Fatores de risco para o reinício da ciclicidade pós-parto e sobrevivência embrionária em vacas de leite lactantes.

O objetivo deste estudo foi avaliar os fatores relacionados com o retorno da ciclicidade pós-parto e a sobrevivência embrionária em vacas de leite lactantes. Aumentando o escore de condição corporal (ECC) ao parto e à primeira IA, e reduzindo a perda de ECC após o parto - encurtando o intervalo entre o parto e o retorno a ciclicidade - aumentam as chances da vaca ficar gestante mais cedo, devido ao aumento das chances de sobrevivência embrionária.

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Este texto é parte do artigo "Risk factors for resumption of postpartum estrous cycles and embryonic survival in lactating dairy cows", publicado pelos pesquisadores: Santos, JEP, Rutigliano, HM, Sá Filho, MF, em 2009 na revista Animal Reproduction Science, v.110, p.207-221.

O objetivo do estudo foi avaliar os fatores relacionados com o retorno da ciclicidade pós-parto e a sobrevivência embrionária em vacas de leite lactantes. Vacas Holandesas (n=6396) de quatro rebanhos foram analisadas para determinar a relação entre ordem das lactações, escore de condição corporal (ECC) ao parto e a primeira IA, estação do ano em que o parto ocorreu e produção de leite no retorno à ciclicidade 65 dias pós-parto, e todas as variáveis descritas anteriormente, mais ciclicidade e método de IA na taxa de concepção e na sobrevivência embrionária após a primeira IA pós-parto.

As vacas foram pré-sincronizadas com duas injeções de prostaglandina aplicadas com 14 dias de intervalo e foram inseminadas entre 69 a 82 DPP, após a sincronização do estro (GnRH - 7dias - PGF - observação de cio) ou da ovulação (protocolo Ovsynch) com o protocolo iniciado 12 a 14 dias após a pre-sincronização.

Amostras de sangue foram coletadas duas vezes (aproximadamente 51 e 63 DPP) para determinar a ciclicidade das vacas pela dosagem de progesterona. As vacas foram consideradas ciclando quando a dosagem de progesterona foi maior ou igual a 1ng/ml em pelo menos uma das amostras.

O ECC foi avaliado na semana após o parto e no momento da primeira IA pós-parto, entre 69 a 82 DPP. A produção de leite de cada vaca foi avaliada nos primeiros 90 DPP. A gestação foi diagnosticada 30 ± 3 e 58 ± 3 dias após a IA.

Uma maior porcentagem de vacas multíparas já tinha retornado a ciclicidade aos 65 DPP (P<0,001). O retorno a ciclicidade foi influenciado (P<0,01) pelo ECC ao parto e a primeira IA, estação do ano e produção de leite. Mais vacas (P<0,001) que iniciaram a ciclicidade até os 65 DPP estavam gestantes 30 e 58 dias após a primeira IA, em comparação com as vacas que estavam em anestro, porém a condição de ciclicidade não afetou a sobrevivência embrionária.

A taxa de concepção foi afetada (P<0,01) pela ordem, ECC ao parto e a primeira IA, mudança no ECC e estação do ano em que o parto ocorreu, porém não foi afetada pela produção de leite e pelo tipo método de inseminação utilizado. Os fatores que reduziram a concepção aos 30 dias após a IA, também aumentaram a perda de gestação entre os dias 30 a 58 após a IA.

Aumentando o ECC ao parto e à primeira IA, e reduzindo a perda de ECC após o parto, encurtando o intervalo entre o parto e o retorno a ciclicidade, aumentam as chances da vaca ficar gestante mais cedo, devido ao aumento das chances de sobrevivência embrionária.

Fatores de risco para o reinício da ciclicidade aos 65 DPP em vacas leiteiras lactantes.

Figura 1

Fatores de risco para a concepção 30 dias após a primeira IA em vacas leiteiras lactantes.

Figura 2

Fatores de risco para a concepção 58 dias após a primeira IA em vacas leiteiras lactantes.

Figura 3

Fatores de risco para a perda de gestação entre 30 e 58 dias após a primeira IA em vacas leiteiras lactantes.

Figura 4
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Material escrito por:

José Luiz Moraes Vasconcelos

José Luiz Moraes Vasconcelos

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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Ricarda Maria dos Santos

Ricarda Maria dos Santos

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

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Rogério Oliveira Correia
ROGÉRIO OLIVEIRA CORREIA

ORIZONA - GOIÁS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 22/03/2009

Estes radares técnicos são de grande valia, principalmente para nós tecnicos de campo, facilitando a interação entre pesquisador, veterinario de campo e homem do campo.
laercio flores marques
LAERCIO FLORES MARQUES

SÃO JOSÉ DO CEDRO - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/03/2009

Todos os artigos sobre o comportamento reprodutivo dos animais são muito interessantes. Entendo que sendo técnico de campo seria mais esclarecedor que o articulista pudesse fazer uma apreciação descritiva dos resultados obtidos estatisticamente para melhor entendimento dos dados obtidos. Obrigado.
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