Falhas reprodutivas em vacas sob estresse térmico: aspectos básicos e aplicados

devido à importância do tema e por divulgação de pesquisa com resultados interessantes, trouxemos esse artigo para discutir sobre. Saiba mais aqui.

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Estresse térmico já foi discutido em radares anteriores. Porém, devido à importância do tema e por divulgação de pesquisa com resultados interessantes, estamos tendo esta pequena introdução para melhor entendermos o problema de menor concepção no outono, que afeta muitas propriedades.

O grupo do Prof. Wolfenson, de Israel, (Impaired reproduction in heat-stressed cattle: basic and applied aspects, Animal Reproduction Science, vol. 60-61, p. 535-547, 2000) fez uma revisão onde descreveu os possíveis aspectos fisiológicos envolvidos com falhas reprodutivas no verão.

A seguir, apresentaremos o resumo, pois nos radares seguintes serão apresentados resultados de pesquisas desenvolvidas pelo seu grupo visando minimizar o efeito tardio do verão na concepção (efeito no outono, quando as temperaturas já estão baixas, porém os animais ainda apresentam menor concepção).

Estresse térmico do verão é o principal fator que contribui para a baixa fertilidade de vacas de leite em ambientes quentes. Apesar dos sistemas modernos de resfriamento das vacas utilizados em fazendas de leite, a fertilidade continua baixa. Serão citadas a seguir como algumas funções reprodutivas são influenciadas negativamente durante o estresse térmico.

A dominância do folículo dominante é menor em períodos de estresse térmico, e a capacidade esteroidogênica das células da teca e da granulosa é comprometida. Também, a secreção de progesterona pelas células lúteas é menor no verão, diminuindo a concentração sérica. Em animais sob estresse térmico, tem sido observada uma menor concentração de LH e um aumento de FSH, sendo que o aumento de FSH está associado com grande redução na concentração de inibina. Estresse térmico também influencia negativamente a qualidade dos ovócitos e o desenvolvimento embrionário, aumentando a taxa de perda embrionária. As altas temperaturas também comprometem o endométrio, alterando sua capacidade de secreção, o que também pode influenciar negativamente na concepção.

Além destes efeitos imediatos, efeitos retardados também são citados como reflexos do estresse de verão. Entre estes, pode-se citar a dinâmica folicular alterada, a diminuição de produção de esteróides foliculares e a menor qualidade dos ovócitos e do desenvolvimento do embrião. Estes fatores auxiliam a explicar a menor concepção no outono (temperatura amena, porém sem que haja recuperação nas taxas de concepção).

Tratamentos hormonais minimizam o efeito negativo do verão na eficiência reprodutiva, porém deve ficar claro que não se consegue, com estes tratamentos, igualar os resultados obtidos do inverno. Um fator limitante dentro desta questão é a inabilidade de vacas de alta produção em manter a normotermia.

De qualquer forma, a utilização de protocolos de sincronização de ovulação tem permitido aumentar a taxa de prenhez e reduzir o período de serviço no verão.

No próximo radar, discutiremos possíveis estratégias para melhorar a concepção no outono.
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Material escrito por:

José Luiz Moraes Vasconcelos

José Luiz Moraes Vasconcelos

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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