Cistos Ovarianos: Resultados Experimentais no Brasil

Esses dados permitem concluir que vacas císticas sem tratamento entre 44 a 50 dias pós-parto tiveram a mesma taxa de recuperação.

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José Luiz Moraes Vasconcelos

Vamos apresentar alguns resultados experimentais obtidos no Brasil, obtidos a partir do trabalho com 333 vacas de leite que foram monitoradas a partir do dia 23 a 29 pós-parto, de 7 em 7 dias, através de ultra-sonografia. As vacas foram classificadas entre 44 a 55 dias pós-parto em:

vacas ciclando - presença de CL em uma das avaliações;
vacas em anestro- ausência de CL em todas as avaliações e presença de folículos menores do que 20mm de diâmetro e
vacas císticas- ausência de CL em todas as avaliações e presença de estruturas maiores do que 20mm.

Os resultados estão na tabela 1.

Tabela 1. Porcentagem de vacas ciclando, em anestro e císticas entre 44 a 55 dias pós-parto

 

Tabela 1



A ocorrência de cisto variou de acordo com a estação do ano. Os resultados estão na tabela 2.

Tabela 2. Efeitos da estação do ano sobre a incidência de cistos

 

Tabela 2



A porcentagem de vacas com cistos foi maior nos meses de abril a julho (partos entre fevereiro a maio). Isso provavelmente ocorreu porque as vacas que apresentaram cistos pariram nos meses mais quentes do ano, quando os problemas ao parto e o estresse são mais altos. Além disso, de abril a julho, ocorre aumento da produção de leite, que também é um dos fatores predisponentes à formação de cistos ovarianos.

Aos 44 a 50 dias pós-parto as 31 vacas classificadas como císticas foram divididas em dois grupos: grupo controle (n=16), representado pelas vacas que não receberam tratamento e grupo tratamento (n=15), vacas que receberam uma aplicação de GnRH (100mcg de Gonadorelina, CYSTORELIN, 2ml, via intramuscular). Sete e quatorze dias após o tratamento, as vacas foram novamente examinadas para verificar a resposta dos cistos ao tratamento e a cura espontânea. A resposta positiva ocorreu em 14 das 16 vacas do grupo controle (87,5%) e em 9 das 15 tratadas (60,0%). A tabela 3 mostra a resposta dos cistos ao tratamento com GnRH e a cura espontânea.

Tabela 3. Resposta dos cistos ao tratamento com GnRH e cura espontânea

 

Tabela 3



Em relação aos efeitos de presença de cistos entre 44 a 50 dias pós-parto sobre o intervalo do parto à primeira inseminação artificial (IA); o número de serviços por concepção e o intervalo do parto a concepção, verificou-se que houve diferenças entre vacas císticas, em anestro e ciclando. Os dados estão na tabela 4.

Tabela 4. Efeitos da presença de cisto sobre intervalo do parto à primeira inseminação artificial (IA); número de serviços por concepção e intervalo do parto à concepção em vacas Holandesas

 

Tabela 4



Os resultados observados estão de acordo com a literatura consultada, que indica que os cistos influenciam o intervalo entre partos e causam um aumento de 22 a 64 dias no período de serviço.

As vacas císticas tiveram taxa de descarte por problemas diversos maior do que as vacas ciclando (P<0,05; 13 em 31, 41,2% contra 54 em 248, 21,8%)

Esses dados permitem concluir que vacas císticas sem tratamento entre 44 a 50 dias pós-parto tiveram a mesma taxa de recuperação das que receberam GnRH. Porém, vacas císticas tiveram maior intervalo parto-concepção e maior taxa de descarte.

 

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fonte: MilkPoint

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Material escrito por:

José Luiz Moraes Vasconcelos

José Luiz Moraes Vasconcelos

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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