Como aumentar a taxa de concepção?
Aumentar a taxa de concepção é possível quando existe algum problema com a técnica de inseminação ou com a saúde geral do rebanho. Na maioria das fazendas os problemas não são simples assim, a fertilidade das vacas em lactação vem caindo nas últimas décadas.
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A taxa de concepção será máxima se a técnica de IA e a saúde da vaca forem bem manejadas. Algumas práticas de manejo são pré-requisitos para uma condição ótima de saúde do rebanho e permitem que a taxa de concepção seja a mais alta possível. Abaixo estão alguns desses pré-requisitos.
Manejo das novilhas de reposição:
1. Fornecimento do colostro imediatamente após o nascimento.
2. Programa de vacinação adequado para a região.
3. Taxa de crescimento após desmame de 0,82 a 0,86 kg/dia.
4. Piquete com ambiente limpo, confortável e com espaço suficiente.
5. Parto entre 22 a 26 meses. Manejar vacas primíparas separado das multíparas tanto no pré quanto no pós-parto.
6. Peso ao parto aproximadamente 75% do peso adulto. Escore da condição corporal entre 3,25 a 3,5.
7. Usar sêmen de touros com prova para facilidade de parto.
Manejo das vacas secas:
1. Usar antibiótico específico para secagem para tratar e prevenir mastite.
2. Fornecer dieta adequada, não deixar as vacas perderem peso. ECC na secagem de 3,0 a 3,25 e no parto de 3,25 a 3,5.
3. Quando possível manejar separado as vacas no pré-parto imediato (período de transição).
4. O piquete ou a baia maternidade devem ser limpos, arejados e com espaço suficiente. Garantir que o espaço de cocho seja adequado. Nesta fase conforto é fundamental!!!
5. Programa de vacinação adequado.
6. Fazer casqueamento preventivo.
Manejo das vacas em lactação:
1. Manejar vacas primíparas separado das multíparas.
2. Manejar vacas no inicio da lactação separado das demais.
3. Usar dieta balanceada adequadamente.
4. Fornecer água em quantidade e com qualidade adequada.
5. Manter o ambiente limpo e confortável. As vacas precisam de espaço para deitarem confortavelmente.
6. No verão usar sistemas para garantir o conforto térmico das vacas.
7. Manter a mastite sob controle (Contagem de Células Somáticas abaixo de 200.000).
8. Programa de vacinação adequado.
9. Evitar manejos estressantes. Os funcionários devem ser treinados para manejar os animais com cuidado e calma.
Técnica de inseminação artificial:
1. Evitar movimentação excessiva e desnecessária do botijão.
2. Avaliar o nível de nitrogênio rotineiramente e anotar o gasto de nitrogênio, para identificar gasto excessivo devido a problemas do botijão.
3. Manter o botijão em local elevado do chão, com boa iluminação, mas evitar a luz solar direta, e evitar local úmido.
4. Estocar quantidade de sêmen necessária para apenas 6 meses.
5. Para pegar a palheta, a caneca deve ser mantida na parte mais baixa do pescoço do botijão e para facilitar a retirada da palheta o topo da raque onde fica a identificação deve ser mantido dobrado a 45 graus.
6. Uma pinça deve ser usada para manusear a palheta. A caneca deve ser devolvida para dentro do corpo do botijão o mais rápido possível.
7. A temperatura da água deve ser verificada imediatamente antes da retirada da palheta do botijão.
8. Usar um termômetro de fácil leitura. Verificar a precisão dos termômetros freqüentemente.
9. Observar as recomendações de cada empresa de sêmen
10. Depositar o sêmen no corpo do útero, lentamente.
11. Treinar os inseminadores freqüentemente.
Esses são pré-requisitos para que a vaca tenha um bom parto e uma boa saúde o que vai refletir em bom desempenho reprodutivo. Esses pré-requisitos descritos nesse texto não são novidades para as fazendas, nossa função é garantir que eles sejam praticados rotineiramente.
Este texto é parte de uma palestra apresentada por Dr. Richard Pursley, no Curso de Novos Enfoques na Reprodução e Produção de Bovinos, realizado em Uberlândia, MG.
Material escrito por:
Ricarda Maria dos Santos
Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia. Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.
Acessar todos os materiaisJosé Luiz Moraes Vasconcelos
Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu
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