomodação.
O resultado prático disso, tenho dito com regularidade , é que a seleção natural darwiniana (só os fortes, os evoluídos, os especializados sobreviverão) já começou na cadeia produtiva láctea e os que não se profissionalizarem, voltarem-se para a produção em série, serão fósseis em tempo muito próximo.
Quanto à perda de espaço da pecuária leiteira para a cana de açúcar, embora entenda ser um assunto bem mais complexo do que parece, deixo a mensagem que se o produtor de leite for profissional, tiver controle seguro e real de seus custos, não vai ser bom negócio arrendar as terras, mas, sim, produzir muito leite nelas, ainda que em sistemas de criação pouco produtivos.
Parabéns pelo artigo.
Um abraço,


GUILHERME ALVESDE MELLO FRANCO
FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/06/2012

Marcello,

Agradeço, novamente, a sua participação!

Seus comentários são pertinentes no que se refere às dificuldades em se produzir leite em baixa escala.

Acredito que a escala de produção, mesmo com os problemas por você levantados em seu comentário pode ser, realmente, um problema se o produtor não for eficiente. Em outras palavras, justamente,em função destes desafios, o mesmo terá que partir para a produção familiar como forma (e única) de sobreviver. Isso é muito importante para o setor, ressaltemos, porque não podemos ter o preconceito e achar que, por ser pequeno e carente de recursos financeiros, o pequeno produtor não possa fazer um bom trabalho. Acredito que o o foco de grandes sistemas seja o ganho em escala com menores rentabilidades. No caso de pequenos, com profissionalismo e uso da própria mão-de-obra para conduzir o seu negócio, este produtor alcançará maior rentabilidade, porém com menor volume e receita total. Se conseguirá sobreviver? Não ouso responder. O mercado e o tempo nos revelará. Um aspecto que devemos tomar muito cuidado é para não trabalharmos com metas e mentalidade de grandes produtores (em tese) e, na prática obtermos resultados de pequenos: isso tem acontecido com muitos e aí sim, concordo contigo que estes, sim, deixarão o mercado. Cedo ou tarde.

Sobre a assistência técnica acredito que o fator inibidor do sucesso da mesma, ainda é a ignorância e a falta de instrução, associada a natural prepotência como mecanismo de defesa daqueles que julgam conhecer, sem nada saber... Havendo interesse em mudar e buscar solução para o seu negócio através do auxílio técnico, o produtor pode encontrar bons profissionais no governo (programas gratuitos) como também através da contratação de consultor privado. Devemos ressaltar ainda que consultoria de qualidade não está necessariamente associada ao custo e/ou investimento na mesma. É necessário saber distinguir o bom do mal profissional, como em todos os seguimentos do mercado.

Vamos conversando, parabéns pelo esforço e trabalho com a Associação.

Abraço, até!
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/06/2012

Caro João Paulo

Acho dificil a sobrevivência de produtores com menos de 500 l/dia nos próximos anos por várias razões.

Com combustível caro o desconto da captação pelo preço real do transporte para produtores com menos de 500 litros reduzirá muito o valor liquido recebido pelo produtor inviabilizando sua atividade e a pressão do mercado não permite que os produtores maiores subsidiem os pequenos ( no passado vivemos essa na APLEC, seu pai conhece bem o problema ). A captação só será viabilizada através de tanques comunitários, com os produtores transportando o leite sem resfriamento, e essa situação será insustentável se quizermos ter qualidade do leite no Brasil.

Ficará muito difícil esses produtores reduzirem custo, pois não há espaço para diluir custos fixos ( como a própria assistência técnica ), e também a redução de custos através de compras comunitárias ficará prejudicada pois o custo da distribuição de pequenas quantidades do que for comprado solapará os ganhos da compra em maior volume.

Também os gastos com sanidade do rebanho ( exames de tuberculose, brucelose ), a menos que o Governo assuma esses custos, o que acho muito dificil, se não forem diluidos num volume de leite razoável inviabilizarão a redução de custos e não é admissível quando se pensa no futuro que tenha produtores que não façam esses exames ( hoje grande parte dos pequenos produtores não fazem ).

Por vários aspectos como esse acredito que daqui alguns anos não haverá espaço para pequenos produtores de leite com 50, 100, 200 l/dia. E penso que temos a obrigação de alertar quem que permanecer na atividade, que além de aumentar produtividade e reduzir custos precisa pensar em aumentar a escala de produção, sem o que até a redução de custos pode ficar inviabilizada.

É lógico que aumentar escala sem reduzir custos e aumentar produtividade pode resultar em aumentar prejuizo.

Resumo meu pensamento na seguinte colocação: "Aumentar a escala de produção é condição necessária para a sustentabilidade do produtor de leite, mas não é suficiente. É preciso junto com ela aumentar a produtividade e reduzir os custos de produção. E a assistência técnica é o que assegura o equilibrio do tripé escala de produção, produtividade e redução de ccustos".

Grande abraço

Marcello de Moura campos Filho

JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/06/2012

Prezado Rodrigo Zambon,

Perfeito..! Creio que estejamos falando a mesma linguagem. Sobre o Balde Cheio, ok. Há gerenciamento técnico, monitoramento e supervisão nos dados obtidos. Muito bom.

Fiquemos com os 5%...

Abraço!
RODRIGO ZAMBON

TEUTÔNIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/06/2012

Boa noite João Paulo,

Quanto a metodologia utilizada para os calculos do custo de produção nessas propriedades que me referi, é a metodologia que o Projeto Balde cheio utiliza, porem esses dados são de propriedades de 500 a 1000 litros/dia.
Quanto a taxa de remuneração do capital em algumas propriedades encontramos casos com numeros entre 10 e 12%, mas é raro, o normal é algo em torno de 5%.

Att,

Rodrigo Zambon
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/06/2012

Prezado Everardo do Santos,

Agradeço a sua participação e sugestão!

O "estudo" não foi publicado. Foi apenas uma simulação que realizei para desenvolver o raciocínio explicitado no post. A sua sugestão é boa. Entrarei em contato com a equipe técnica do site para que possamos disponibilizar este conteúdo (planilha) em outro post, direcionado apenas para download. Combinado?!

Abraço!
EVERALDO E. DOS SANTOS

PIRAPORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/06/2012

Bom dia João Paulo,
A sua abordagem sobre o tema,com certeza é inovadora para muitos produtores.Meus parabens.No entanto, para que o produtor possa customizar seus dados,seria necessário o conhecimento do "Estudo Comparativo Avaliando as Diversas Margens" em planilha excel, como foi informado.Assim, cada um poderia estabelecer suas metas. Pergunto:Este estudo foi publicado,se não foi, poderá ser disponibilizado?Seria uma contribuição adicional.
Obrigado,
Everaldo.
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/06/2012

Prezado Mucio P. de Araújo,

Opiniões precisam ser fundamentadas para terem validade. Será que seu amigo tem mesmo razão? Cabe a você crer ou não (obviamente é um direito seu...)

Permita-me discordar. Acho que o mercado mudou, sim e está extremamente competitivo, oferecendo oportunidades somente para competentes. Se partirmos do pressuposto de que as considerações retratadas por você são verdadeiras, como existe "o oligopólio", os produtores serão extintos em sua totalidade e com os anos não haverá mais leite produzido no Brasil... Isso não é verdade, uma vez que a produção de leite anual no Brasil aumentou nos últimos anos, a informalidade vem caindo e temos mais leite, supostamente com menos produtores. Em outras palavras, o que mudou e está mudando é o perfil do produtor de leite no país. Felizmente!

Um abraço!
MÚCIO PAIXÃO DE ARAÚJO

LUZ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 20/06/2012

Há muitos anos ,um amigo meu,produtor de leite me disse que não adiantava tirar mais leite,pois o trabalho aumentava e o lucro era o mesmo...
De lá prá cá;melhorou pouco,pois o oligopólio não te deixa ganhar dinheiro produzindo...
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/06/2012

Prezado Marcelo Ribeiro,

Obrigado pela sua participação.

Sem conhecer mais detalhes envolvendo seu sistema de produção é impossível proferirmos comentários sobre a capacidade do mesmo em gerar resultados positivos. No primeiro caso, você cita uma produção diária de 1400 litros em 20 ha, ou seja, 25.550L/ha/ano, um sistema relativamente eficiente.

Sobre sua segunda exposição/linha de raciocínio, não consegui compreender muito bem a questão de 300 animais sem limite de área..(?). Considero também um valor de 700 a 800 animais (rebanho) muito elevado para 300 vacas em produção representando uma distribuição (estrutura) de rebanho desequilibrada o que, certamente, comprometeria a capacidade do sistema em gerar bons resultados...

Sobre o "Resumo do comentário", realmente, para sobreviver com o leite é necessário muita eficiência. Acredito que tenhamos, presumidamente 2 formas de trabalho:

1-) familiar, enxuta, com custos diminutos e maior ganho/litros

2-) larga escala, menor ganho por litro e ganhos atrelados a maior volume produzido (escala de produção)

De maneira simplista e "darwiniana", o mercado impõe pressão e faz com que o mais adaptado (leia: eficiente) venha sobreviver.

Um abraço!
MARCELO RIBEIRO RODRIGUES

TEÓFILO OTONI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/06/2012

Bom Comentário este do Dr João Paulo só que por aqui não temos quem nos alugue a terra e se tivessemos garanto que estariam todas alugadas justo porque estamos muito longe das areas produtoras de insumos e o transporte onera estes insumos em 50% ( exemplo:- se a polpa sai a R$0,25 o nosso preço final colocada em nossas fazendas é de R$0,375 Com a ureia, soja, milho algodão é tudo a mesma relação)
Assim sendo não temos outra opção a não ser através da "extrema eficiência" o que é dificilimo de ser conseguido.
Em uma planilha Exel tabulei várias formas de se conseguir resultado financeiro admissivel para eu poder sustentar a minha familia na cidade e as unicas vezes que consegui foram:- 1° Ou se consegue 20 litros de média com no minimo 70 vacas em lactação alojadas em 20 ha. ou,
2° ou 300 vacas comendo sem ração em pastos bem remanejados e sem limite de ha
No primeiro caso com 15 litros de média empata e menos disto é perda das grandes
No segundo caso para se ter 300 vacas em lactação precisa-se ter no minimo um plantel de 700 a 800 vacas dado que a reprodução fica ameaçada com alimentos de baixo poder nutricional ( exemplo lignina )
Resumo do comentário : não vejo muita chance em sustentar uma familia com leite, e olha que só tenho dois meninos que ainda novos onde o gasto está monitorado
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/06/2012

Prezado Rodrigo Zambon,

Quando visitamos propriedades e perguntamos o custo de produção para os produtores/proprietários é necessário conhecermos a metodologia e forma de levantamento de dados dos mesmos (custos). Infelizmente, a grande maioria dos produtores sequer realiza escrituração zootécnica adequada e de modo eficiente... Nestes casos, o que nos leva a crer que realizam e têm condições de gerar dados consistentes em relação aos custos....?

Ok, existem exceções, claro. E existem levantamentos com boas metodologias que são feitos e aplicados em diferentes produtores/fazendas, em trabalhos de pesquisa ou consultoria técnica. Se sua afirmativa está fundamentada em dados coletados dessa forma, sugiro que disponibilize neste espaço, os referidos valores e números (custos baixos) para nossa apreciação e avaliação.

Sobre a a taxa de remuneração do capital, dependerá, obviamente da eficiência de um sistema de produção, por isso que centralizo o raciocínio na margem... O assunto é bem polêmico. Escuto produtores falando em 0,05 a 0,10/L como um número difícil. E alguns colegas, comentando que produtores muito eficientes e pequenos conseguem muito mais... (margem muito maior). Onde está a verdade? Considerando margem de 0,10/L (que eu julgo bem eficiente) e aceitando o custo como investimento para produção, teríamos, neste caso uma remuneração de 11,8%. Se estes números forem associados a uma média anual, então teríamos uma taxa de 11,8% a.a... Veja o mercado hoje e as opções de rendimento.. (o valor é bastante alto, não acha?!). Creio que valores entre 4 a 6% a.a. sejam mais realistas.

Sobre a dúvida, envolvendo análise de investimento, recomendo que o projeto seja plotado em planilha de fluxo de caixa para avaliação de valor presente líquido (VPL). Para comparação e avaliação da eficiência do projeto você deve usar a taxa de remuneração do capital disponível para o dinheiro que financiará o mesmo. Em outras palavras buscaríamos avaliar, o quanto, eventualmente ganharíamos a mais se retirássemos este dinheiro aplicado em disponibilizássemos o mesmo num dado projeto.

Um abraço!

RODRIGO ZAMBON

TEUTÔNIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/06/2012

Bom dia João Paulo,

Estive visitando algumas propriedades no RS e vimos que as margens são bem maiores do que citaste no seu artigo. Apenas para troca de informações, qual é o custo médio por litro nessas propriedades? Qual é a taxa de remuneração sobre o capital?

Uma duvida é: Para calcular a remuneração sobre a terra voce utlilizou o custo de oportunidade, ou seja, o que eu estarei ganhado se arrendasse para o plantio de cana, está errado se eu calcular a remuneração do capital com base em uma taxa anual de juro?
Att,
Rodrigo Zambon
JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

LENÇÓIS PAULISTA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/06/2012

Marcello,

Agradeço, mais uma vez, pela participação e comentários.

O objetivo deste artigo foi destacar o conceito de margem e não o conceito de produção, conforme discussão em nosso encontro da Leite São Paulo, ocasião em que você também estava presente e que perante diversos participantes e técnicos tive a oportunidade de fazer colocações sobre os aspectos abordados no post, acima.

Respeito seu raciocínio e ponderação sobre qual volume ou a partir de qual volume de leite/dia seria possível produzirmos leite... no entanto, temos que trabalhar focado: 50, 100, 500 ou 2000L/dia pode ser produção cabível em qualquer sistema, desde que eficiente, ou seja: baixo custo. Claro que uma produção de 50 ou 100 litros pode comprometer a capacidade do produtor em pagar por assistência especializada, mesmo assim existem alternativas para acessar conhecimento, caso tenha interesse, hoje, no mercado (Cati Leite e Balde Cheio, por exemplo). Discutimos muito que, acima de tudo as mudanças dependem da vontade e interesse do produtor. Mesmo para produções não muito altas, mas acima da média/Brasil, como 500L/dia é possível o produtor pagar por assistência de qualidade que representaria para esta produção algo em torno de 5% do seu faturamento bruto/mensal...

Enfim, sua conclusão é fundamental: assistência técnica direcionada para a sustentabilidade do negócio leite. Não podemos deixar de mencionar também, importantes considerações à respeito deste tema, em especial, como do Prof° Fernando Campos Mendonça de que é através da assistência técnica que o produtor passa a adquirir capacidade para a busca de recursos financeiros (são os técnicos que elaboram projetos que por sua vez fundamentam as transações de crédito rural/financiamentos).

Um abraço, até!
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/06/2012

Caro João Paulo

Parabens pelo artigo, que procura mostrar pontos que o produtor de leite deve estar atento para aumentar suas chances de sucesso no negócio.

Entendo que você cita como referência a remuneração liquida para cana de R$ 1.200,00/ha/ano, uma vez que fala de arrendamento.

Para margens de R$ 0,05/litro, R$ 0,10/litro e R$ 0,20/litro, o produtor de leite precisaria ter respectivamente as seguintes produtividades: 24.000 litros/ha/ano, 12.000 litros/ha/ano e 6.000 litros ha/ano. Consideremos que o produtor tenha um custo constante e que a margem do produtor vai depender só do preço que o mercado paga por litro de leite. Se pensarmos que o mercado tem épocas de vacas magras ( margem de R$ 0,05/litro ) e vacas gordas ( margem de R$ 0,20/litro ), o produtor para assegurar uma produtividade de 12.000 litros/ha/ano, para ter rentabilidade de R$ 600,00/ha/ano na época de vacas magras e R$ 2.400,00/ha/ano na época de vacas gordas e assim assegurar uma rentabilidade média de R$ 1.200,00/ha/ano, equivalente a uma margem de R$ 0,10/litro.

Não é tarefa facil assegurar essa produtividade e principalmente manter o custo de produção num nível que possibilite margem. Por isso o produtor de leite, que na maioria dos casos não tem formação técnica e instrução geral limitada, precisa de assistência técnica permanente, e você sabe muito bem que isso custa dinheiro.

E isso exigirá que o produtor tenha escala mínima de produção, para diluir custos fixos, nos quais se inclui o custo de assistência técnica. Mesmo que produtores se aglutinem em grupos, precisaram de uma produção mínima para ter custos que permitam pagar assistência técnica e ter custos de produção que assegurem margens.

No meu ponto de vista um produtor independente precisará de um mínimo de 2.000 litros/dia e um produtor trabalhando em grupo de um mínimo de 500 litros para exercer a atividade de forma econômicamente sustentável, ou seja, assegurando a produtividade e custos que assegurem rentabilidade necessária.

O objetivo da Leite São Paulo é congregar técnicos e produtores de leite para vibilizar a assistência técnica necessária para assegurar a sustentabilidade econômica do produtor.

Você sabe disso pois é associado da Leite São Paulo. Seria muito bom que técnicos e produtores de leite fizessem como você, se juntando à Leite São Paulo para colaborar no trabalho na direção da sustentabilidade econômica da pecuária leiteira paulista.

Abraço

Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da Leite São Paulo
MilkPoint AgriPoint